15 de dezembro de 2016

Delator diz que pista do aeroporto de Goiânia não ficou pronta a tempo


Uma declaração feita pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, em sua delação premiada, levanta suspeitas sobre a real conclusão das obras do aeroporto de Goiânia antes de terem sido inauguradas em maio deste ano. 

Na página 24 do relato que, ao todo, possui 82 laudas, ele conta que se encontrou com Eliseu Padilha, representante político do então vice-presidente Michel Temer (PMDB) e que ocupava, na época, o cargo de ministro da Aviação Civil, para expressar o desconforto da empreiteira diante da inauguração sem que tudo estivesse pronto. “Meu pedido não foi atendido e ocorreu sem a pista de pouso estar concluída, por mais absurdo que pareça”, declarou.

No dia 9 de maio deste ano, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) esteve em Goiânia para inaugurar o novo terminal do aeroporto, cuja obra se arrastou por anos até que finalmente fosse entregue. 

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Portuária (Infraero), procurada ontem pela reportagem do POPULAR, disse, via assessoria de comunicação, que a afirmação do ex-executivo não tem conexão com a realidade, pois a pista não teria entrado no escopo da obra e que ela não sofreu intervenções, sendo a mesma pista do terminal antigo, portanto já existente.

A assessoria de comunicação do consórcio Odebrecht/Via Engenharia, responsável pela conclusão da obra, respondeu dizendo que a empresa não se manifesta sobre a delação premiada de Cláudio Melo Filho, mas enfatizou que o compromisso de continuar colaborando com a Justiça. “A empresa está implantando as melhores práticas de compliance, baseada na ética, transparência e integridade”, diz a nota enviada ao POPULAR. Outros executivos da Odebrecht estão com delações agendadas, entre eles o presidente do grupo Marcelo Odebrecht, e devem ocorrer nos próximos dias.

Eliseu Padilha, atual ministro- chefe da Casa Civil e a quem o delator teria expressado o desconforto de inaugurar a obra sem a conclusão da pista, respondeu, também via assessoria, com nota genérica, falando sobre toda a delação e não somente sobre o caso em específico, já que ele é citado em outros trechos. Ele se defende, dizendo que não foi candidato em 2014 e que nunca tratou de arrecadação para deputados ou para quem quer que seja. “A acusação é uma mentira! Tenho certeza que no final isto restará comprovado”, afirma.

A obra do novo terminal do Aeroporto de Goiânia foi realizada, inicialmente, pelos homens do Exército. Ao final, quando os soldados não conseguiram concluir, o consórcio da Odebrecht ganhou a licitação e retomou o projeto após repactuação com o Tribunal de Contas da União (TCU). A pista passou por intervenções em 2014, após a constatação de rachaduras e necessidade de renovação da massa asfáltica. Ao todo, foram mais de 4 mil dias de espera entre o anúncio do projeto e a entrega do terminal.

Foto: Icaro Roberto