30 de maio de 2016

Trincheira do BRT Norte-Sul fica para depois



A trincheira que seria formada por três viadutos para melhorar o trânsito no cruzamento das Avenidas Goiás Norte e Perimetral Norte, em função da passagem do corredor exclusivo do BRT (Bus Rapid Transit em inglês, ou seja, ônibus rápido), não vai sair do papel este ano. Embora esteja prevista no projeto, não há acordo entre a Prefeitura e todos os proprietários dos lotes que deveriam ser desapropriados para a obra. A trincheira deveria ter começado em abril, para ser finalizada em novembro, mas o impasse adiou o início e já não há tempo hábil para o término ainda neste ano.

As negociações entre as partes estão suspensas desde a última sexta-feira. Três proprietários fizeram acordos com a Prefeitura em troca de índice de construção ou de benfeitorias para o restante do lote. O advogado da Séptima Empreendimentos, dona do outro lote, Cláudio Cezar de Moraes e Silva, afirma que seu cliente queria o pagamento em dinheiro no valor justo, conforme a legislação, e recorreu à Justiça.

Há uma liminar para que um perito indicado pelo juiz faça a avaliação do terreno. A decisão também proíbe que a Prefeitura entre no lote antes desta perícia e do pagamento. Silva explica que o cliente não se opõe à obra, mas quer resguardar seus direitos. “Apesar de a lei estabelecer indenização em dinheiro, a Prefeitura alega não ter o dinheiro, então continuamos abertos a outras formas de negociação”, diz. O advogado reitera que, na última semana, foi dito em reunião que a decisão de não fazer a trincheira se dá “única e exclusivamente, por não conseguir terminar no mandato do prefeito”.

A assessoria de imprensa da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), informa que a Prefeitura ainda não foi notificada oficialmente da decisão judicial. “Assim que for, a Prefeitura deverá recorrer, sendo que até o momento a decisão liminar não afeta o andamento da obra do BRT Goiás Norte-Sul.” O engenheiro Benjamin Kennedy Machado da Costa, da Unidade de Coordenação do BRT, afirma que as negociações continuam, já que o projeto executivo não foi modificado e os viadutos estão no plano.

O que ocorre, no entanto, é que o viaduto da Perimetral não será mais feito neste ano. “Não é uma mudança do projeto, porque acreditamos que a trincheira é o melhor para a região”, afirma. Técnicos do BRT cogitaram diversas soluções para contornar o impasse, inclusive a construção de um túnel para a passagem dos ônibus exclusivos, o que foi rechaçado. A solução adotada é entendida como pior para o trânsito do que a trincheira, mas que será melhor do que ocorre hoje.

Fonte: O Popular