8 de abril de 2016

Uber teria atraído 800 motoristas em Goiânia


Aposta de renda extra é principal atrativo. Número não é confirmado pela empresa, que fala em 10 mil no País 

Em funcionamento há pouco mais de dois meses em Goiânia, a empresa Uber ainda levanta uma fumaça de mistério sobre o número de motoristas que aderiram ao serviço de transporte de passageiros em carros particulares na capital. Informa apenas que existem mais de 10 mil condutores em todo o País. Motoristas cadastrados ouvidos pela reportagem comentam que o serviço, solicitado por meio de aplicativo do celular, já tem adesão de cerca de 800 condutores em Goiânia. Quando foi lançado, no final de janeiro, dizia-se haver entre 100 e 150 motoristas cadastrados.

Seduzidos pelo marketing e pressionados pela crise econômica, profissionais de diversas outras áreas têm apostado cada vez mais no volante, para aumentar a renda. Na lista dos que conciliam o trânsito com outras profissões, há advogados, engenheiros, professores, publicitários, empresários, além de estudantes e aposentados.

Por dia, motoristas do aplicativo UberX, categoria mais barata e a única que já existe na capital, realizam até 20 viagens em média pelas quais ganham entre R$ 150 e R$ 250. A empresa informa que eles ganham 75% do valor pago pelos usuários por cada viagem e fica com os 25% restantes.

Tarifa dinâmica

O valor depende dos percursos feitos e da tarifa dinâmica, que varia principalmente nos horários de pico. A lógica é simples: quanto menor o número de motoristas disponíveis para a demanda, maior o valor a ser cobrado do passageiro.

Em janeiro, a assessoria do Uber informou que não haveria tarifa dinâmica no início da operação, mas na semana passada comentou que assim que o serviço começou os passageiros foram informados sobre a forma de cobrança.

Para aumentar a renda, profissionais de outras áreas encaram o trânsito em pleno horário de almoço ou depois do expediente de trabalho. Sem querer divulgar o nome, um deles diz que trabalha no setor de construção civil, mas, por causa da crise, aproveita o período das férias de abril para dar sinal verde nas contas do banco. “Fiz muitas dívidas e meu salário, sozinho, não vai dar para pagar”, afirma, ressaltando que já fez 10 horas seguidas no Uber para conseguir “um dinheirinho a mais.”

O serviço também abre um novo incentivo de migração. O POPULAR constatou que muitos moradores de outros Estados, como Acre, Rondônia, Mato Grosso, Pernambuco e Rio de Janeiro, mudaram-se para a capital de Goiás para apostar no serviço da empresa.

O público é bastante variado, embora pessoas mais jovens acumulem o maior número de pedidos, segundo condutores ouvidos pelo POPULAR.