23 de abril de 2016

Aumenta a migração de profissionais goianos que deixam o País fugindo da crise e da violência


Espanhol - Alvaro Benitec veio ao Brasil para fugir da crise na Europa

Desanimados com o panorama interno, profissionais de alto nível deixam o País. Mão de obra qualificada, porém, também imigra para o Brasil

Profissionais com alto nível educacional e poder aquisitivo fazem parte da nova onda de goianos que estão migrando para o exterior. Fugindo do momento conturbado do País, na economia e na política, eles têm apostado em alternativas que variam de programas de trabalho à abertura de empresas em países estrangeiros para obter visto.

Entre 2012 e 2015, o total de Declarações de Saída Definitiva do País enviada ao Fisco subiu 56,15%. Em Goiás, a alta foi de 63,64%. Incerteza político-econômica é citada como um empurrão para a mudança.

“O cenário no Brasil já não é mais favorável”, resume a psicóloga e gastrônoma Cybelle Maria Bretas Vasconcelos, 32 anos, que mudou há seis meses de Goiânia para Atlanta (EUA).

Para Cybelle, que já foi presidente de Associação de Jovens Empresários do Estado, a decisão foi difícil. “Doeu porque a melhor oportunidade não era na minha pátria”, diz.

Por outro lado, ela acredita que será beneficiada por melhor qualidade de vida para ela e para seu marido, em ambiente mais favorável para os negócios e para a carreira de ambos. Cybelle está grávida e seu marido foi uma das milhares de vítimas da violência em Goiânia, onde chegou a ter o carro roubado por três vezes.

A goiana trabalha como gerente do restaurante The Grill from Ipanema e pretende empreender no futuro. Seu chefe, o empresário Luciano Humberto Oliveira, 40, deixou Goiás há 17 anos, quando o “êxodo” também estava em alta.

Nos anos 1980 e 1990, brasileiros se sentiram estimulados a deixar o País em razão da hiperinflação e da instabilidade econômica. Dessa nova geração, os migrantes como Cybelle, porém, procuram fazer as malas com maior segurança, aproveitando a demanda estrangeira por mão de obra especializada.

Menos aventureiro

“Recebemos no restaurante de dez a 12 currículos de brasileiros por semana, além de pessoas que tinham empresas e querem ambiente com possibilidade de crescimento”, conta Cybelle.

Se a baixa qualificação, então super valorizada, abriu caminho outrora, o perfil do imigrante de agora é considerado menos aventureiro, depois do fenômeno de retorno para o Brasil a partir de 2008, por conta da crise mundial.

Somente no Japão, segundo informações das Comunidades Brasileiras no Exterior, houve decréscimo de quase 42% no número de brasileiros graças ao fortalecimento da economia nacional.

A atual onda de deslocamento ainda não foi quantificada pelo Itamaraty. A estimativa, no entanto, é de que mais de 3 milhões de brasileiros estejam vivendo no exterior.

Fonte: Jornal O Popular