10 de março de 2016

Grupo quer reconstruir monumento erguido na Praça do Trabalhador


Falta a obra que dá nome à Praça do Trabalhador. Cartão postal mostra monumento e Avenida Goiás.

Em Goiânia, quase todos sabem o que fica em frente a Câmara Municipal e ao final da Avenida Goiás: a Praça do Trabalhador. Mas poucos sabem que só a chamamos assim porque em 1959, no governo José Feliciano e na administração municipal de Jaime Câmara, foi construído o Monumento ao Trabalhador, logo em frente à Estação Ferroviária e Avenida Goiás. A então Praça Americano do Brasil passou a receber a alcunha popular de Praça do Trabalhador, o que só se tornou oficial em 1990. O nome ficou, o monumento foi destruído e nunca isso foi reparado.

Um grupo de professores, arquitetos e artistas lutam desde 2003 para que seja feito o resgate dessa história e o monumento, reconstruído. Trata-se de dois painéis de 1,5 metro de altura por 12 metros de comprimento cada, relatando histórias de trabalhadores em pastilhas italianas sobre blocos de cimentos suspensos por colunas estilizadas e em semicírculos posicionados em frente à Estação Ferroviária. Na época, o projeto ficou guardado, mas volta à tona agora, justamente quando a administração municipal pretende, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas, reformar a Estação Ferroviária e o seu entorno.

Encabeçado pelo professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Célio, o grupo tenta realizar audiências públicas e encontros com o governador Marconi Perillo (PSDB), o prefeito Paulo Garcia (PT) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A ideia inicial é que a reconstrução do monumento seja inserida na revitalização da praça a qual deu seu nome. Além disso, é uma reparação histórica de como se deu a destruição da obra.

O presidente da Associação dos Anistiados de Goiás (Anigo), Marcantônio Dela Corte, que encabeçou o movimento em 2003 e participa novamente neste ano, relata que a ausência do monumento é a manutenção de uma atrocidade cometida por grupos de direita em 1969. Ele conta que o movimento sindicalista em Goiânia foi quem lutou para a construção da obra em 1959, mostrando a luta dos trabalhadores. Tanto que uma das representações no painel era dos “Enforcados de Chicago”, rememorando uma chacina a líderes sindicalistas estadunidenses, que deu origem ao 1º de maio como Dia do Trabalhador.

Ocorre que, dez anos depois, em plena ditadura militar, o monumento foi vandalizado com piche fervido. “Eu lembro que a gente se reunia nos lotes vazios abaixo da Estação Ferroviária, clandestinamente, e olhávamos aquele monumento todos os dias. Estávamos lá a noite e fomos embora. No outro dia de manhã já estava tudo com o piche e os sinais do Comando de Caça aos Comunistas (CCC)”, conta Marcantônio.