20 de março de 2016

Clínicas populares realizam consulta médica a R$ 80


Clínicas com preços populares surgem em Goiânia. Conselho afirma que é uma tendência devido aumento de médicos no mercado, mas orienta população

Embalado por um sistema público de saúde capenga e uma forte crise econômica, clínicas com preços populares absorvem pacientes que sofrem pela falta de atendimento ou buscam valores mais acessíveis. O preço da consulta a R$ 80 é uma alternativa considerando que profissionais de outras clínicas particulares podem cobrar preços quatro vezes mais elevados, dependendo da especialidade. O Conselho Regional de Medicina (CRM) afirma é que essa é uma tendência em função do aumento do volume de médicos no mercado, mas faz um alerta e orienta a população (veja matéria abaixo).

Somente este ano, pelo menos duas clínicas populares foram instaladas em Goiânia. Em comum, o preço de consultas médicas especializadas como cardiologia, oftalmologia, pediatria e urologia com preços mais acessíveis, além de um ponto de fácil acesso e alto fluxo de pessoas. Uma vantagem apontada pelos clientes é que os médicos prestam serviço com hora marcada.

Na Clínica Vittá, são ofertadas 19 especialidades da área da saúde. Em sistema de rotatividade, cerca de oito especialistas atendem, diariamente, um volume médio de 50 pacientes. “Nós começamos a funcionar dia 22 de janeiro e tivemos um aumento de 50% somente nesse período de março, se comparado ao mês passado”, diz uma das sócias da clínica, Lara Ramos Caiado de Carvalho.

Lara conta que maior parte do público vem da classe C e D, muitos reclamando da demora de atendimento do sistema público de saúde. Porém, diz, já observa um movimento da classe B, em busca de consultas médicas com preços mais acessíveis.

É nesse ponto que se enquadra o casal, Dione Oliveira e Vanessa Baêta. Até setembro do ano passado, a família gozava de plano de saúde disponibilizado pela empresa na qual trabalhava o consultor. “Foi quando sai de lá e, agora, precisamos da consulta”, diz Dione.

Vanessa, que é cirurgiã dentista, relata que, em função de uma união de fatores imbatíveis - aumento do custo de vida e redução da renda – fez pesquisa de preços de consultas oftalmológicas para ela e a família. “Achei até de R$180, mas o nosso dinheiro já não é mais o mesmo, revela.

Ao lado do casal, estava a dona de casa, Lourdes Santos. Também pesquisou preços antes de escolher a clínica com valores populares, a diferença é que já tinha tentado uma vez pela rede pública de saúde. “Lá eles não tinham nem uma data para me dizer quando eu seria atendida”, conta.

Pontos são instalados próximos aos Cais

A reportagem de O POPULAR constatou a abertura de várias clínicas ao redor de Cais da capital. O ponto estratégico busca atrair pacientes fragilizados com a ineficiência do serviço de saúde pública. Numa das clínicas localizada na proximidade do Cais do Jardim América, por exemplo, uma placa em frente a um consultório apontava:“ Consultas dengue/zica. Não sofra na fila, R$ 50”.

Foi onde deslocou Sandra Ribeiro, que acompanhava a sobrinha, Luma Martines Gabriel, que sentia sintomas característicos: fortes dores no corpo, febre e cansaço. “A fila estava enorme e o atendimento muito burocrático”, diz. Diante da agrura, afirma, preferiu pagar .

A Superintendência de Regulação e Políticas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia não informou o número de pessoas que aguardam hoje na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento, resumindo que depende de cada especialidade. A superintendência repassou ainda que, em alguns casos, a marcação ocorre em intervalo mínimo de uma semana, mas não informou quanto tempo pode se alongar nos casos de maior demanda