8 de janeiro de 2016

Parques: Falta de cuidado afasta público


Áreas verdes na periferia da capital apresentam equipamentos desgastados e mato alto

Parque Jardim Botânico: Alguns bancos estragados já merecem ser trocados ou reformados. O mato espanta moradores, como Jaime Monteiro, que não vai ao local durante a noite. Com as últimas chuvas, a lama invadiu a pista de caminhada, do que Jaime reclama: “Fica tudo muito largado”

Banheiros trancados, sem torneiras e sujos, capim alto, brinquedos estragados, piso quebrado, falta de iluminação e de bebedouros. São muitos os problemas percebidos nos parques pela população goianiense, que pede maior fiscalização das áreas e uma gestão efetiva dos locais. O POPULAR percorreu oito parques de Goiânia para anotar as demandas da população em relação às áreas e os problemas mais evidentes. Neles, a falta de corte da grama é mais evidente.

O Parque Municipal Hugo de Moraes, na Região Norte, por exemplo, foi inaugurado em outubro do ano passado e é visível que todo o equipamento instalado (aparelhos para musculação, bancos, brinquedos) está conservado. Entretanto, a grama para ser cortada e as lixeiras enferrujadas dão a impressão de que a área está abandonada. No local, apenas uma criança brincava sozinha.

Morador da região, Antônio Alves garantiu que única manutenção no local é o corte da grama alta de vez em quando.

No Parque Cascavel o cenário é diferente, com a lagoa assoreada. É possível perceber que foi construída uma barragem para passar a água e tentar reverter o processo. Mesmo com mato alto em alguns pontos e lixeiras enferrujadas, o vendedor de coco Divino Fernando garante que a conservação geral do espaço é boa, com funcionários no local constantemente.

No Parque Botafogo, o mato alto em algumas áreas é evidente. Além disso, o banheiro do local permanece fechado e a quadra de basquete está danificada. Paulo Adriano, que mora perto da região, pede por mais manutenção. “Poderiam abrir o banheiro e colocar também um bebedouro. Está tudo jogado.”

Degradação

No Parque Campininha das Flores, no Setor Aeroviário, a grama precisa ser aparada e os brinquedos estão velhos. No espaço separado para banheiros e área para guarda municipal, já não existem os bebedouros e nos banheiros não há torneiras.

De acordo com os irmãos Josias e Adair Xavier, os objetos foram roubados e nunca repostos. “A guarda municipal não fica aqui. Não tem fiscalização”, diz Adair. Na sala direcionada à guarda, as janelas estão quebradas e é possível ver um chinelo e um par velho de tênis.

De acordo com Josias e Adair, a lagoa possuía uma fonte quando o parque foi inaugurado, em 2011. Conforme moradores, durante as obras, foi aproveitada uma cisterna para a construção do lago. “Caminhão pipa vinha aqui todo dia encher ela de água e não deixar secar”, lembra Josias. Há algum tempo, isso deixou de acontecer, segundo os irmãos. A preocupação agora é com a água parada.

O cenário é outro no Parque Fonte Nova. Aparentemente bem conservado, com a grama cortada e brinquedos preservados, o local seria uma boa opção para descansar depois de um dia de trabalho; ou para levar as crianças depois da escola. Mas o cadeado mostra que não é possível. No portão , uma placa avisa que espaço só pode ser desfrutado aos finais de semana, das 7 horas às 18 horas. Gleicy Teles passa pelo local todos os dias. Para ela, o espaço deveria ficar aberto por mais tempo. “Já vi muitas crianças aqui na porta querendo entrar. Os pais vão fazer caminhada e eles ficam aqui, parados.”

O POPULAR tentou contato com o diretor de Áreas Verdes da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Wilmar Pires, mas as ligações não foram atendidas. A assessoria de imprensa da Amma informou em nota que o serviço de manutenção dos parques é contínuo e feito de acordo com a demanda. Em seguida, é feita licitação de materiais e troca, “dentro das normas de transparência apregoadas ao poder público”.

O departamento assegurou ainda que já existe licitação em andamento para a compra de materiais novos para substituir os danificados que foram identificados pela reportagem. Sobre a situação nos parques Fonte Nova e Campininha das Flores, a assessoria garantiu que não conseguiu contato com o representante da área responsável e irá apurar os pontos em aberto hoje para esclarecimentos posteriores.

Sobre o mato alto, a assessoria explicou que foi montado no fim de 2015 um cronograma de limpeza e roçagem dos parques durante o período chuvoso.