4 de janeiro de 2016

Avenida T-63: Ipês são mais adequados, mas precisam de maior atenção


Substituição se deu por causa de acidentes devido ao fruto de jamelão. Nativas, novas árvores podem cair caso não haja suporte

A substituição dos pés de jamelão da Avenida T-63, em Goiânia, já foi concluída e a expectativa é que os ipês roxos possam florescer já no próximo ano. Presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma), Nelcivone Melo acredita que a medida poderá ser adotada em outras regiões da Capital, onde os transtornos por conta do fruto do jamelão ainda existem.

Melo detalha que a substituição começou em 2013, quando foram plantadas 105 mudas de ipê roxo nos intervalos dos pés de Jamelão. Como os casos de acidentes, principalmente com motociclistas, estavam muito recorrentes, a própria população passou a fazer esse pedido. O presidente da Amma afirma que depois de ouvir a população, a decisão de troca de espécies foi tomada.

O presidente da Amma defende que o ipê possui várias vantagens em relação ao jamelão. A principal delas é ser nativa. “É uma árvore daqui, que tem mais condições de viver nesse ambiente, além de não ter esses frutos que podem causar acidentes nas ruas.” Ele detalha que o plano diretor de arborização da cidade prevê que a cidade tenha apenas espécies nativas.

Presidente da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), Edilberto Dias explica que as árvores antigas foram retiradas após os ipês chegarem a uma altura média. “Eles já tem cerca de quatro metros e para que se desenvolvam mais, a Amma fez a solicitação da retirada dos 103 jamelões da via.” A expectativa é que a árvore tenha crescimento mais rápido a partir de agora.

Cuidado

Mestre em biologia vegetal, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Heleno Dias Ferreira defende a plantação dos ipês por sua beleza, mas entende que é uma árvore que vai merecer mais atenção da Prefeitura. Ele explica que essa é uma árvore que pode alcançar até 30 metros de altura na floresta. “Na cidade não há esse registro, mas vai merecer muita atenção porque podem cair quando estão muito altas e sem o suporte de outras árvores ao redor.”

O professor acrescenta que no período do inverno, o ipê tem como característica perder todas as suas folhas. “Essa é outra característica dessa árvore, que suporta o tempo seco se livrando das folhas durante um período. Ela fica completamente sem folhas.” Nesse caso, ele aponta que o problema poderá ser a sujeira nas ruas e os consequentes entupimentos de bueiros.

Ferreira diz que os ipês também têm como características possuir raízes extensas, que vão em busca de água. “Raízes são fortes e passam por onde precisam passar para chegar à água.” Por isso, o professor afirma que a Prefeitura deverá manter o cuidado com as árvores. “O melhor seria não ter que tirar nenhuma, nunca. São seres vivos. Mas se há essa necessidade, que cuidem bem.”