29 de outubro de 2015

Bonilha confirma “lobby” para trazer Copa para Cuiabá e Manaus, tirando Goiânia e Florianópolis



Ex-diretor da Agecopa confirmou carta de João Havelange antes do anúncio de Cuiabá como sede

O ex-diretor da Agecopa, Agripino Bonilha, afirmou, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copa, que, se não houvesse “lobby”, o Mundial não teria sido realizado em Mato Grosso.

Segundo ele, a escolha de Cuiabá foi motivada por questões políticas e não por uma decisão técnica.

Mesmo com a confirmação de que João Havelange, presidente de honra da FIFA, havia encaminhado carta garantindo Cuiabá no Mundial, Bonilha garantiu que não existe qualquer indício de que as sedes foram vendidas.

O ex-diretor disse que participou de uma reunião com membros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro e conversou com entusiasmo sobre os potenciais do Estado para recepcionar a Copa do Mundo.

Os membros da CBF, contudo, explicaram os principais empecilhos para Cuiabá vencer a disputa para subsidiar os jogos.

“Cuiabá e Manaus não eram interessantes para a FIFA, dentro do seu enfoque, pois era preciso que as sedes tivessem mercado, o que não ocorria aqui. A FIFA também estava organizando de forma a facilitar as visitas, por isso, a ideia era que as cidades fossem próximas, para não gastar mais tempo e dinheiro com a locomoção dos torcedores, então eles formavam um corredor, em que entrariam as cidades de Goiânia e Florianópolis, que possuem uma infraestrutura superior”, afirmou.

Segundo Bonilha, incluir Cuiabá e Manaus para inserir o Pantanal e a Amazônia quebrava este corredor pensado pela FIFA.

“Era uma estratégia de espaço e Cuiabá e Manaus não davam esta resposta positiva e nem com relação ao consumo. E outro argumento para não se realizar os jogos aqui, era que as sedes deveriam ter um futebol de alto nível, e a infraestrutura, então porque colocar Cuiabá? Voltei de cabeça baixa desta reunião”, afirmou.

Bonilha prosseguiu explicando a relação pessoal com o presidente de honra da FIFA, João Havelange, com o qual cursou faculdade e inclusive, morou em sua residência. O ex-diretor também esclareceu que foi Havelange quem elegeu Joseph Blatter para a presidência por unanimidade.

“Mandei um artigo para o Havelange defendendo a tese de que a Copa do Mundo poderia usufruir do turismo, e tivessem a atenção voltada para estas características e propor à FIFA uma causa e permitir que mesmo reduzindo lucros da Copa, era preciso mostrar Pantanal e Amazônia para o mundo. A discussão sequer era sobre Cuiabá, pois era preciso consubstanciar o argumento”, disse.

De acordo com Bonilha, em reunião com o secretário de Turismo, Yuri Bastos, Havelange afirmou que o governo precisava tratar apenas dois pontos para poder receber a Copa do Mundo, sendo o estádio para realização dos jogos e o aeroporto.

“O ex-governador Blairo destacou que seria criada uma Agência colegiada com disposição de R$1 bilhão em recursos para investimento, depois disso, o Havelange ficou de falar com o Blatter e foi aí que recebi uma carta dele, mas já eliminei a mesma, pois me deu muita dor de cabeça”, disse.

“Foi esta a carta que o Blairo leu, mas não dava a consciência definitiva que teríamos a Copa. O teor era que Havelange havia conversado com Blatter e apresentou a tese sobre Amazônia e Pantanal e que o mesmo havia achado a ideia magnífica, mas não deu uma resposta definitiva. Nesta carta, Havelange dizia também ‘fique tranqüilo, com relação à escolha do seu Estado’. Então no meu entendimento, era definitiva a vinda da Copa”, garantiu.

Bonilha também ressaltou que havia impeditivo com a CBF e o então presidente Ricardo Teixeira, mas que Havelange declarou que iria contornar o documento preliminar com afirmações negativas sobre Cuiabá.

 “Em janeiro de 2009, recebi a carta em que ele pediu para não divulgar para não atrapalhar as conversações. A escolha não foi técnica, foi política, por um pedido do então governador Blairo. A escolha foi política, porque Cuiabá não tinha condições nenhuma de ser sede, e só fomos por isso”, alegou.

O ex-diretor observou que em entrevistas, Havelange disse que fez um único pedido à Blatter, que era inserir Cuiabá e Manaus na Copa do Mundo, para representar Pantanal e Amazônia, respectivamente.

“O Havelange fez do Blatter presidente, ele não teria como negar seu pedido”, finalizou.

Fonte: Midia News (CAMILA RIBEIRO)