10 de julho de 2015

Ciclovias que temos e as que queremos


Prefeitura inicia execução de rotas cicláveis a partir de projeto público, mas ciclistas ainda pedem segurança e equipamentos

Ciclistas pressionados por carros em movimento ou estacionados é uma cena corriqueira na capital. A insegurança faz com que os usuários da bicicleta ocupem as calçadas, que é o espaço dos pedestres. Ao mesmo tempo, uma ciclovia no canteiro central da Avenida T-63, mesmo que tomada por jamelões, não recebe qualquer bicicleta. Foi isso o que ocorreu ontem, na região do Jardim América.

Mesmo que se estime a presença de 100 mil bicicletas em Goiânia, o uso do trecho cicloviário da Av. T-63 e da ciclovia da Rua 10, na Região Central, é pequeno. Ao mesmo tempo não é difícil encontrar os usuários de bicicleta entre carros e motos nas principais vias da capital, em calçadas ou nos parques. Então, por que os ciclistas não usam as ciclovias? Segundo eles, existem problemas na execução dos trechos existentes e, além disso, faltam outros trechos cicloviários.

Na linha do primeiro argumento, a ciclovia da T-63 ainda está incompleta. Ela começa no Parque Anhanguera e termina na Praça Wilson Sales, no Setor Nova Suíça, e não há passagem sobre a ponte do Córrego Cascavel. Além disso, seu início tem jamelões, frutos que caem na pista e a deixam escorregadia.

Já a falta de outros trechos cicloviários faz com que o usuário opte pela calçada ou por outras vias, já que essas possibilitam a continuidade do trajeto.

Co-fundador do grupo Pedal Goiano, Fernando Acciolly explica que não teria sentido sair de um trajeto, atravessar uma avenida de tráfego intenso e rápido, chegar a uma ciclovia e, poucos metros depois, ter de voltar para o trajeto anterior. É por isso que o garçom Noílson Messias continua pedalando pela calçada da Avenida T-63. Ele andaria apenas duas quadras da ciclovia até chegar à praça do Setor Nova Suíça, sendo obrigado a seguir pela calçada da avenida até próximo ao cruzamento com a Avenida 85, onde seguiria rumo à Avenida T-2.

Para Noílson, atravessar a T-63 para andar por duas quadras e voltar a enfrentar o trânsito normalmente se torna um desgaste desnecessário. “Se ela seguisse pelo menos até o viaduto com a Avenida 85 ainda compensaria”, argumenta. Pelo projeto da Prefeitura, a ciclovia da T-63 vai além, chegando à Avenida Circular e continuando até o Parque Flamboyant.

Na manhã de ontem, em meia hora no local, a reportagem verificou cinco ciclistas no espaço próprio e nove fora dele, normalmente no corredor do transporte coletivo.

Corredor T-7

Fernando Acciolly acredita que um trecho cicloviário pronto, com grande extensão e que tem como pontos extremos dois locais de grande trafegabilidade será mais utilizado pela população e a aposta é na obra do Corredor T-7, que vai da Praça Cívica até o Terminal Bandeiras.

Atualmente, a obra cicloviária está na Avenida Assis Chateaubriand e recebe críticas de lojistas e motoristas locais, que não percebem a existência de demanda dos ciclistas. Isso mostra como os ciclistas são invisíveis no trânsito, pois em menos de 15 minutos no local a reportagem verificou seis ciclistas passando pelas imediações. Isso porque existem muitas lojas no local que realizam entregas de produtos a moradores nas proximidades e esse trabalho é feito com o uso de bicicletas. A arquiteta urbanista e cicloativista Gabriela Silveira acredita que os projetos atuais atendem, sim, a demanda dos ciclistas.

Segundo explica Gabriela, os projetos contemplam a ligação entre os bairros e o centro da capital, com ciclovias localizadas nas principais avenidas, em que há intenso fluxo de veículos e com velocidade máxima permitida de 60 quilômetros por hora. “Devemos ter ciclovias nessas vias por serem obras mais seguras, isoladas dos carros”, diz. Nos demais trechos é preciso impor a ideia de vias compartilhadas, em que motoristas e ciclistas devem se respeitar pelo uso das ruas.

Fonte: Jornal O Popular