29 de maio de 2015

Cortes de R$ 70 bilhões no Orçamento da União ameaçam futuro de obras


Reflexo do ajuste de R$ 70 bilhões no Orçamento da União preocupa empresários em Goiás

Os ritmos de algumas obras de infraestrutura em andamento no Estado de Goiás vão desacelerar e outras estão com o destino completamente indefinido, como é o caso do Aeroporto Santa Genoveva, os corredores preferenciais e o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Este é o reflexo regional do corte de R$ 69,9 bilhões do Orçamento Geral da União, anunciado na semana passada como medida do ajuste fiscal do governo para equilibrar as contas públicas do País. Outra preocupação é com projetos futuros, cuja tendência é de que sejam engavetados.

Das principais obras goianas que podem entrar na lista negra das tesouradas do governo federal estão as do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o Aeroporto Santa Genoveva, os novos corredores preferenciais do transporte coletivo, obras de saneamento básico e o Veículos Leves Sobre Trilho (VLT).

Minha Casa

A reportagem apurou que as obras de cerca de 10 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida espalhadas por Goiás, sobretudo Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Anápolis e Rio Verde, estão andando a passos lentos.

Desconfiados e temerosos com as medidas do governo, nenhum empresário do setor aceitou ter o nome divulgado. Nos bastidores, a informação é de que algumas empreiteiras trabalham apenas com um terço da mão de obra por conta da falta de dinheiro em caixa. Mas como a maioria das obras está em fase de conclusão, a tendência é de que muitas unidades sejam entregues daqui a oito meses, o que representa mais de um ano de atraso.

Segundo pessoas ligadas ao setor em Goiás, o atraso no repasse é inferior ao de outros entes da Federação. “Nosso atraso é de 15 a 30 dias, existem lugares onde os atrasos são piores”, informaram. Atrelados aos atrasos estão os deságios dos valores dos repasses, o que incomoda investidores.

Em fevereiro, a reportagem apurou que empreiteiras vêm tocando as obras com orçamento apertado, já que o lucro estimado para o empreendimento é de apenas 5%. “Neste período, os salários subiram duas vezes, os materiais de construção estão mais caros e ainda por cima não recebemos dentro do prazo. As contratações de 2013 para cá vão ficar no prejuízo”, alegou um empreiteiro.

De acordo com nota do Ministério das Cidades, o ajuste não afetará a continuação do Minha Casa, Minha Vida, além da terceira fase do programa, já que o valor de emendas limite para execução é suficiente para a continuidade dos empreendimentos.

A mesma nota informa que os programas de infraestrutura como mobilidade e saneamento compreendem obras de grande complexidade e têm perfil de longo prazo. Por isso, os empreendimentos terão “os respectivos cronogramas mais alongados em relação à previsão inicial”. A nota alega ainda que, como o prazo de uma obra de saneamento ou mobilidade varia entre três e quatro anos, alguns meses a mais não causarão prejuízo algum para a população.

Nesta seara, a Saneago informa que o ajuste fiscal não afetará as obras de saneamento básico em andamento, mas deve haver prejuízo às solicitações de projetos que já estavam sendo estruturados, devido à redução dos recursos disponíveis.

VLT

A obra do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) em Goiânia deve ser impactada pelo reajuste fiscal. “Estamos fazendo um levantamento no Ministério das Cidades para ver o que impactou no programa de mobilidade urbana”, declarou o presidente do grupo executivo de implantação, Carlos Maranhão.

Ele explica que, dependendo de como ficar, há alternativas e um plano B já vem sendo desenvolvido para não atrapalhar o cronograma - a previsão de duração da construção do VLT era de dois anos. “Mas priorizamos esse fundo pró-transporte porque é o melhor, mais barato e com melhor prazo”, acrescenta Maranhão sobre o que é motivo de preocupação para a administração, que ainda não sabe mensurar valores ou mesmo consequências no prazo para a construção.

Fonte: Jornal O Popular