19 de abril de 2015

Prefeitura tem a menor taxa de investimento em comparação às cidades de seu porte


Com tantos problemas financeiros, acaba se tornando um tanto óbvio que não sobram recursos para que a Prefeitura de Goiânia faça investimentos. Porém, é necessário analisar a questão: de acordo com informações de 2013 — últimas disponíveis — do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Bra­si­leiro (Siconfi), do Tesouro Nacio­nal, Goiânia tem 2,95% de sua receita aplicados em investimentos, algo aproximado de R$ 95 milhões. Um valor pequeno perto da receita naquele ano — R$ 3.202 bilhões — e do valor gasto com a folha de pagamento — R$ 1.63 bilhão.

Esse valor pode ser explicado pelo fato de a despesa ter sido R$ 154 milhões superior à receita, mas não justifica, por exemplo, Goiânia ter a menor taxa de investimento entre quase todas as capitais e menor que todas as cidades de seu porte populacional. Cidades como Belém (PA), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Curitiba (PR), que têm uma média de população semelhante a Goiânia, investem mais: Belém (8,48%), Porto Alegre (11,54%), Recife (15,15%) e Curitiba (4,79%). Guarulhos, município do interior de São Paulo com população de 1,2 milhão, está à frente da capital goiana com 6,16% de investimentos. Cidades pouco maiores também: Manaus (9,59%) e Belo Horizonte (14,46%)

Entre as capitais

Usando ainda os dados do Tesouro Nacional, na comparação com as demais capitais, apenas Maceió (AL, 1,11%), Salvador (BA, 2,32%), São Luís (MA, 2,79%) e Porto Velho (RO, 1,04%) têm percentuais menores. Todas as outras investem mais, inclusive Palmas (TO, 7,49%), que tem uma receita quase quatro vezes menor que Goiânia e uma população que pode ser comparada, em números, à de Anápolis.
Florianópolis (SC), por exemplo, cidade com pouco mais de 420 mil habitantes e um PIB de R$ 9.8 bilhões — Goiânia tem 1 milhão e 300 mil e um PIB de R$ 24.4 bilhões — investe quase o dobro: 5,63%. Em média, os percentuais estão sempre acima dos 5%: Aracaju (SE, 6,21%), Boa Vista (RR, 4,89%), Fortaleza (CE, 7,99%), Vitória (ES, 6,75%), João Pessoa (PB, 4,09%), Macapá (AP, 3,72%), Rio Branco (AC, 11,35%), Rio de Janeiro (RJ, 14,12%), São Paulo (SP, 7,58%), Teresina (PI, 5,09%). A única capital cujos dados não estão disponíveis é Natal (RN).

No Centro-Oeste

No Centro-Oeste, Goiânia é a que menos investe entre as grandes cidades. Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT), cujas populações não chegam a 800 mil habitantes, dão mais atenção ao setor: 8,41% e 2,96%, respectivamente. Em comparação com as outras duas maiores cidades de Goiás, Goiânia também fica atrás. Anápolis investe 7,46% de sua receita em melhorias; Aparecida de Goiânia aplica 20,52%.

Isso significa que as outras prefeituras investem muito? De maneira alguma. De modo geral, a parte das receitas das capitais aplicada em investimentos está muito aquém do que as cidades necessitam. Até porque Goiânia, embora invista menos em melhorias para a cidade, tem uma receita, em média, maior que a maioria.

Contudo, é necessário entender que o cuidado com investimentos demonstra a preocupação da administração com o futuro da cidade, que é um organismo vivo e demanda melhorias constantes. O que consiste em investimento? Os últimos claramente realizados pela Pre­feitura foram os viadutos do cruzamento da Marginal Botafogo com a Rua 88, no Setor Sul.

Mas o setor público investe também quando compra novos equipamentos para o atendimento da saúde, ou propicia melhores condições de trabalho para os professores, por exemplo. A Prefeitura de Goiânia tem feito isso? Se tem, não divulga. Até porque uma boa parte dos servidores municipais está em greve.

Fonte: Jornal Opção