23 de março de 2015

Vida noturna no Marista em crise


Trânsito parado, dificuldade para estacionar e bares lotados, com pessoas na fila de espera. Este cenário não é mais encontrado no Quadrilátero Gourmet do Marista, na região da Rua 146. Nas imediações várias fachadas de bares, restaurantes e até mesmo lojas estão se descaracterizando, e o que se encontra são placas de aluguel e construções demolidas.

Atualmente, 30% dos 42 bares e restaurantes que havia no local estão de portas fechadas, de acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel Goiás). Estabelecimentos como Ad’oro, Café de La Musique, Esquina Jatobá, Território Brasileiro, Osake Restaurante Oriental, Pireneus, Califórnios, Baobá, City Lounge, Azteca, dentre outros, já não funcionam mais no local (veja quadro).

Os fatores que influenciaram a saída destes estabelecimentos são inúmeros. Vão desde a falta de segurança, dificuldade de estacionamento e o valor alto do aluguel. Este é o caso da Esquina Jatobá, um dos bares mais tradicionais do Setor Marista. Diante da queda de movimento e do aluguel mensal de R$ 11.200, Tamalo Rocha, proprietário do estabelecimento, decidiu que era hora de procurar novos caminhos e local. Em novembro do ano passado, ele abriu o novo Esquina Jatobá na T-63 no Bairro Anhanguera, próximo ao Jardim América, pagando aluguel de R$ 3.500.

“Antes, tínhamos no Marista um público que consumia bastante. Por último, o público mudou. São jovens que se sentam à mesa e não consome. Foram vários fatores que influenciaram na decisão. Aqui, onde estamos instalados, é uma região que tem crescido bastante e isso favorece o movimento. Portanto, mesmo que repentina, a migração foi positiva. Esta decisão deveria ter sido tomada há dois anos”, afirma.

O presidente da Abrasel, Rafael Campos, explica que o alto custo do aluguel foi determinante não só para Tamalo Rocha transferir o bar para o Bairro Anhanguera, mas para vários empresários que tinham estabelecimentos na região, pois os valores encontrados chegam até R$ 25 mil. Além disso, a falta de investimento no Quadrilátero pode ter desestabilizado o comércio.

“Havia um projeto para fazer no local a Rua do Lazer, mas nada foi feito. Não tivemos estacionamento, iluminação adequada, recolhimento do lixo, nem incentivo e investimento tanto do Estado quanto do município. Além disso, o aluguel é alto para a realidade da situação econômica que estamos vivendo”, diz.

Sobrevivente

Há 22 anos instalado no Quadrilátero Gourmet, o Piquiras é pioneiro e tem resistido às dificuldades. Para o proprietário Marcelo Batista, não há segredo para conseguir se manter em meio à crise. Porém, tem feito milagre para sobreviver. “A concorrência está muito grande e o aluguel muito caro. Por mais que estamos vendendo bem não sobra dinheiro para o investidor”.

Ele diz que a segurança é um dos fatores que mais tem contribuído para a queda de público. “A mistura de bares com clientes de perfis diferentes atrapalha. Além disso, têm muitos vendedores autônomos comercializando bebidas baratas, espetinhos e outros aperitivos em frente aos bares. E os famosos flanelinhas que também deixam as pessoas com receio de frequentar o local”, frisa.

Com o fechamento de alguns estabelecimentos, Marcelo tem a esperança de dias melhores. Mas, até agora o movimento de clientes no Piquiras não melhorou. “Estamos estudando e adotando várias estratégias para não fechar as portas e sobreviver. Elaboramos, por exemplo, almoço executivo para atrair o público”, afirmou.

O restaurante do Café de La Musique está fechado e o estabelecimento funciona agora como espaço para eventos. Já o Tróia Restaurante está em reforma. A reportagem entrou em contato com o proprietário do Ad’oro, mas o mesmo optou por não se pronunciar. Mas O POPULAR apurou que a venda da marca está sendo negociada.



Fonte: Jornal O Popular