2 de março de 2015

Prefeitura de Goiânia aposta no BRS e BRT



A priorização do transporte público é consenso entre os especialistas. Neste sentido, a Prefeitura de Goiânia deu início ao projeto de BRS (Bus Rapid Service) que, na capital, consiste na dedicação de faixas exclusivas para o transporte público. As obras do Município começaram na Rua 10, com a implantação de faixas exclusivas e a promessa de aumento da eficiência do trajeto. O projeto de mobilidade consiste na criação de sete corredores preferenciais.

Por meio de sua assessoria, a Prefeitura informou que recebeu recursos no valor de R$ 145.323.461,00 para a realização das obras nas avenidas T-7, T-9, 85, 24 de outubro, Independência, T-63 e Rua 10. Serão 46,5 quilômetros de vias preferenciais que integrarão 66 linhas de ônibus. De acordo com a assessoria, mais de 600 mil usuários serão beneficiados diariamente.

Willer Carvalho, professor do curso de Engenharia de Transportes da UFG vê as intervenções de forma positiva, mas é preciso mais planejamento, em sua opinião. “Esses corredores têm que ter uma ligação para que não sejam individuais. É importante, também, que haja uma expansão desses corredores para que traga uma maior eficiência, e uma oferta maior de viagem aos usuários”, aponta. Carvalho aposta na priorização do transporte como solução para os problemas da capital.

Por outro lado, Marcos Rothen não viu melhorias nos corredores já implantados e acredita que essa não é a solução. “A maneira como foram feitas essas intervenções ainda não trouxe nenhum resultado positivo. Na Rua 10 há dados que apontam que o tempo de viagem aumentou, inclusive”. Segundo Rothen, o problema só vai piorando, o que causa grande transtorno à população.

O professor do IFG não acredita que esse tipo de obra estimulará a sociedade a deixar seu carro em casa. “A população ainda não começou a andar de ônibus e nem vai. Porque o sistema de transporte não oferece qualidade e essas obras só causaram transtorno, principalmente, na Avenida 85, que infernizou a vida de milhares de pessoas todos os dias”, assevera Rothen.

Alternativas urbanas

Para o engenheiro Marcos Rothen, mestre em Transportes, a solução para a questão da mobilidade em Goiânia é o BRT (Bus Rapid Transit), tipo de serviço que se conhece na capital pelo Eixo Anhanguera. “Esse é o melhor exemplo. É rápido e é eficiente. E isso por causa da maneira como as pessoas usam o transporte. O usuário não se preocupa quando perde o carro, pois logo em seguida vem outro atrás”, argumenta.

Neste sentido, o engenheiro Willer Carvalho concorda com o colega, já que ele oferece uma saída do tráfego normal, gerando maior agilidade. “O grande problema que no Eixo-Anhanguera foi a falta de integração ao urbanismo, o que deixou a região segregada da paisagem”, discorre. Fora o problema visual, Carvalho acredita que o BRT é uma boa opção, mesmo tendo um custo mais alto de implantação.

“Num corredor exclusivo, é possível uma melhor observação, além de reduzir a interferência do tráfego nas rotas do transporte”, observa. O docente da UFG, porém, destaca que é importante que se pense na questão semafórica. “Não adianta ter um corredor exclusivo se, a todo momento, o veículo precisa parar no semáforo. Para isso temos a sinalização inteligente. Quando um ônibus se aproxima do semáforo, ele abre automaticamente”, sinaliza.

A arquiteta Erika Kneib também é positiva em relação ao Eixo-Anhanguera. Vê, no entanto, que é necessária uma qualificação do sistema BRT. “Isso, principalmente, com relação ao ambiente urbano, melhorando-se desde a ambiência urbana da via, a infraestrutura, iniciando-se pelas calçadas que levam aos pontos, os abrigos e informação dos pontos, e, principalmente, os terminais”, analisa.

Talvez seja por essa razão que a Prefeitura de Goiânia esteja investindo na construção de outro corredor exclusivo, o BRT-Goiás Norte/Sul. O Município informa, por meio de sua assessoria, que o processo de licitação já foi concluído e a ordem de serviço da obra deve ser assinado em breve. O BRT Goiás Norte-Sul está orçado em R$ 242,4 milhões e vai ligar a região Noroeste à região Sul, atendendo a 148 bairros de Goiânia e Aparecida de Goiânia.

Fonte: Tribuna do Planalto