22 de fevereiro de 2015

VLT confirmado, mas sem prazo


Em uma reunião na manhã de ontem, o governador Marconi Perillo (PSDB) confirmou o prosseguimento do projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para o Eixo Anhanguera, mas agora sem nenhuma previsão para o início das obras, dada a dificuldade de se conseguir as garantias financeiras. A suspensão dos repasses do governo federal aos entes federados no início deste ano fez com que o Estado não tivesse mais certeza de ter o montante de R$ 900 milhões para as obras, já que os recursos viriam do governo federal.

No final de 2014, a previsão era de que a obra tivesse ordem de serviço assinada já a partir de março. Agora, não há qualquer estimativa. Na reunião, o governador rechaçou qualquer hipótese de trocar o projeto atual por outro ou de abandoná-lo e teria dito aos auxiliares que se empenhassem no objetivo de conseguir o financiamento. As articulações serão feitas pelos secretários Vilmar Rocha (Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente) e Ana Carla Abrão (Fazenda), que possuem bom acesso, respectivamente, aos ministros Gilberto Kassab (Cidades) e Joaquim Levy (Fazenda).

A primeira opção do Estado para o financiamento do projeto ainda continua sendo via União, por acreditar que este processo seria mais célere. A outra possibilidade seria a tentativa de um empréstimo internacional. As conversas foram iniciadas com a empresa francesa Alstom e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mas como o processo foi apenas iniciado, o projeto ainda teria de ser analisado e aprovado para depois começar as tratativas financeiras.

Na coluna Giro, na edição de ontem do POPULAR, o presidente da Metrobus, Eduardo Machado, afirmou que a troca do projeto do VLT pela construção de uma modernização do Bus Rapid Transit (BRT) seria uma opção a ser avaliada, dado o problema com o investimento. A opção, no entanto, não foi considerada por Marconi. Segundo Machado, o governador voltou de viagem à Europa convencido de que o VLT é a única opção que soluciona o problema da lotação e confiabilidade do Eixo Anhanguera.

Já o representante do Grupo Executivo do VLT, Ricardo Jayme, afirma que nunca foi cogitada a troca do projeto, que vem sendo estudado e projetado desde 2011. “Isso (troca do projeto) nunca foi cogitado. O Eixo Anhanguera atual não teria espaço para um projeto de BRT, teria de haver desapropriações, inclusive de comércios, o que encareceria ainda mais as obras. Nosso projeto é o VLT e vamos em busca dos recursos para iniciá-lo”, diz. O projeto ainda passa por finalizações, que devem ser apresentadas ao governador no início de março.

Mudanças

Inicialmente, a ideia era que o trânsito no Centro de Goiânia, na região do VLT, fosse impedido para carros, se transformando em uma grande praça aberta. Isso ocorreria para aumentar a velocidade dos trens, já que não haveria cruzamentos. No entanto, houve resistência dos comerciantes, que intercederam junto ao governador e os técnicos passaram a estudar possibilidades. O desejo era pela instalação de dois túneis, um na região de Campinas e outro no Centro. A questão é essas mudanças aumentariam ainda mais os custos da obra.

Jayme confirma que esta possibilidade está descartada, mas que há a necessidade de outras intervenções nessas mesmas regiões. Os técnicos estudam se serão incluídos viadutos ou trincheiras nos trechos. A primeira opção depende da largura das vias, o que seria possível, por exemplo na Praça A, já que a estação de parada vai ser transferida para fora da praça. Já a segunda opção deve ser adotada no Centro, devido a menor largura da via. Em uma comparação, a construção é parecida com o que ocorre hoje na Praça do Ratinho.

Em relação à Praça dos Bandeirantes, ponto no qual o VLT vai cruzar com o projeto do Eixo Leste-Oeste, em que a Prefeitura de Goiânia deve implantar o BRT, a ideia dos técnicos do consórcio formado pela Odebrecht e empresas concessionárias do transporte coletivo da região metropolitana é a criação de uma grande estação, que contemplaria também os ônibus que alimentarão os trens. A estação seria custeada pelo projeto do VLT, sem a participação da Prefeitura.