7 de janeiro de 2015

Wi-Fi livre: difícil de encontrar


O número de locais públicos com internet sem fio gratuita oferecida pela Prefeitura de Goiânia diminuiu de dez para oito nos últimos anos na capital. E os que permaneceram ainda deixam usuários insatisfeitos pela instabilidade ou completa ausência de sinal. Encontrar Wi-Fi livre é tarefa difícil também em cidades do interior do Estado, já que programa que pretende disponibilizar acesso pouco cresceu se comparado à promessa de expansão.

Para o auxiliar de limpeza John Wilker Vieira Ala, de 30 anos, encontrar conexão gratuita significa aliviar os gastos com os dados móveis, economizar créditos do celular e assim facilitar pesquisas, comunicação com amigos e familiares e acesso à informação. Mas ele só fica na vontade. Quando tem intervalo no trabalho e escolhe a Praça Universitária, no Setor Universitário, para descansar, não encontra ali o que placas avisam e há três anos não é entregue: sinal de internet wireless.

“Seria muito bom se realmente tivesse o serviço, no caso da praça, já que ainda é próximo das faculdades”, defende, ao apontar o fluxo de pessoas no local como justificativa para manter ativa a rede de Wi-Fi do projeto Goiânia Digital. Também insatisfeitos seguem os frequentadores da Praça Joaquim Lúcio, em Campinas, que aguardam substituição e configuração do equipamento responsável por distribuir o sinal. “Às vezes tem, às vezes não. Todo mundo usava e perguntam por que não conseguem entrar”, conta a vendedora Vanessa Pereira, de 33 anos.

Instabilidade
Passam apertado também os permissionários do Mercado Popular da Rua 74, que convivem com a instabilidade da internet ofertada pela prefeitura. Na lanchonete, que é também bar à noite, a conexão livre está informada até no cardápio, mas raramente os frequentadores conseguem se conectar. “Falta manutenção e a gente fica até com vergonha. Cadê o Wi-Fi?”, questiona Juarez Santos, de 60 anos, que trabalha com concertos de joias e relógios há 28 anos no local.

Permissionários pensam até em se unir para tornar realmente possível o Wi-Fi gratuito, já que, além dos visitantes cobrarem, eles consideram importante para divulgar o local. A instabilidade também é realidade no Mercado do Setor Pedro Ludovico. O mesmo ocorre com quem passa pelos Parques Vaca Brava e Flamboyant que com sorte pode conseguir conexão. A reportagem encontrou velocidade baixa nos locais e não foi possível carregar nenhuma página na web.

O POPULAR percorreu sete pontos indicados pela prefeitura como locais públicos com Wi-Fi e somente no Mercado Central, da Rua 3, encontrou a rede funcionando e sendo usada por muitas pessoas. Até quem não tem um smartphone sabe informar onde ficam os roteadores, que levam o sinal para todos no espaço. A estudante Isis Lauana da Silva Rodrigues, de 17 anos, comemora e diz que usa para pesquisas da escola e para conferir as redes sociais. E é difícil separá-la do WhatsApp.
“Mas aqui também já faltou alguns dias, mas voltou rápido”, conta ela, que sempre acompanha o pai na loja de concertos de celular. “Quem vem aqui gosta de usar e chama atenção, porque só conheço aqui com Wi-Fi”, afirma o técnico em telefonia Leone da Silva, de 40 anos, ao lembrar que muitas vezes há pessoas que ficam por horas e horas no Mercado para aproveitar a conexão. A reportagem encontrou em teste realizado com o aplicativo EAQ velocidade máxima de download de 519,47 Kbps e 569,17 Kbps de upload no local.

A capital vai ter disponível, a partir de março de 2015, o acesso gratuito à internet também no Aeroporto Santa Genoveva. Essa é a previsão da Infraero, que vai disponibilizar o serviço para outros sete aeroportos do País. O sinal estará liberado na sala de embarque e poderá ser usado por 30 minutos após o preenchimento de cadastro. Período que poderá ser acrescido de 15 minutos, caso o passageiro responda a uma pesquisa feita pela própria Infraero.

Estado

Não é só em Goiânia que são raros os pontos de internet gratuita e até festejados. O POPULAR apurou que 16 municípios do Estado teriam Wi-Fi em fase de testes nos espaços públicos pela iniciativa do programa Goiás Conectado, iniciado em 2011, que tinha como objetivo disponibilizar sinal para 25 espaços em 80 municípios até o segundo semestre de 2014. Uma nova previsão de quando esse número será alcançado não foi informada pelo governo estadual e nem o porquê de a meta não ter sido alcançada até o fechamento desta matéria.

Diferente do que acontece com o Goiânia Digital, o programa do governo estadual não fez licitação apenas das antenas e do serviço de internet, mas as empresas responsáveis terão de fazer a manutenção e garantir o atendimento das pessoas e a velocidade conforme o acordado em licitação, semelhante ao que é praticado em São Paulo. A ideia é que com o avançar do cronograma o serviço também chegue a postos de saúde, Vapt Vupts e outros logradouros com grande circulação de pessoas.

Os usuários que fizerem a conexão com notebooks, smartphones, tablets e outros dispositivos também verão a diferença entre as propostas. Enquanto é livre a rede da capital, no projeto do governo estadual o sistema funcionará com delimitação de tempo por pessoa. No primeiro acesso, será realizado um cadastro para criação de login com senha. O entendimento é da Sectec seria de que muitos municípios não têm condição de viabilizar o serviço e o modelo adotado desobrigaria grandes investimentos.

Dificuldades

O cenário não é diferente da maioria das cidades brasileiras, que mesmo diante da crescente demanda dos cidadãos por conexão livre, ainda se adaptam e governantes esticam cada vez mais o prazo para ampliar redes de Wi-Fi. “A implantação pode até não ser um investimento alto, mas tem de pagar a internet mensalmente e limita, faz com que a iniciativa comece grande e depois termine por não funcionar. É uma decisão de investimento”, explica o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

Tude defende que, por representar um gasto e competir com outros compromissos que uma prefeitura possui, é feito de maneira seletiva e pensando em objetivos sociais ou turísticos. O diretor da Rede Cidade Digital, José Marinho, discorda dessa posição. Para ele, que representa instituição voltada para informar e mapear as iniciativas de todo o País, há interesse em levar o acesso à informação e isso não fica completo sem a disponibilização de internet gratuita.

“O cenário no Brasil é de querer ampliar essa rede, por necessidade de comunicação essa necessidade formou demandas grandes nos próprios municípios, o que pressiona os prefeitos para atender, porque isso faz parte da demanda social.” Para ele a chave é o planejamento para conseguir avançar os projetos. “Tem de saber por que vai implantar. Aplicando em tecnologia, permite que outros setores sejam aprimorados e pode mensurar inclusive a melhoria do serviço prestado ao cidadão, o que não se restringe ao sinal gratuito.”

Prefeitura diz que vandalismo atrapalha

O diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria Municipal de Tecnologia, Ciência e Inovação (Setec), César Augusto de Sousa, explicou que os pontos de Wi-Fi do projeto Goiânia Digital estão desativados há mais de três anos ou com problemas de instabilidade por conta do vandalismo e da demora dos processos de novos pedidos de equipamento. “A previsão é de que até a primeira quinzena de janeiro estejam funcionando.” Ele explica ainda que a Prefeitura de Goiânia considera importante o serviço por fazer parte da inclusão social.

“A gente quer primeiro resolver o problema e fazer funcionar para depois ampliar para outros parques e praças. Mas não é uma prioridade zero, porém não é mais importante que escolas e postos de saúde”, argumenta. Sousa afirma ainda que é uma política pública que facilita o acesso aos serviços da própria gestão e é complementar ao governo eletrônico, por isso deve receber mais atenção.
Wi-Fi livre é oferecido desde 2009 pela prefeitura, que até o ano passado estava presente em dez locais, agora em oito, porém somente em um a reportagem conseguiu conexão. Deixaram de ter acesso Parque do Goiânia 2, Praça da Avenida do Povo e Mercado de Campinas. E o Parque Leolídio di Ramos Caiado entrou na lista da Setec, mas com link ainda instável.

Operadoras planejam investir em hotspots

As operadoras de telefonia também disponibilizam pontos com Wi-Fi para que seus clientes possam navegar com melhor sinal até mesmo conectando outros dispositivos com seu login e senha. E elas planejam investir nos hotspots. Em Goiás, a operadora Oi possui 48.201 pontos instalados e teve expansão de 188,18% este ano em ralação ao ano passado em locais de grande circulação de pessoas, como restaurantes, bares, cafés, hotéis, bancos, shoppings, além de locais públicos abertos e pontos turísticos.

O principal canal de entrada na rede é o aplicativo Oi WiFi. A TIM também oferece a possibilidade de acesso no Aeroporto de Goiânia, com até 54 Mbps, em complemento às redes 3G e 4G da operadora. Já as operadoras Claro e Vivo ainda não oferecem hotspots na capital goiana para seus clientes, que podem aproveitar o recurso em outras cidades do País, também com o objetivo de melhorar a experiência de navegação.

Fonte: Jornal O Popular (Marcos Santos)