7 de janeiro de 2015

Parque Cascavel: Um cartão-postal que cedeu lugar ao mato


Vizinhos e visitantes do Parque Cascavel reclamam do mato alto, da insegurança e da falta de iluminação. Prefeitura promete revitalização do local

A proposta era ser um cartão-postal de Goiânia. Um local onde a população pudesse se divertir nas horas de lazer. Mas o cenário atual do Parque Cascavel, no Jardim Atlântico, é bem diferente do que foi planejado: mato alto, assoreamento do lago, iluminação pública deficiente e falta de segurança.

O motorista João Batista Barros, 51 anos, procura o lugar quase todos os dias para fazer caminhada. Ele lamenta a situação de abandono do local. “Esse parque está sendo vítima de um desleixo.”

R. F., morador da região e que preferiu manter anonimato, disse que ficou surpreso ao encontrar os funcionários da Comurg fazendo a roçagem do mato ontem no parque. O rapaz reclama também da precariedade da iluminação e da falta de patrulhamento dos guardas municipais.

A funcionária pública Cândida Zanotelli, 43, que estava acompanhada pelo filho Gustavo, 4, e do pai, Luís, 65, também lamenta a ausência dos guardas municipais. “Antes eles faziam ronda em toda a extensão do parque, mas agora não os vejo mais aqui.”

A advogada Amanda Fidélis, 23, que mora em um dos edifícios vizinhos, se diz triste pelo que aconteceu ao lago. “Estou decepcionada ao ver todo esse abandono. Isso, inclusive, desvaloriza o valor das moradias”, completa.

Charles L. Paiva dos Santos, síndico de um dos edifícios construídos em frente ao lago do parque, tem a mesma opinião. Ele afirma que quando uma pessoa compra um imóvel, adquire além dele, o setor, a rua, a vizinhança, o transporte. “Você compra todo o urbanismo que envolve aquele imóvel e, aqui, o parque faz parte do pacote que adquiri quando vim morar aqui.”

O síndico destaca que quando comprou o apartamento de 89 m2, há dois anos, pagou R$243.700. “Essa semana, um imóvel aqui no prédio, com a mesma metragem, foi vendido por R$200 mil. O maior fator de desvalorização é o parque, que perdeu muito daquilo que oferecia”, justifica.

Charles aponta outro problema enfrentado por quem mora perto do Cascavel: a falta de iluminação. “Estamos instalando dois holofotes na frente da garagem do nosso edifício para garantir um local mais iluminado”, diz.

Ele ressalta também que registrou pelo menos 15 protocolos de atendimento na prefeitura em 2014. “Eles vêm, trocam as luzes e, passado pouco tempo, elas queimam.”

Ações

O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus), Paulo César Pereira, diz que a prefeitura irá desenvolver várias ações ao longo de 2015 no sentido de revitalizar e recuperar o parque. Segundo ele, as ações envolvem, além da Semdus, a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Secretaria Municipal de Obras (Semob) e Companhia de Urbanização (Comurg).

Pereira informa ainda que a primeira obra de engenharia a ser realizada será uma barragem de represamento. “Essa obra vai diminuir a velocidade da água que desce da nascente do Córrego Cascavel e vai impedir novos assoreamentos do lago, que está logo abaixo”.

Segundo o secretário, outra obra que será realizada será a recuperação das duas tubulações de maior descarga do parque, que foram danificadas com o tempo.

O secretário declarou também que a prefeitura fará a recuperação do talude na Rua do Siri, destruído por uma erosão causada pela chuva. De acordo com Pereira, o início das obras está previsto para o mês que vem. “A expectativa era começar agora em janeiro, mas devido a alguns procedimentos administrativos, tivemos que adiar para fevereiro”, acrescenta.

Conforme ele, concluídas as obras de engenharia, terá início o processo de limpeza do lago. Em relação à iluminação pública, o secretário garante que haverá mudanças, mas ainda sem data definida para serem iniciadas.

A reportagem de O HOJE tentou contato com a Guarda Municipal de Goiânia para questionar sobre a ausência dos agentes no parque, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Fonte: Jornal O Hoje (Cynthia Costa)