6 de janeiro de 2015

O governo de Paulo Garcia acabou. Ou não?


Não, o governo do petista Paulo Garcia não acabou, como pôde ser visto na quinta-feira, 18, quando ele entregou nada menos que dez unidades educacionais para atender a 4.720 educandos de diversas regiões da cidade. E é um alívio para os goianienses que o governo municipal esteja respirando, ou seja, fazendo o que lhe cabe fazer.

Mas muita gente deu como acabado em termos políticos o governo garcista com a derrota na votação do IPTU-ITU na sexta-feira, 19, que sacramentou o rol de reveses que o prefeito vem colecionando desde que assumiu em definitivo a cadeira que ocupava como herdeiro de Iris Rezende (PMDB). Ao se confirmar a derrota anunciada, houve quem dissesse: acabou o governo de Paulo Garcia, que agora terá de se limitar a gerenciar a folha de pagamento, o que já é um baita problema, visto que a máquina pública municipal está inchada e praticamente inoperante.

Já ficou repetitivo falar dos problemas que a administração municipal goianiense vem enfrentando desde que o petista tomou assento definitivo na cadeira de alcaide: recolhimento deficiente do lixo, escândalos na Comurg, postos de saúde sem médicos, ruas esburacadas, iluminação pública apagada, greves, desarticulação política, deserção de aliados tradicionais, inchaço da máquina, etc., etc., etc.

A população sente os problemas e se manifesta sobre eles. Há poucos dias, divulgou-se uma pesquisa do Grupom, mostrando que 85,2% dos goianienses têm avaliação negativa sobre a administração municipal. É difícil contra-argumentar números.

Listar os problemas da administração Paulo Garcia começa a ficar enfadonho, embora o trabalho da imprensa seja mesmo bater e rebater nessa tecla para que as soluções sejam buscadas. Para piorar, Paulo Garcia é um homem meio “turrão”, e dificilmente admite que esteja errado, preferindo jogar na oposição a culpa pelos maus passos de sua gestão.

Paulo herdou sérios problemas de seu “pai” político, Iris Rezende (PMDB). Mas não pode dizer isso com todos os efes e erres. Não diz por lealdade e por saber que se dissesse abriria uma frente de guerra que talvez pioraria ainda mais as coisas. O desastre político e administrativo em Goiânia não é obra apenas de Paulo Garcia, e sim do consórcio PT-PMDB.

Mas se ele não é culpado sozinho pela situação, fez e faz por onde complicar ainda mais o cenário. Um exemplo: Paulo não tinha nada que abrir confronto com o governador Marconi Perillo (PSDB), no início de seu governo. Perdeu boas oportunidades de fazer parcerias importantes com o governo estadual.

Paulo é um homem inteligente, mas, certamente mal aconselhado, não introjetou a máxima de que governo não briga com governo. Ele brigou com Marconi. E foi uma briga estranha, surreal, em que o governador não fez nada e só ficou vendo o “adversário” enrolar-se nas próprias pernas, sozinho, e ir às cordas.

Paulo perdeu e, pior, deu munição para que os aliados do tucano atacassem a pífia gestão PT-PMDB em Goiânia, na campanha ao governo estadual. O que serviu para minar o parceiro de Paulo, Iris Rezende. Não custa lembrar, a vantagem de Iris sobre Marconi na capital diminuiu em relação ao pleito de 2010.

E, aliás, a maior causa da ridícula votação que o petista Antônio Gomide obteve em Goiânia, menos de 36 mil votos (pouco mais de 5%), foi a “vitrine” petista negativa de Paulo Garcia.
Repita-se, o prefeito vem colecionando derrotas. A mais recente, a derrocada do aumento exagerado do IPTU-ITU, com o que ele esperava encher as burras de dinheiro para transformar Goiânia num canteiro de obras. Lembrando que no início, o aumento cogitado chegaria a 80%, caiu depois para 50%, falou-se em 30%, depois 25%. Para finalmente ficar na mera reposição da inflação, por volta dos 7%.

Mas a derrota no imposto já veio na balada da derrota na disputa pelo comando da Câmara de Vereadores. Pra piorar, a cadeira de presidente vai ficar com o PSDB, que parece causar urticária em Paulo. Sorte do prefeito que Anselmo Pereira é um político comedido e não parece particularmente interessado em espezinhar o Paço.

Mas, o que se pergunta é se Paulo Garcia terá condições de recuperar sua gestão. Lembrando que ele tem o ano de 2015 para dar a volta por cima. Não terá dinheiro sobrando para isso. A prefeitura arca com uma dívida que beira 1 bilhão de reais. E o prefeito não deve esperar muita coisa do governo federal petista, que também está mal das pernas graças a uma desastrosa condução da economia e aos ventos nada refrescantes que se anunciam no cenário internacional.

Pra piorar, a equipe de Paulo Garcia, salvo honrosas exceções, é muito fraca. E esse time fraco tem sido comandado de forma tíbia até agora. O que se tem visto é que Paulo perde energia com coisas que não deveriam ocupar sua cabeça.

Mas voltemos à questão de fundo: dará tempo para o petista virar o jogo? Ou ao menos empatar?

Um ano é pouco, mas sim, pode dar tempo. Evidentemente que Paulo precisa começar a trabalhar o quanto antes. E pôr sua equipe para trabalhar mais e melhor.

Na véspera do duro revés no IPTU, um alento para Paulo Garcia foi a entregadas das dez novas unidades educacionais. Após as duas derrotas acachapantes — perda do comando da Câmara e correção do IPTU só pela inflação —, o petista terá ânimo para reconstruir a sua história? Um ano será suficiente?

Essas são as dúvidas.

Fonte: Jornal Opção