25 de janeiro de 2015

Novo nicho de mercado surge em Goiânia, são os Food Trucks


Food trucks em alta

Tendência pós-crise econômica americana e europeia é hoje febre em vários países. No Brasil, os food trucks estão, ao poucos, ganhando mais espaço.

O desfecho para o negocio de Food trucks, se deu após a crise econômica de 2008 nos EUA e Europa promoveu uma tendência gastronômica mundial que, pelo visto, veio pra ficar.  Trata-se de caminhões estilizados transformados em restaurantes itinerantes. Modelo enxuto e que requer baixo investimento, logo se tornou opção ideal de negócio para aqueles que, na época, precisavam de novas alternativas para manter a renda, enquanto, do outro lado, os consumidores buscavam lugares mais baratos pra comer, já que na época a crise inflou os preços dos cardápios de restaurantes.

O conceito é de uma gastronomia variada, os food trucks servem desde lanches mais comuns até pratos de culinária internacional, com leve ‘toque’ gourmet e preços mais acessíveis (entre R$ 15 e R$ 20), como explica o empresário Reinaldo Zanon: “São pratos vendidos na rua, mas com qualidade e higiene, características que mudam a relação do público com a comida e com o espaço público,”. Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro já têm realizado feiras de food trucks, sendo que a primeira regulamentou a alguns meses lei que favorece o comércio gastronômico de rua.
A empresa Bacaardi, tem o seu Drink Truck, suas ultimas ações aconteceram no estado de São Paulo (Capital e Interior). O veículo circulou nas mais badaladas feirinhas gastronômicas de são Paulo como a Butantan Food Park, na Panela de Rua, na Le Chef a Pé, Moema Food Trucks e na Feirinha Gastronômica do Jardim das Perdizes. A estimativa da Bacardi é de que 20 a 30 mil pessoas visualizaram a ação “Combine que Combina” no período e locais de ativação da campanha.

Nova atração para eventos

Em Goiânia, ainda ha poucos investidores que já atuam com seus Food Trucks. De acordo com a produtora de eventos Yara Godoy, não foi uma tarefa fácil encontra-los, em um evento realizado na capital, o Food Truck Park Gyn, durante tres dias deste mês, ela buscou por estes profissionais, mas maioria vieram de Brasília para atendê-la. “Conseguimos dez Food Trucks, dois deles daqui de Goiânia, e oito de Brasília. Vendemos quase seis mil ingressos para o evento, superando nossas expectativas de público”, ressalta.

Yara é da Lya Produções e Eventos, que tem planos de repetir a atração pelo menos uma vez por mês, após o sucesso da primeira edição. “Os ingressos custavam cinco reais, sendo que parte da arrecadação foi revertida para o CEVAN, durante os três dias, tivemos o revezamento de atrações como música ao vivo e Dj”, explica a produtora. Além disso, Yara lembra que também foi disponibilizado um espaço para as crianças durante todos os dias. O Food Truck Park Gyn aconteceu em dois locais, nos dias 15 e 16 de janeiro na Praça do Sol, no setor Oeste, e dia 17 no Centro Cultural Oscar Niemeyer

Bom investimento

Segundo o Ibope Inteligência, alimentação fora de casa movimentou R$ 140 bilhões este ano. O mercado em alta tem promovido o interesse de empresários do segmento de gastronomia. Reinaldo Zanon e seu sócio, Leonardo Cannizza, em outubro, adotaram formato de franquia food truck para o Los Cabrones e a Franquia da Pizza. O primeiro trata-se de um restaurante de comida mexicana. Já o segundo comercializa pizzas pré-assadas, no qual o cliente escolhe o recheio da pizza e leva para assar em casa. Dois meses depois, cinco franquias de cada uma já haviam sido comercializadas dentro e fora de São Paulo. “Nosso objetivo é atingir a marca de 30 até março de 2015,” comenta o empresário.

O investimento inicial dos food trucks do Los Cabrones e da Franquia da Pizza é de aproximadamente R$ 67 mil, valor que, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), caracteriza as marcas como microfranquias. “O faturamento pode chegar a R$ 45 mil mensais, com lucro líquido de 20% a 35%”, comenta. “Custa menos do que manter um restaurante e ainda existe possibilidade de uma maior aproximação do dono do negócio com seus consumidores,” complementa.

Goiás já tem seus primeiros Food Trukcs

Apesar de ainda ser um nicho de mercado muito pequeno na capital goiana, os Food Truccks começam a surgir por aqui. Além da feira Food Truck Park Gyn, alguns proprietarios desse tipo de negocio já estão se organizando com o intuito de abrir o mercado e facilitar seu trabalho em Goiânia, no sentido burocratico e legal.

Daniel Martins Dias, também conhecido como Daniel San, vende yakisoba em um trailer. Ele começou o negócio a cerca de dois meses e afirmou já ter notado retorno financeiro consideravel. “Eu já trabalho com a venda de yakisoba na feira da lua há três anos, e muitos clientes reclamavam por eu estar ali só aos sábados, foi quando decidi abrir meu Food Truck. Tenho notado um lucro considerável até o momento, estou buscando algumas licenças da prefeitura e Vigilância Sanitária, para conseguir trabalhar mais tranquilamente”, ressalta o empresário.

Por enquanto as vendas só ocorrem em feiras e locais autorizados, mas a intenção de Daniel e outros proprietários de Food Trucks da capital é lutar para conseguirem autorização para poderem trabalhar com um pouco mais de liberdade em vários pontos. “Queremos fazer feiras mensais por exemplo em locais onde ha feiras livres, no entanto durante os dias em que elas não ocorrem”, explica.

Daniel conta que o Food Truck tem várias vantagens, sendo a principal sua praticidade. “Temos aqui uma cozinha industrial compacta, onde tenho tudo que preciso ao meu lado. Além disso, não levo horas montando barracas mesas e iluminação, por que tudo já está pronto. É então chegar no local e vender, bem mais fácil”, ressalta. Ele analisa que hoje, em Goiânia ainda há poucas pessoas trabalhando com Food Truck, cerca de cinco apenas, no entanto é um mercado que tende há atrair cada dia mais pessoas.

O casal Carla Maria Olivencia e Alyson Santos, residiram durante 13 anos nos EUA, durante essa estadia Alyson trabalhou por sete anos em uma empresa de sanduiches philly cheese steak. Após o retorno ao Brasil, e tentarem trabalhar em empresas convencionais como empregados, decidiram que queriam um estilo de vida que pudesse promover mais liberdade a eles, ou flexibilidade de dias e horários. A partir daí começaram a pesquisar sobre os Food Trucks. “Após cerca de oito meses de pesquisa, criação e patente da logo, nós começamos o negócio. Como já tínhamos experiência com os sanduiches philly cheese steak, optamos por ser esse nosso produto”, explica Carla.

Apesar de ter começado os trabalhos a menos de um mês o casal já vê retorno financeiro, e esperar reaver o investimento feito em média dois anos. “Nós compramos um lote na cidade de Pirenópolis, nos mudamos pra cá, pretendo trabalhar com o Food Truck vendendo para a população local, com folga as quartas-feiras”, explica à empresária. Ela lembra que outro ponto positivo da cidade são os eventos que ocorrem, mas ela também tem planos de viajar pelo país vendendo os sanduiches. “Acho que quem trabalha nesse segmento leva isso como um estilo de vida, todos com quem já conversei enxergam dessa maneira e é uma classe bem unida”, relata.

Fonte: DM (Da editoria de Economia Nayara Reis)