12 de janeiro de 2015

Macambira-Anicuns: Nova onda de urbanização



Construção do novo parque ambiental levou setor imobiliário a investir em condomínios na região

A construção do Parque Urbano Ambiental Macambira-Anicuns (Puama) está apenas no início, mas já alavancou uma nova onda de urbanização e verticalização nas Regiões Sudoeste e Oeste de Goiânia. Anunciado em 2003, o projeto enfrentou dificuldades de sair do papel nos últimos 11 anos. Mas o mercado imobiliário se adiantou e mudou a paisagem e o perfil dos setores que compõem a faixa inicial do projeto, com bairros planejados, parques e centros comerciais.

Entre 2009 e 2013, construtoras lançaram na região de influência do Puama (setores iniciais), 3.524 apartamentos, divididos em 11 prédios nos Bairros Faiçalville, Fazenda Santa Rita (ao lado do condomínio horizontal Granville), Celina Park e Parque Oeste Industrial. Nos anos de 2013 e 2014, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semdus) recebeu pedidos de análises de projetos para 16 novos empreendimentos residenciais de grande porte nos mesmos setores. Mas a intenção das empresas para os próximos anos é adensar ainda mais a região.

Ponto inicial do Puama, o Setor Faiçalville foi cercado pelo bairro planejado Novo Atlântico. Diretor de incorporação da EBM Desenvolvimento Imobiliário, Fernando Razuk diz que o projeto, erguido em uma área de mais de 60 mil metros quadrados, entregou o primeiro condomínio no fim de 2014, com previsão de fazer seis lançamentos para os próximos anos, dois deles em 2015.

Vídeos publicitários postados pela Construtora EBM, responsável pelo empreendimento, na internet, anunciam a qualidade de vida como diferencial do local diz: “Você vai estar do lado do Parque Macambira-Anicuns, o maior parque linear do mundo”. Razuk admite que o projeto do Puama contribuiu para a decisão da empresa de investir na região.

“Temos experiências com os Parques Vaca Brava e Flamboyant. Sabemos que empreendimentos em torno dessas áreas valorizam de 20% a 30% acima da valorização da cidade. É o que todo mundo quer, no fim de semana poder descer o elevador, usar uma praça ou ir para o parque, porque melhora a qualidade de vida”, explica.

O projeto inicial do Macambira-Anicuns divide a obra em 11 setores (trechos). Após a desistência da Emsa, primeira construtora contratada para construir o parque, seguida de uma disputa judicial, o Consórcio Construtor Puama venceu a concorrência pública para implantar os três primeiros trechos do programa. O Faiçalville está situado no setor 1, tendo ganhado duas novas ruas que ampliaram a malha viária.

NASCENTES

Bairro que abriga as nascentes do Córrego Macambira, agora o Faiçalville deverá dividir com o Novo Atlântico o Parque Ambiental Macambira (PAM), ponto de partida do Puama e que contará com núcleos socioambientais, área de recreação infantil, anfiteatro aberto, pista de caminhada e ciclovia.

 As obras foram retomadas em setembro de 2014 e devem ser entregues até setembro de 2016.
Mas antes mesmo da instalação dos equipamentos públicos previstos para o local a construtora EBM construiu uma praça para o lazer dos moradores dos futuros empreendimentos. A empresa também ergueu um centro comercial no local, antes desprovido de serviços.

Empreendimentos verticais de grande porte de diversas construtoras como Borges Landeiro, EBM e Brookfield estão previstos ao longo dos setores 1 e 3 do Puama, que compreende a faixa do Córrego Macambira entre o Faiçalville e o Setor Celina Park. A primeira etapa da obra deverá terminar na Avenida Milão. Mas desde março de 2012, a área onde termina o terceiro trecho do Puama, na divisa do Setor Novo Horizonte com Celina Park, já abriga uma ampla área ambiental e de lazer. É o Parque Municipal Bernardo Élis, feito pela Toctao Rossi por meio de parceria público-privada, por conta da construção de prédios residenciais às margens do curso d’água.

Moradores da Alameda Santa Rita, no Setor Novo Horizonte, que deverão ter as casas derrubadas para dar lugar ao parque linear, reclamam de especulação imobiliária. “Quero ver se vão lá derrubar o prédio também. Ele foi construído a 28 metros do córrego, o que ilegal. Querem tirar a gente daqui para construir edifícios”, disse um morador que preferiu não se identificar.

O coordenador executivo do Puama, Nelcivone Melo, nega que as desocupações poderão dar lugar a novos prédios. Disse também que o residencial citado pelo morador está construído há 30 metros da margem do curso d’água, o que era permitido pela legislação da época.

Área é a de maior adensamento

O maior adensamento previsto na região inicial do Programa Urbano Ambiental Macambira-Anicuns (Puama) está sendo erguido na área onde ocorreu o maior conflito por posse de terra na capital: a desocupação do Parque Oeste Industrial, em 2005. Trata-se do Eldorado Parque, do pelo mesmo grupo que criou o Residencial Eldorado (Tropical Urbanismo e Incorporação, CMO, Dinâmica Engenharia e Engel Engenharia e Construção).

De acordo com o diretor da Tropical Urbanismo e Incorporações, Paulo Roberto da Costa, a área de 163 mil metros quadrados da desocupação dará lugar a 25 condomínios (com uma média de 3 torres de 18 andares, cada), para 6 mil famílias. Sserá construído um shopping, na Avenida Pedro Ludovico, e um parque ambiental de 100 mil metros quadrados para preservar nascentes do Córrego Buritis, um braço do Córrego Macambira.

Além de ter sido uma exigência do Ministério Público do Estado de Goiás para a Prefeitura e a proprietária do terreno, Anália Ferreira, a área de preservação no Parque Oeste Industrial é uma compensação do grupo empreendedor por conta verticalização do setor. “O plano diretor permite a verticalização da região, mas quando vamos verticalizar, pagamos a licença onerosa. O parque é uma forma de pagamento da licença onerosa”, explicou Costa.

A reserva ambiental será construída em quadras doadas por Anália e parte de um terreno da Prefeitura. Situado entre as Ruas do Café, Crisântemo e das Magnólias, ele receberá o nome do falecido marido da proprietária da área: Parque Sebastião Júlio de Aguiar. O restante do terreno foi negociado pela proprietária com o grupo de construtoras.

As nascentes constam no projeto inicial do Puama, mas o Parque Oeste Industrial está no setor 5 do programa, fora dos trechos licitados inicialmente – setores 1 a 3. O novo parque não chega às margens do Macambira. Para integrá-lo ao restante do projeto, a Prefeitura deverá desapropriar imóveis e não há previsão de a obra chegar até esse ponto na gestão do prefeito Paulo Garcia.

Além da urbanização do parque até a Avenida Milão, a licitação do Puama incluiu a construção de duas travessias sobre o Córrego Macambira no setor 5, o que vai diminuir o impacto de trânsito na região. São as travessias das Avenidas Egerineu Teixeira e Joaquim Pedro Dias, que só devem ficar prontas em meados de 2016.

Empreendimentos são destinados à classe média

A verticalização em torno dos parques não é novidade em Goiânia, assim como a antecipação das construtoras. Mas, diferentemente dos prédios de luxo erguidos nos arredores do Lago das Rosas, Parque Vaca Brava, Flamboyant e as mais recentes obras de frente para o Parque Areião, os chamados empreendimentos de alto padrão, os residenciais projetados ao longo do Programa Urbano Ambiental Macambira-Anicuns (Puama) são, até o momento, de padrão econômico, destinados à classe média.

De acordo com empresários, a distância dos bairros onde estão as nascentes do Macambira com os setores centrais, por si só, contribui para definir o perfil econômico. As construtoras também estão de olho nos recursos da faixa superior do programa Minha Casa Minha Vida, que contempla pessoas com renda de 6 a 10 salários mínimos. “Nada impede que isso (perfil) mude no futuro”, disse o diretor da Tropical Urbanismo e Incorporações, Paulo Roberto da Costa.

Fonte: Jornal O Popular