19 de janeiro de 2015

Goiânia: Crescimento 101ª mais promissora do mundo


Estudo internacional também apontou Goiânia como a quinta que mais deve crescer em todo o Brasil

Goiânia é a 101ª cidade do mundo com maior velocidade de crescimento populacional. A avaliação é do City Mayors, centro de estudos internacional dedicado a temas urbanos, que aponta ainda que a capital goiana está entre as cinco cidades brasileiras que mais devem crescer até o ano de 2020. Entre as latinoamericanas, Goiânia fica na 14ª posição. O fluxo de migração é apontado por entidades e especialistas como principal motivo pelo crescimento acentuado.

Para chegar a esse resultado, o estudo da City Mayors avaliou o crescimento médio das cidades analisadas, cruzando os dados com as especificidades sociais e geoeconômicas. A entidade atribuiu porcentagem que avalia o crescimento médio anual, com projeção até 2020. Assim, a cidade que mais cresce no mundo é a chinesa Beihai, com 10,58%. Enquanto Toluca, no México, é a primeira latinoamericana e aparece em 11º lugar, com taxa de 4,25%.

A taxa de crescimento de Goiânia fica em 2,40%, bem próximo dos 2,41% de Cartum, no Sudão, e dos 2,42% de San José, na Costa Rica, e de Aleppo, na Síria. Brasília aparece em primeiro lugar no Brasil, com taxa de crescimento de 2,99% (na 48ª colocação no ranking mundial). Seguida por Manaus (2,83% e 62º no ranking), Belém (2,79%, 66ª posição) e Maceió (2,75%, 71ª no ranking mundial). Apenas Las Vegas, Austin e Atlanta, todas nos Estados Unidos, são as de primeiro mundo que aparecem entre as 100 primeiras.

Um dos pontos levantados pela entidade é que o crescimento das populações urbanas leva à criação de ‘supercidades’. Estas áreas urbanas têm em comum o fato de os núcleos originais das cidades tornarem-se parte de uma aglomeração que acaba criando ou agregando cidades vizinhas, novos subúrbios ou cidades-dormitório. Esse parece ser os casos de Goiânia e de Brasília que, segundo estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba por influenciar nos números populacionais do Estado de Goiás como um todo.

MIGRAÇÃO



O gerente de estudos socioeconômicos do Instituto Mauro Borges (IMB), Marcos Arriel, aponta que esse fluxo migratório influencia diretamente o aumento populacional no Estado. Duas capitais muito próximas, como é o caso de Brasília e Goiânia, com indicadores econômicos acima da média nacional, atraíram grande número de migrantes nas últimas décadas, o que impulsionou o crescimento das cidades. Segundo o IMB, somente a região metropolitana de Goiânia gerou 37% do Produto Interno Bruto de todo o Estado.

Dados lançados ainda em setembro do ano passado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do IBGE, mostram que Goiás é a terceira unidade da federação que tem mais migrantes em números absolutos no País. Só perde para São Paulo, que tem 10,496 milhões de residentes não nascidos no Estado (24% da população) e Rio de Janeiro, com 2,465 milhões de pessoas (15%). São 1,89 milhão de pessoas de outros Estados vivendo atualmente por aqui. No total, 29,3% da população residente não nasceu em Goiás.

A busca por serviços e atração de mão de obra são apontadas por Arriel como os grande responsáveis pelo crescimento. Goiânia, como maior cidade e diversidade de serviços nas áreas de Educação, Saúde e Agricultura, acaba atraindo população de Estados próximos. “A capital goiana atrai executivos e mão de obra menos qualificada. Tanto pela pujança econômica, quanto pela disponibilidade desses serviços, o que acaba gerando crescimento acima da média”, avalia.

Indicadores trazem risco de aumento da desigualdade social

A atração de migrantes pelos indicadores econômicos cria uma pressão por serviços, o que pode aumentar ainda mais a desigualdade social em Goiânia e região metropolitana. A avaliação é do professor associado do departamento de Geografia da Universidade Federal de Goiás (UFG), Tadeu Alencar Arrais. Ele afirma que o aumento da população é motivada pela migração que, por sua vez, é atraída, tradicionalmente, pelo trabalho. O que significa uma maior demanda por habitação, emprego, serviços públicos e infraestrutura urbana.

Arrais identifica que, historicamente, essa demanda tem produzido muitos desafios para o poder público. O déficit habitacional seria o principal deles. Para acomodar essa população que chega, o poder público cria programas habitacionais distantes dos locais de trabalho, o que cria outros problemas. “Essa situação agrava, por exemplo, o problema da mobilidade, já que a distância entre moradia e trabalho implica em custos financeiros cotidianos para quem se desloca, além de aumentar os problemas relacionados à mobilidade”, diz.

Assim, avalia Arrais, o crescimento é acompanhado, igualmente, da ampliação das desigualdades sociais e da progressiva fragmentação do espaço urbano. Estudo divulgado em agosto de 2012 pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) colocou Goiânia no topo do ranking das cidades mais desiguais da América Latina. No estudo, a capital aparece com Índice de Gini, que avalia a desigualdade, igual a 0,65, considerado extremamente elevado.

Busca por oportunidades é um forte atrativo

Nas últimas décadas, Goiânia parece ter mesmo se tornado a terra prometida para quem busca oportunidades. Se, no passado, a grande oferta de empregos na capital era o maior atrativo, Educação, Saúde e qualidade de vida vieram se somar para atração de novos migrantes. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mineiros ainda são os residentes não nascidos no Estado em maior número, seguido capixabas e brasilienses. Maranhenses e tocantinenses estão cada vez mais comuns por aqui.

A operadora de caixa de um grande supermercado, Cibele Ribeiro Gonçalves, de 27 anos, escolheu deixar a cidade de Imperatriz (MA), para buscar novas oportunidades. Veio para Goiânia ainda em 2011 com os pais e os irmãos em busca de emprego. No começo, estranhou o clima e a diferença de alimentação, mas diz ter se adaptado. “A cidade é bonita e temos facilidades para conseguir médico e emprego”, afirma.

A facilidade para conseguir serviços é um grande atrativo. No ano passado, 1.382 migrantes passaram pela casa de acolhida da Secretaria Municipal de Assistência Social. Destes, a maioria veio das Regiões Nordeste e Norte do País, principalmente em busca de documentação ou tratamento de saúde.

É o caso de José Valdir Klein, de 65. Nascido em Jaraguá do Sul (SC), veio para Goiânia buscar documentação para conseguir se aposentar. Na Região Sul não conseguiu facilidade para dar entrada nos documentos, assim partiu para a capital goiana, mesmo sem conhecer ninguém. Soube que era um bom lugar para conseguir seu objetivo. “Aqui consegui abrigo e um advogado que cuida do que preciso”, afirma.

Aparecida cresce mais que a capital

Apesar de Goiânia aparecer entre as cidades com maior potencial de crescimento do mundo, é Aparecida de Goiânia que acaba acolhendo o maior número de pessoas. Segundo o Instituto Mauro Borges, a cidade cresceu anualmente 2% na última década. A taxa de crescimento do Estado foi de 1,7% – a região metropolitana cresceu 1,9%.

Números que confirmam a tendência apontada pelo City Mayors de criação de supercidades e cidades-dormitório. O professor do Departamento de Geografia, da Universidade Federal de Goiás, Tadeu Arrais afirma que os dados dos organismos internacionais consideram a região metropolitana como toda e não apenas os municípios de forma isolada, o que amortiza o impacto do crescimento para só uma cidade.

Fonte: Jornal O Popular (Eduardo Pinheiro)