16 de novembro de 2014

Recuperação do Cerrado


Uma série de pesquisas da Emater está em andamento na UFG, de onde se espera resultados que devem aumentar a renda dos produtores de frutas nativas do Cerrado.

A multiplicação das mudas de pequi, das quais cinco variedades sem espinhos nos caroços e do tipo anão, constitui um trabalho do qual se entrega de corpo e alma Elainy Pereira, engenheira agrônoma da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). Uma verdadeira coleção biológica é encontrada no pomar no Centro de Treinamento da instituição, no Campus 2 da Universidade Federal de Goiás.

É o local onde uma série de pesquisas está em andamento e de onde se espera resultados que tornarão os produtores de frutas nativas do Cerrado mais positivos no sentido da renda. Além do pequi, que desperta mais atenção em decorrência das inovações científicas, a pesquisadora e extensionista dá atenção de mãe coruja ao cajuzinho, araticum, murici, mangaba, entre outros frutos. São mais de duas mil mudas no viveiro, formando um bosque que compõe o sistema florestal. A construção desse viveiro começou há cinco anos.

Como se trata de uma área invejável em Goiânia, Elainy sabe que o pequizeiro é uma árvore protegida por lei, que impede o seu corte e comercialização em todo o território nacional. O pequizeiro é uma árvore símbolo do Cerrado brasileiro e como as demais fruteiras nativas, já motiva a defesa por parte da sociedade.  E o pequi culmina por ser a estrela principal em seu caminho. Ela busca qualquer variedade diferente em qualquer parte do País e lamenta que o "pequi sofra tanto com a devastação".

A extensionista-pesquisadora manifesta satisfação pelo comportamento da Emater em promover o resgate do pequizeiro e demais fruteiras do Cerrado e "melhor ainda, manter vivo o seu germoplasma". O pequi anão, a se confirmar as suas previsões, ocupará espaço nos jardins. Quando maduro, ainda, poderá ser degustado no rico cardápio goiano do arroz com pequi, frango com pequi e outras receitas da culinária local.

No pomar que cuida com todo zelo, há pequizeiro com 12 frutos numa única penca. A colheita já é feita depois de plantadas as mudas em um curto período de dois anos e meio. No campo, a coleta se dá depois de sete anos. Há, também, os enxertos. "Quando enxertadas, as árvores iniciam a floração de forma precoce e iniciam a produção de frutos a partir de dois anos de idade", ensina. E culmina: "Com isso, o produtor se sente empolgado porque o pequi produz mais cedo", afirma a pesquisadora.

O pequi sem espinho chegou ao conhecimento da Emater, em Goiânia, de uma maneira curiosa. Um produtor comunicou a existência de um pequi sem espinhos em sua propriedade. Mas, não conseguia fazer mudas e demonstrava preocupação porque o local em que se situava a árvore sofrera com o fogo algumas vezes. Então, o produtor doou sementes e ramos para enxertia, propiciando a produção de mudas e o plantio no campo. Este fato aconteceu em 2008 e a partir desse momento Elainy não teve mais descanso. Típico comportamento da pesquisadora, aquela pessoa que entrega a vida uma causa – ou o autêntico sacerdócio.

"Quando enxertadas, as árvores iniciam a floração de forma precoce e começam a produção de frutos a partir de dois anos de idade”

Elainy Pereira,engenheira agrônoma

Fonte: DM (Diário da Manhã)