21 de novembro de 2014

Efeito estufa: Poluição avança 7% em Goiás




Maior uso de gasolina e aumento da frota são apontados como principais causas de índice

Goiás é o oitavo na lista dos Estados que mais aumentaram o volume de emissão gases de efeito estufa em todo Brasil, segundo o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg). Os principais setores que ampliaram a estatística da poluição foram os de energia e de resíduos. O dado, segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, é preocupante. “Estados e municípios precisam estabelecer metas de redução. Do ponto de vista do clima, temos muito com que nos preocupar”, disse.

Considerando apenas os Estados que apresentaram aumento de emissão por conta do setor de energia, Goiás ficou em terceiro lugar, atrás apenas do Maranhão e do Ceará. O dado não quer dizer que esses Estados foram os que mais poluíram, mas foram os que tiveram maior crescimento nesse quesito. Uma das razões, segundo o estudo, pode estar relacionada com o aumento do uso da gasolina, que teve os preços com poucas variações por períodos entre 2010 e 2013 e incentivou a opção por esse combustível.

Rittl explica que conhecer a trajetória das emissões em cada Estado é importante para que sejam criadas estratégias de redução. Em Goiás, assim como no Brasil, o setor de energia foi o que apresentou maiores aumentos. Entre as causas, pode-se citar a ampliação da frota de veículos. Em Goiás, a quantidade de carros já é mais que a metade do número de habitantes. O último dado do Detran de Goiás mostra que já são mais de 3,4 milhões de veículos regulares para uma população de 6,5 milhões.

O secretário-executivo do Observatório acrescenta ainda que o aumento do consumo de energia elétrica, aliado à redução dos índices dos reservatórios de abastecimento das cidades, empurraram os Estados a buscarem outras fontes de energia. No caso, a escolha pelas termelétricas ampliou ainda mais a emissão desses gases para a atmosfera. Uma termelétrica instalada em Aparecida de Goiânia, por exemplo, vem funcionando a pleno vapor desde maio. A sugestão do estudioso do clima seriam fontes limpas, como eólica e solar. “É preciso discutir isso agora para, quem sabe, ainda encontrarmos alternativas.”

Engenheiro florestal e diretor do Observatório do Clima, Tasso Azevedo explica que, como as pessoas deixaram de usar o álcool, a emissão foi superior ao esperado nesse período e isso fez aumentar as emissões dos automóveis, por exemplo. Em Goiás, logo depois do setor de energia, os gases emitidos por resíduos aparecem como o segundo maior gerador de gases de efeito estufa. Esse dado teve aumento de 10% em relação ao ano de 2012. A causa pode estar ligada ao aumento do consumo de produtos em geral o que, consequentemente, aumenta a geração de resíduos, além da falta de tratamento adequado em aterros sanitários, com a permanência dos lixões.

O levantamento aponta também que a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira caiu de 48% para 41% desde 2008. Assim, o que se vê é o aumento das emissões por queima de combustíveis fósseis, que na visão do engenheiro, tende a se intensificar como reflexo do maciço investimento em energias fósseis.

LIMITES

O secretário-geral do Observatório do Clima explica que as emissões per capita - calculadas em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) - de gases vinham caindo desde 2004, mas voltaram a crescer em 2013. O tCO2e é uma medida que segue padrão mundial estipulado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), órgão para assuntos de mudanças climáticos da Organização das Naçoes Unidas (ONU).

A média aceitável no mundo é de cerca de 7 tCO2e/hab. Em 2004, essa média chegou a 16,4 tCO2e/hab. As causas desse pico são atribuídas especialmente às altas taxas de desmatamento na época. Em Goiás, o cálculo de 2013, considerando levantamento em 91% do Estado chega a 10,8 tCO2e/hab. Segundo Carlos Rittl, o número pode ser maior, já que o Estado não possui base de dados para que toda emissão seja calculada.

CRÍTICA

O crescimento de emissões no ano de 2013 é observado por Carlos Rittl como injustificado do ponto de vista econômico. Ele comenta que nesse período, o Brasil não apresentou crescimento da economia, nem picos da atividade industrial. “Por isso temos nos preocupado, porque além de gerar gases que impactam diretamente no clima, estamos consumindo mais energia, desmatando mais e isso não tem se refletido na economia como justificativa.”

Em primeiro lugar na lista dos maiores emissores de gases de efeito estufa na atmosfera, aparece o Pará, com mais de 175 t CO2e, depois aparece o Mato Grosso, com 147 t CO2e. em terceiro, ficou o Estado de São Paulo, com 133 t CO2e. Na quarta posição está Minas Gerais com 117 t CO2e e logo depois, Rio Grande do Sul, com 92 t CO2e. Em sexto, o Maranhão está na lista com 83 t CO2e e em sétimo, Rondônia com 75 t CO2e. Goiás aparece em oitavo, com 70 t CO2e. A lista completa está no site da Seeg, na internet.

BASE DE DADOS

O levantamento apresentado pelo Seeg pode apresentar número menor que o real. Isso porque a base de dados do órgão capta informações dos Estados, que ainda têm falhas na coleta dos dados. Segundo Carlos Rittl, dados foram alocados em 91% da área do Estado, em média. “Um dos impactos do estudo, que está na segunda edição, é mostrar e cobrar que as lacunas que ainda existem sejam preenchidas com esses dados.”

Ele aponta, também, que existem falhas na coleta de dados em outros biomas, a não ser na Amazônia, que possui monitoramento constante. “No caso do Cerrado, ainda há pouco monitoramento e o desmatamento desse bioma vem sendo prejudicial e pode causar sérios impactos num futuro não muito distante.”

Fonte: Jornal O Popular (Cristiane Lima Estados)