23 de outubro de 2014

Pela primeira vez na história, casos de malária confirmados podem ter surgido em Goiânia


Episódio preocupa as autoridades médicas, sobretudo porque os doentes são moradores da região do Parque Flamboyant e nunca estiveram em aéreas de risco

O Parque Flamboyant, na Região Sul de Goiânia, está sendo monitorado desde terça-feira (21/10) por vinte agentes de combate a endemias. A ação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) pretende quebrar a cadeia de transmissão dos casos de malária na capital.  Nesta semana três casos da doença foram confirmados. O episódio preocupa as autoridades médicas, sobretudo porque os doentes são moradores da região do parque e nunca estiveram em aéreas de risco.

O fato pode se configurar autóctone, ou seja, os casos podem ter surgido a partir do lugar onde foram percebidos e não de pessoas que vieram contaminadas de outras regiões do País. A diretora em Vigilância em Saúde da SMS, Flúvia Amorim, afirmou ao Jornal Opção Online que pela primeira vez na história os casos registrados podem ter surgido na capital. “Não temos registros em nosso sistema de pessoas infectadas em Goiânia. E pela investigação que estamos fazendo, certamente, estes serão os primeiros de pessoas infectadas na capital”, disse.

Nesta quarta-feira (22), os agentes da SMS inspecionaram prédios e residências em um raio de dois quilômetros do parque. O objetivo principal da ação é verificar criadouros do mosquito transmissor da doença e orientar à comunidade a eliminar focos de água parada, como já ocorre na prevenção ao inseto transmissor da dengue.

Histórico em Goiás



Segundo o Núcleo Hospitalar de Vigilância Epidemiológica e Serviço de Vigilância em Saúde, os casos da doença em Goiás decaíram ao longo dos últimos anos. Em 2010 o Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) confirmou 80 casos no Estado. No ano passado a unidade de saúde registou 39 casos. Até o último dia 16 deste mês o HDT já tratou 24 casos da infecção, que tem maior incidência no sexo masculino.

Entre 2010 e 2013, cerca de 50% a 60% do total de casos confirmados de malária residentes em Goiás, moravam em Goiânia. Em 2014, até 16 de outubro esse percentual foi de aproximadamente 40%. As pessoas infectadas em Goiás neste contraíram a doença provavelmente no Pará, Rondônia, Amazônia e Tocantins.

A doença

A transmissão infecciosa ocorre após picada da fêmea do mosquito Anopheles, contaminada por protozoários do gênero Plasmodium.

Os sintomas mais comuns são calafrios, febre alta (no início contínua e depois com frequência de três em três dias), dores de cabeça e musculares, taquicardia, aumento do baço e, por vezes, delírios. Além dos sintomas correntes, também pode aparecer ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo levar o paciente ao coma.

Não existe vacina contra a malária, que se não for tratada pode levar à morte. O tratamento é padronizado e oferecido aos paciente pelo Ministério da Saúde.

Fonte: Jornal Opção (Thiago Araújo)