3 de outubro de 2014

Meteorologia avalia possibilidade de tornados em Goiás


O tornado que atingiu nesta quarta-feira, dia 1º, o Aeroporto Internacional de Brasília, no Distrito Federal (DF), com ventos de até 95 quilômetros por hora e classificado como F-zero, o mais fraco na escala Fujita, que vai de zero a cinco, provavelmente não deve se formar em outras regiões do País. Porém, segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), existe um potencial para que novos fenômenos se formem no Brasil, bastando para isso que condições climáticas estejam aliadas.

Para o meteorologista da Secretaria de Ciência e Tecnologia de Goiás (Sectec), Diego Fernandes, existe a possibilidade de formação de tornado no Estado. Segundo ele, em novembro de 2012, aconteceu um tornado em escala inicial em Panamá, distante 190 quilômetros de Goiânia, não registrado pelo Inmet por pertencer à escala zero. Diante disso, ressalta ele, podem haver novas ocorrências, se houver   diferença de temperatura, que gera diferença de pressão. “E essa diferença de pressão faz com que o vento circule na formação de um tornado.  Então, como estamos num período de transição, da estação seca para a chuvosa, vêm as primeiras tempestades, que são as mais violentas, e aí surge essa grande possibilidade de ocorrerem tornados por aqui”, ressalta.

É difícil prever a formação de tornados em Goiás porque aqui não existe um centro de monitoramento para esses fenômenos, que são bastante rápidos. “Para ter esse monitoramento, precisaríamos de radares meteorológicos que nos dão uma grande precisão, com uma imagem a cada minuto, a cada cinco minutos, para poder monitorar esse fenômeno, que é de escala rápida”, finaliza Diego.

Tornado no País

O tornado acontecido nesta quarta-feira,dia 1º, em Brasília, é um fenômeno reconhecido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no País. O primeiro ocorreu em Santa Catarina, em 2009, quando ventos de 120 a 180 km/h atingiram 64 municípios do Estado e obrigaram a Defesa Civil daquele Estado a decretar situação de emergência.

De acordo com especialistas do Inmet, a variação constante do clima nas regiões é o principal motivo. “Você tem sol, depois o tempo fica nebuloso, chove e depois sol de novo. É esse tempo variável, com áreas de calor e outras mais frias, que provoca o aumento na diferença da pressão atmosférica, fazendo o vento circular e facilitando a formação do tornado”, ressalta Manuel Rangel, meteorologista do Inmet.

Mesmo considerando uma nova ocorrência improvável, Rangel diz que há potencial para que novos tornados se formem no País. “Para que um fenômeno desses aconteça, basta que condições climáticas naturais estejam alinhadas. Mesmo assim, não devemos esperar por outro”. O tornado foi classificado como F-zero, o mais fraco na escala Fujita, que vai de zero a cinco.

O tornado no Distrito Federal foi registrado por um radar meteorológico. A meteorologista Odete Chiesa aponta possíveis causas para o fenômeno na capital. Dentre elas,“por conta de vários meses, de três meses praticamente sem chuva, chovendo aqui e acolá, mas sempre com muita queimada e muita poeira em suspensão. Esse é o primeiro fator que faz com que aconteça a condensação. São fatores que ajudam”, finaliza.

Fonte: Goiás Agora