13 de outubro de 2014

Jornal Opção Entrevista Delegado Waldir: “No 1º mês que estiver no Congresso, vou virar notícia na imprensa nacional”


Campeão de votos para a Câmara dos Deputados afirma que sua eleição significa que o cidadão quer mais segurança

O discurso dele é duro, sem subterfúgio nem palavras bonitas e o recado é direto: lugar de bandido é na cadeia. Foi esse discurso que levou mais de 274 mil eleitores a teclar o número dele, 4500 — o mote de campanha era 45 do calibre e 00 da algema —, nas urnas, consagrando o Delegado Waldir como o candidato recordista absoluto de votos para deputado federal na história de Goiás.

Paranaense — “mas goiano de coração, aqui é minha terra, onde realizei e estou realizando meus sonhos” —, 50 anos, casado e pai de três filhos, Waldir Soares de Oliveira é filiado ao PSDB. Ele não é neófito na política – como suplente na atual legislatura, exerceu mandato na Câmara dos Deputados por alguns meses.

Delegado Waldir tem um elenco de propostas para a área de segurança pública, algumas delas bastante polêmicas, como a redução da maioridade penal, tema espinhoso. Mas ele não foge da polêmica quando está na defesa do que acredita ser interesse da sociedade. Uma das armas que o então candidato Waldir utilizou para conseguir se eleger é a internet — é chamado de Rei do Facebook. Um homem de fala tão rápida, que às vezes se atropela na conversa. Ele demonstra espírito inquieto, em vários momentos se refere a si mesmo na terceira pessoa e pontua o final de suas frases com um ok?

Eleito, Waldir Soares se engajou de pronto na campanha do governador Marconi Perillo, em cuja reeleição ele aposta: “Marconi vai continuar o avanço de Goiás em todas as áreas porque ele é moderno, e o adversário Iris Rezende é atrasado”, afirma com convicção.

Euler de França Belém – Quando o sr. começou a trabalhar na rede social Facebook? Quando começou esse trabalho, o sr. já o utilizava politicamente?

Esse trabalho não é dessa eleição. Ele vem da eleição anterior, que era feito no Orkut e no Youtube. Tivemos mais de 3 milhões de acesso em um vídeo feito para a campanha anterior. Os vídeos repercutiram nacionalmente, passaram no Fantástico, da Rede Globo, na Record e em outros programas nacionais. Nós somos os pioneiros na utilização das redes sociais em Goiás. É uma ferramenta que já utilizamos em 2010 e, apenas, a aperfeiçoamos. Tinha alguns amigos, com alguns perfis, que se propuseram a me ajudar, assim, construímos a página e chegamos a uma fã page com mais 330 mil seguidores. Foi uma ferramenta essencial para o nosso projeto, para nossa campanha. Tenho pensado politicamente desde 2010, talvez até um pouco antes. Primeiramente, eu só trabalhei na periferia e, lá, é perceptível o desespero e a necessidade das pessoas por mudança nas legislações. E os nossos deputados federais e senadores que têm sido eleitos não tem se preocupado com a periferia. Por exemplo, a maioria da população quer a redução da maioridade penal. O projeto tramita há muito tempo na Câmara Federal e é um projeto ultrapassado em 16 anos. Quanto ao trabalho obrigatório para bandidos, 100% da população quer, mas na Câmara ninguém defende is­so. Ou seja, eles estão sendo eleitos pe­los cidadãos e não atendem as suas necessidades. Eles atendem a ne­cessidade de um grupo. Com ba­se nisso e em uma excessiva perseguição que eu sofri por 14 anos na Po­lícia Civil de Goiás, eu decidi virar a mesa, ou subir em cima da mesa, e me colocar como candidato. Na campanha passada, tivemos 40 mil votos sem estrutura. Nessa campanha, nós nos propusemos novamente a ser candidato e viemos para ser um candidato da população, do povo.

Euler de França Belém – O sr. gastou quanto na campanha?

Ainda não fizemos o fechamento, que deve sair na próxima semana, estamos finalizando as contas, mas eu devo ter gasto R$ 240 mil, o que não ultrapassa o gasto de um candidato a vereador.

Euler de França Belém – Como o sr. arrumou esse dinheiro?

Com amigos doadores. Na verdade, com alguns foram empréstimos, outros já foram doações. Eu, pessoalmente, fiz a doação de R$ 112 mil para minha campanha. Eu me autofinanciei.

Euler de França Belém – A estrutura partidária ajudou com quanto?

Com nada. Apenas com o material. Há dez dias, quando eles viram que as pesquisas direcionavam as intenções de voto para o Delegado Waldir, e isso sem me informar, eles passaram a me ajudar. Eu recebi o material com 10, 15 dias de campanha. Foi como a campanha passada, recebi R$ 10 mil do PSDB e recebi há 15 dias para o fim da campanha. Eu aluguei uma camionete e sai circulando. Dessa vez, eu contei com um amigo, que me deu a ideia e cedeu a camionete emprestada, como doação. Colocamos um aparelho de som na camionete e, com o microfone, circulamos pelas 70 maiores cidades de Goiás. Nas principais avenidas das cidades, eu subia sozinho, de paletó e gravata no carro de som, e passava manhãs, tardes e noites conversando com as pessoas e pedindo voto. Eu falava sobre nossas principais propostas, nossos “10 Mandamentos”. Roda­mos com sol e com chuva de norte a sul, leste a oeste. Eu sou o único candidato que tem calo na mão de tanto segurar no estribo da camionete (Waldir mostra a mão e pede ao fotógrafo que registre). Eu sou o único candidato que não fez campanha de gabinete. A não ser o Mané de Oliveira (PSDB), mas ele ficou restrito à Goiânia. É muito fácil dizer que eu tive 280 mil votos, mas quem sabe o preço sou eu, meus filhos, minha esposa, o amigo que me acompanhou direto, nossos voluntários. Não tivemos nenhuma pessoa contratada. Nenhum vereador pago. Nenhum prefeito pago. Nenhuma dobradinha com outro deputado estadual.

Cezar Santos – O sr. não teve nenhum cabo eleitoral?

Nenhum cabo eleitoral. Minha folha de pagamento não terá ninguém, pois esse é um modelo de política que eu não quero conhecer, pois sei que é falido.

Cezar Santos – O sr. tem conhecimento se mais algum candidato do seu partido também não teve ajuda partidária?

A maior parte dos nossos candidatos tinha secretarias. Cada um tinha uma secretaria.

Euler de França Belém – Esses vo­tos, o sr. os teve distribuídos onde?

Por todo Estado de Goiás. Em todas as cidades. Depois de Goiânia, foi em Aparecida. Fui o mais votado em Goiânia, com 175 mil votos.

Euler de França Belém – O sr. acabou elegendo outros deputados?

Apenas eu e o Daniel Vilela (PMDB) fomos eleitos com os próprios votos. Os meus votos ajudaram todos os demais candidatos do meu partido.

Euler de França Belém – A base, na verdade, é de 13 deputados por sua causa.

Não apenas por minha causa, e sim pelas pessoas do meu grupo. Eu não estou sozinho nesse projeto.

Euler de França Belém – Muitas mu­lheres o apoiaram. A minha filha Eline, estudante de Direito, votou no sr. O sr. acredita que o combate ao serial killer [a polícia goiana in­vestigou assassinatos de mulheres por uma ou várias pessoas] ajudou nisso?

Não apenas a questão do serial killer. Se o sr. pegar o meu histórico em todas as delegacias em que trabalho, perceberá que sou eu que dou atendimento ao público, eu que atendo as pessoas. E qual é o público das delegacias? São as mulheres. Se o sr. pegar o registro das propostas da minha campanha passada na região Noroeste, perceberá que foi através do meu pedido que o governador Marconi Perillo levou delegacia da mulher também para lá. Conversando com elas, via que elas eram agredidas, elas me pediam dinheiro para ir à delegacia registrar ocorrência, pois não tinham dinheiro para transporte. Portanto, não é só porque fui uma das primeiras pessoas que mencionou a questão do serial killer em Goiânia, e sim porque tenho um trabalho consistente há muito tempo, dando dicas de segurança. Na verdade, eu tenho feito um serviço social de atendimento às pessoas na área de segurança, onde a população, não só da minha região, está mais carente. A população de todo o Brasil está carente. Eu trabalho após as 6 horas da tarde. Eu saio da delegacia e dou continuidade ao meu trabalho no computador, até as 10 horas da noite. Essa dedicação que dei, ao longo desses anos, tem o feedback com as mulheres, com os homens, com os idosos. Isso ajudou na nossa eleição. Mas, ninguém pode esquecer também que nos últimos 14 anos, eu sou o delegado que mais prendeu bandido. Isso é estatística, número. Em Planaltina de Goiás, onde trabalhei dois anos, eu cheguei com 40 presos. Em dois anos, fora os que entraram e saíram, tinha 180 presos. As operações mais polêmicas de Goiás, nos últimos anos, foram comandadas por mim. Na região Noroeste, a prisão de 22 traficantes. No Parque Oeste Industrial, fui delegado e fiz todas as investigações. Operação Ali Babá, vários enfrentamentos, prisão de alguns policiais. Portanto, eu tenho me exposto. Seria muito cômodo eu ficar no meu gabinete, trancado, dado presentinho para diretoria para conseguir promoção. Eu não. Nunca comi na mão do grupo da segurança pública.

Euler de França Belém – O sr., acima de tudo, é um bom marqueteiro, pois o melhor marketing é aquele fácil de ser assimilado. O mote do “calibre 45 e 00 das algemas” foi criação sua?

Nós que criamos. A partir do momento que ganhamos o número, tínhamos a necessidade de criar um vínculo com a campanha, isso já na eleição passada. Considerando que eu não tinha uma estrutura financeira, era necessário encontrar uma forma alternativa para chegar ao eleitor. A forma foi ligar meu número à minha atividade. Esse número foi massificado ao longo do tempo. Criei uma marca, um símbolo que será usado amanhã, depois. Outro exemplo, eu sempre iniciava uma entrevista com “veja bem”. Ou seja, fomos criando a nossa marca e deixando-as registradas. Isso depende das pessoas (disseminarem).

Euler de França Belém – O sr. disse que prendia 40 e passou a prender 180 bandidos. Porém, faltam presídios no Brasil. O próprio governo federal divulgou que tinha dinheiro, mas não conseguiu construir presídios. Como analisa essa questão?

O grande problema é que o país está preocupado com o circo. Nós construímos 12 estádios ao custo de R$ 44 bilhões. Arenas em Cuiabá, Manaus, Brasília, Natal, onde nem tem um time na série B, são grandes dinossauros. O que precisamos são escolas integrais, creches e, antes, presídios. Na redução do número de homicídios em São Paulo, que até tem sido questionada em alguns momentos, se vê que o governador Alckmin investiu pesadamente na construção de presídios. Temos que trabalhar na busca de recursos federais ou outras vias, como a privatização, mas temos que construir presídios. Não podemos manter o modelo atual, em que o criminoso é jogado no sistema prisional. Precisamos ter celas individuais e construir presídios industriais, agrícolas e rurais. Temos que tirar os presídios das áreas urbanas. Não podemos ter mais presídios nas cidades, no interior. Nossos presídios têm que ser levados para as áreas rural e metropolitana. Pois, além de ter celas individuais, temos que fazer com que o preso trabalhe. Hoje, está na lei que o preso trabalha e tem três dias de emissão. Que palhaçada é essa! Ele tem que trabalhar, na verdade, para pagar a estadia dele no presídio, como é em outros países. Quanto é a diária? Vinte reais? Quanto fica por mês? Seiscentos reais? Ele precisa pagar, pois ele está lá porque escolheu. Ele matou alguém da minha família, da sua, roubou um carro seu, sua residência. Por isso, ele tem pagar, tem que indenizar a vítima. Ele arrombou a porta da sua casa, levou seu televisor… Portanto, ele não pode sair da cadeia sem pagar o prejuízo da vítima. A pena tem que ser para punir, para mexer no bolso do bandido. Por que ele rouba um carro hoje? Porque ele rouba 10, 20 carros e não vai acontecer nada. A nossa lei é fajuta. É de 1940. Ao longo do tempo, o eleitor elegeu apenas agropecuaristas, empresários e por aí afora. Ele não elegeu especialista em segurança pública. Por isso, a eleição do Delegado Waldir muda esse foco. Teremos pessoas especialistas para tratar desse assunto de segurança pública. Então, essa questão é essencial neste momento.

Euler de França Belém – O que o sr. acha da privatização dos presídios?

Temos que copiar modelos que deram certo. Nos Estados Unidos, muitos presídios são privatizados. Eu defendo que nos presídio haja um sistema rigoroso: das 6 às 8, atividade física; das 8 às 19, trabalho; das 19 às 23, estudo. Sábado e domingo, profissionalização. É 100% do tempo do preso ocupado. Quando o criminoso fica no ócio, nós temos esse descontrole da segurança pública. Esse é meu pensamento. É com esse modelo que eu quero ajudar o governador Marconi Perillo e o presidente Aécio Neves, pois ambos serão eleitos.

“Marconi é importante para um Goiás moderno”

Euler de França Belém — A violência em Goiás está grande como em qualquer outro lugar do Brasil. Em São Paulo reduziu um pouco, mas ainda falta rigor da Justiça. A violência de Goiânia tem alguma coisa específica ou é igual à de qualquer local?

Ela é igual à de qualquer local. Na verdade, em Goiânia, 70% a 80% da violência é relacionada a bebidas e drogas. Delegado Waldir inclusive, vai trabalhar a questão da proibição da propaganda das bebidas alcoólicas na TV e em jornais. É um projeto da família. Hoje você vê artistas fazendo propaganda de cervejas, juntamente com mulheres nuas. Vai acontecer como ocorreu com as propagandas de cigarros, ao extingui-las houve a diminuição do número de fumantes. Devemos fazer a mesma coisa com a bebida. Isso é uma defesa da família e vai ajudar a redução de mortes no Brasil. Em relação às drogas e à violência é muito simples. Hoje as nossas polícias são usadas como bode expiatório e é feita de palhaça. O combate às drogas é feito de forma amadorística. É uma briga de gato e rato. Temos que combater as drogas na distribuição. Se quisermos acabar com as drogas, e sabemos de onde elas vêm, ou seja, do Paraguai e da Bolívia, precisamos ter uma politica internacional. Nosso serviço de inteligência, isto é, o Exército, Marinha e Aeronáutica, deve combater a droga onde ela é plantada. Vão me dizer, mas delegado, assim você vai mexer com a questão da soberania dos países. Mas o Paraguai e Bolívia há muito tempo têm atacado nossa soberania, por que aqui no Brasil morrem 50 mil jovens por ano, vítimas do tráfico de drogas. Carros roubados aqui estão indo para lá. O nosso dinheiro está sendo para financiar a Transco­caleira [rodovia Villa Tunari-San Ignacio de Moxos, na Bolívia, cuja construção é financiada pelo BNDES e vai favorecer principalmente o transporte de cocaína para o Brasil], fazendas de maconha no Paraguai, este é o modelo que nós temos hoje. É um modelo falido. Devemos criar grupos de trabalho com esses países para podermos combater a droga na origem, na planta, não aqui na distribuição. Pode colocar todas as Forças Armadas e polícias juntas na fronteira que nunca vamos conseguir acabar com a distribuição. Esse sistema de combate às drogas no Brasil é fazer de palhaço não só a polícia como o cidadão.

Euler de França Belém — E o crime organizado em Goiás. Por que se rouba tantos carros em Goiânia?

O crime organizado está em todo o País, não apenas em Goiás. Além da questão das drogas e jogos ilícitos, há também o roubo de carro. Essas quadrilhas financiam vereadores, prefeitos, deputados federais, enfim, são profissionais.

Euler de França Belém — A publicitária Polyanna Arruda Borges foi morta por criminosos quando seu carro estava sendo roubado. O receptador foi preso e condenado. É possível fazer alguma coisa em relação ao receptador?

Na verdade o culpado pela morte da Polyanna foi o assassino, apesar de que este é um dos raros casos em que se condenou todo mundo, inclusive o receptador. Em toda a legislação é preciso de penas mais duras. Temos que acabar com as progressões de regime, com essa questão de indultos. Se uma pessoa foi condenada a 30 anos, ela deve cumprir os 30 anos inteiros na cadeia. O que temos hoje é impunidade, sendo que foi o mote da campanha de meu colega Mané de Oliveira [do PSDB, o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa]. Nós temos uma Constituição que é de 1988, em que se falava muito em perseguição política. Lá fala que ninguém será considerado culpado sem trânsito julgado. Se a pessoa tiver recursos vai demorar 20 a 30 anos sem ser julgado e ficará impune.

Euler de França Belém — O que fazer com a questão do regime semiaberto?

Temos que acabar com ela. Se a pessoa foi condenada a 30 anos, ela deve cumprir 30 anos no regime fechado integralmente. Nem mais nem menos. Tem que acabar com a remissão por estudos, leitura, isso é vergonhoso.

Euler de França Belém — Quem são seus eleitores?

Meus eleitores são pessoas de todas as classes: homens, mulheres, negros, brancos e índios. Fui o mais votado em todas as regiões de Goiânia. Meus eleitores são todas as pessoas que acreditam na mudança, que estão cansadas e sabem que este modelo de política está falido. As pessoas estão cansadas do nada. Este resultado das urnas é o reconhecimento de nosso trabalho. Nessa campanha eu me arrisquei ao subir em cima de uma caminhonete juntamente com um amigo, e pegar no microfone e discursar para eleitores.

Euler de França Belém — Por que o sr. acha importante reeleger o governador Marconi Perillo?

Porque é importante termos um Estado moderno, com crescimento na economia. Um Estado que consegue fazer projetos com grande magnitude em todas as áreas. Um Estado que tem atraído muitas pessoas de outros lugares pelo seu crescimento econômico e pelo seu povo. Diria que vejo o Marconi como o novo JK [Juscelino Kubitschek, presidente que se notabilizou por construir Brasília], por ser um tocador de obras. Ele pegou um Estado destruído, com salários atrasados, com a polícia com pagamento atrasados e sem viaturas. Quando entrei na polícia, a instituição ainda carregava as consequências do antigo governador (Iris Rezende). Fui trabalhar em Águas Lindas e lá tínhamos apenas duas viaturas. Era uma caminhonete Ford F-1000 que só funcionava empurrando, e tínhamos que buscar combustível em Luziânia, porque não tinha posto de gasolina na cidade. Não tínhamos armas nem computadores. Foi Marconi que resgatou tudo isso para a polícia. Delegado Waldir está na polícia graças ao concurso mais sério realizado no Estado de Goiás, que foi organizado no governo Marconi pela Sespe-UNB.

Euler de França Belém — E se seu eleitor lhe perguntar por que não votar em Iris Rezende?

Não estava aqui em Goiás quando Iris era governador. Mas ouço as pessoas dizerem que ele concentrava os poderes nas mãos de pessoas e as mães de família tinham que implorar a essas lideranças uma cesta básica. Na segurança pública, é só pegar as fotografias das viaturas daquela época e comparar com as que temos hoje. Os armamentos daquela época e os que temos hoje. Hoje temos helicópteros e uma inteligência da polícia. Antes se pegava o mais bravo e violento para ser policial, hoje nossa polícia é de nível superior. Havia os delegados calças curtas. Marconi moralizou isso, ele instituiu a cultura do concurso público.

Euler de França Belém — Pode-se então qualificar Marconi como moderno e Iris como arcaicoo?

Sim, Marconi é modernidade, Iris é o atraso.

Euler de França Belém — O sr. concorda que Goiás é hoje um dos Estados que mais crescem no Brasil?

Goiás atrai empresas, indústrias e migrantes. Temos importantes polos como o de Aná­po­lis, Catalão e Rio Verde. Somos o coração do Brasil. Marconi es­tá terminando obras inacabadas de Iris e Alcides, como o Centro de Excelência, o Centro Cultural do Teatro Goiânia, enfim, ele está tocando obras. Hoje é possível montar uma empresa em algumas horas. O Crer [Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo] é de referência nacional.

Euler de França Belém — O Crer é recomendado como modelo pelo Ministério da Saúde.

Sim, o Crer é referência nacional. E ainda estão sendo construídos hospitais de urgência pelo Estado. Já construíram o de Aparecida de Goiânia, assim como no Entorno do Distrito Federal. Então, Marconi tem feito investimentos. Temos também a questão dos Credeqs [Centros de Referência e Excelência em Dependência Química], que é um modelo novo. E quando ficarem prontos, vão trazer muitos resultados, pois acredito que faltam locais assim no país. Assim como presídios para adultos e presídios juvenis. Acho que essas são obras indispensáveis nos próximos governos Marconi e Aécio Neves. Agora, tratando da região Noroeste de Goiânia. Quando fui candidato em 2010, registrei em cartório 45 propostas, da quais algumas não eram de competência do Poder Legis­lativo. Porém, foram registradas, porque, nas diversas reuniões que fiz com a comunidade, surgiram demandas como a Delegacia da Mulher, por exemplo. E foi por um pedido meu que o governador Marconi instituiu a delegacia para que a mulher da região Noroeste, que, sem dinheiro, não precisasse se deslocar 20 quilômetros para registrar uma ocorrência. Outra demanda da região atendida pelo governador por um pedido meu foi o Vapt Vupt, que está em funcionamento. Hoje, temos agências bancárias naquela região, porque eu agi junto ao governador. Antigamente, o esgoto corria a céu aberto lá. Hoje, foi praticamente terminado o serviço de esgotamento naquela região. Outra questão: fala-se que o ex-governador Iris Rezende havia dado àqueles moradores casas feitas de placa. Com o governo Marconi os benefícios foram maiores, pois ele ofereceu às pessoas a oportunidade de financiamentos para conseguir construir casas melhores. Além disso, os moradores ainda estavam sem as escrituras. Ou seja, vivendo em uma extrema insegurança. Por um pedido nosso, meu e dos moradores, o governador Marconi concedeu a todos as escrituras dos imóveis. Agora, as pessoas têm dignidade e, sendo proprietárias de suas casas, podem fazer o que quiserem, como vender, por exemplo.

Eu sei que a região Noroeste precisa de mais atenção ainda. Já temos a linha do Eixo Anhanguera que está sendo estendida até a região, além de uma unidade da Universidade Estadual de Goiás que será construída lá. Mas precisaremos de feiras cobertas, escolas técnicas, etc. Ou seja, são necessidades dos moradores, que vivem em uma região que mais parece uma cidade independente.

Euler de França Belém – O sr. citou os “próximos” governos de Marconi Perillo e Aécio Neves. O sr. acredita que Aécio conseguirá derrotar a máquina petista e sair vencedor nesta eleição?

Com certeza. Na verdade, a máquina está sem óleo. Já fundiu. Tenho certeza absoluta de que Marconi e Aécio irão se eleger, e com a minha ajuda.

Euler de França Belém – Como sr. avalia a gestão do petista Paulo Garcia na Prefeitura de Goiânia?

Paulo Garcia é uma “cria” de Iris Rezende, que não cumpriu com a sua palavra e abandonou a prefeitura para disputar o governo. E essa atual administração é uma das piores do país. Se eu tive a melhor votação, ele tem a pior gestão.

Euler de França Belém – Por que a gestão de Paulo Garcia vai tão mal?

Falta capacidade de administração. Para administrar, não basta ser um bom gestor. E necessário ter liderança. Tem que ter autoridade, puxar o comando para si. Não pode deixar nas mãos de outras pessoas e fazer da prefeitura um cabide de empregos. Quantas secretarias nós temos no município? Além disso, há muitas obras inacabadas e altos índices de corrupção. Eu percorri 12 mil quilômetros pelas estradas de Goiás, que estão muito melhores que as ruas esburacadas de Goiânia. O transporte público da capital está falido. As pessoas não têm locais adequados para aguardar os ônibus, que estão sempre lotados e fora do horário. Vive­mos em uma cidade em que é impossível transitar, pois o trânsito está parado. E isso acontece em uma cidade que é reconhecida tradicionalmente por ter uma alta qualidade de vida. Porém, isso tem sido perdido devido à falida administração do nosso prefeito.

Euler de França Belém – Se reeleito, o governador Marconi Perillo possivelmente deve realizar mudanças no comando da Secre­taria de Segurança Pública. Assim, há uma tendência de que o atual secretário, Joaquim Mes­quita, saia. Nestas eleições, além do sr. temos o delegado João Campos também eleito. O sr. é pleiteado para assumir o órgão?

Esse é um trabalho que depende do governador Marconi. Eu tenho a pretensão de cumprir o meu mandato como deputado federal e quero me destacar na Câmara Federal trabalhando por aquilo a que me propus. Eu fiz dez mandamentos [plataforma de compromissos de campanha] e quero deixar protocoladas todas as propostas de mudanças que acredito terem um perfil renovador e revolucionário. Em relação ao futuro, se o governador e a sociedade precisarem de mim para resolver os problemas na segurança, que têm afligido tanto ele como o povo goiano, nós iremos reinventar a segurança pública no Estado. Eu tenho algumas ideias. Não acredito, por exemplo, em disponibilizarmos cem policiais no serviço de telefonia 190. Poderíamos contratar telefonistas ou reverter o pessoal do Simve [Serviço de Interesse Militar Voluntário Estadual] e colocar esses policiais, que são preparados, nas ruas. Temos cem policiais no Tribunal de Justiça, que estão fazendo segurança, vigilância ou abrindo porta para juízes e servindo como motoristas. O mesmo acontece na Assembleia Legisla­tiva, no Detran, enfim, em todos os órgãos. Tiraríamos os policiais desses locais e contrataríamos profissionais das áreas para substituí-los. Eu sou defensor de que um policial que fez concurso vá para a linha de frente. É um absurdo, por exemplo, termos dois delegados como assessores jurídicos. Ora, contratem dois jovens advogados para exercer os cargos e coloquem esses dois delegados nas delegacias. Essa situação acaba privilegiando essas pessoas que estão nos gabinetes e desmotivando os policiais que estão na linha de frente, porque são eles que, ao atirarem em um bandido, irão responder a um processo, enquanto aqueles policiais que estão carregando juízes e o comandante da PM ou sendo secretário do diretor da Polícia Civil serão promovidos. Ou seja, cria-se uma grande dicotomia na polícia e os nossos secretários, diretores e comandantes não têm visto isso. Isso não é culpa do governador, pois ele não é especialista em segurança pública. Na verdade, ele delegou essas questões a um deputado federal, que é o coordenador político dessas pessoas e que assinou um projeto falido. No novo governo Marco­ni, se ele permitir, eu darei sugestões para reinventar a segurança pública do Estado em um modelo mais próximo do cidadão e com a valorização dos policiais que estão na linha de frente. Temos que valorizar quem trabalha e não quem faz da polícia um “bico”.

Euler de França Belém – Outras pessoas já tentaram aprovar a diminuição da maioridade penal e não conseguiram, pois há uma resistência do chamado setor de direitos humanos. Com a mudança da legislatura será possível aprovar algo nesse sentido?

Estamos renovando a Câmara Federal em 40% dos seus membros, dos quais uma grande parte é jovem e que terão seu primeiro mandato.

Euler de França Belém – E os mais votados no país defendem a redução da maioridade penal.

Sim. Então, teremos uma bancada muito forte. E eu tentarei mostrar aos deputados e ao nosso presidente Aécio, que também é um defensor dessa questão, que nós precisamos atender à sociedade, em que 90% das pessoas querem a redução da maioridade penal. E nós não fomos eleitos pelo povo para atender a privilégios nossos ou de grupos corporativistas, mas precisamos defender o interesse do cidadão, que quer, entre outras coisas, a redução da maioridade penal. Mas não no modelo que já está transitando cuja redução é para 16 anos. Eu defendo o modelo americano-inglês, em que, a partir do momento que um adolescente sabe que uma arma mata, ele é preso. No Brasil, se um adolescente mata alguém ele é internado por 45 dias. Após isso, ele vai para a rua. E a vítima? Não volta nunca mais. Então, defendo o modelo de presídios juvenis, separado por idade e natureza de crime: 12 com 12, 13 com 13, 14 com 14, homicida com homicida, traficante com traficante, etc. O regime do presídio: acorda às 6 horas e pratica atividade física até as 8 horas; das 8 às 13 horas, escola; das 14 às 19 horas, trabalho. À noite, profissionalização. Isso de segunda a sábado. No domingo esses adolescentes irão ter atividades de lazer e cultura. “Mas, delegado, não temos dinheiro”. Vamos pegar verba direcionada. Um exemplo: vincula dinheiro das loterias para a construção desses presídios. Pronto. Dinheiro tem. Eu não venho apenas com propostas. Venho também com soluções de trazer os recursos para construir. A cada assunto que eu critico, eu trago uma solução. Isso também foi o diferencial na minha campanha.

Euler de França Belém – O sr. garante que não irá decepcionar a população, como fazem muitos políticos?

O eleitor que votou em mim me conhece há 14 anos e sabe da minha história e da minha vida. Minha mãe era zeladora, sou filho de uma família de cinco filhos e apenas eu me formei. Aos 9 ou 10 anos, meu sonho era ter uma bicicleta, o que nunca tive. Depois tive outros sonhos, de ter uma moto, e consegui comprar; um carro, e consegui; de me formar em Direito e consegui; de ser delegado, de ser deputado federal. Tenho galgado os meus sonhos e não vou jogar fora a minha história. Tenho família, tenho filhos, esposa, mãe, amigos; tenho 280 mil eleitores e 330 mil seguidores nas redes sociais, são pessoas que acreditam em mim. Não vou desonrar essas pessoas. Não estou atrás de dinheiro, não sou carreirista, não fui candidato a vereador, nem a deputado estadual, vim logo a deputado federal porque é assim que eu posso ajudar a modificar as leis. Minha visão é essa.

Cezar Santos – O Congresso é um poder autônomo, com seus rituais. Para várias propostas que o sr. coloca já há projetos engavetados e es­perando na fila e a votação depende de fatores políticos também. Pode ser muito difícil atropelar essa fila. Como o sr. vai lidar com isso?

Muito fácil. Dou um exemplo: é muito difícil ser delegado em Goiás e se destacar fazendo um trabalho regularmente. Eu consegui fazer isso. Eu estive na Câmara Federal por cinco meses [Waldir é suplente na atual legislatura] e lá também eu vou me destacar. No primeiro mês em que eu estiver no Congresso, vou virar matéria na imprensa nacional e não vai ser por ficar dançando na tribuna não, vai ser com atitudes, as quais não posso adiantar agora. A segurança pública é o grande tema do Brasil hoje, porque os cidadãos estão inseguros. Quem estiver melhor nos debates na área de segurança pública, quem tiver as melhores propostas, vai ser candidato a governador, vai se eleger governador, vai se eleger presidente da República. A Câmara dos Deputa­dos é movida pelas necessidades da sociedade, sempre que há um fato violento, ela cria uma lei para dar uma resposta. A segurança pú­blica vai dominar todos os debates na Câmara Federal. Ao longo do tempo, foram eleitas pessoas que devem ser os pais desses projetos aos quais você se refere que estão na Câmara, agropecuaristas, radialistas, etc., mas o que essas pessoas entendem de segurança pública? A verdade é que não se tem colocado especialistas para defender esses projetos. O pai de uma criança tem de acompanhá-la na escola todos os dias, não apenas um dia, senão o traficante pega. Se sou o pai de um projeto, tenho de acompanhá-lo em cada comissão até chegar ao final.
Outro fator, na renovação da Câmara Federal, que já citei, vários candidatos foram eleitos com o uso das redes sociais. No ano passado, houve um grande movimento nas ruas e os manifestantes foram convocados pelas redes sociais. Em um segundo eu posso mobilizar 5 milhões de pessoas. A forma de mobilização hoje não é aquela de 10 anos, 20 anos atrás. Eu vou mostrar os deputados e convencê-los de que nós somos representantes do povo e se nós não defendermos os interesses desse povo, o Congresso vai ficar mais desmoralizado do que já está. É preciso resgatar sua credibilidade, não queremos que de lá saiam mais deputados federais presos. Eu vou ajudar aquela Casa a reconstruir sua credibilidade com essa visão e essa linha de ação.

Cezar Santos – O sr. acha que o Ministério Público tem um papel excessivo na sociedade?

Não vejo que o Ministério Público tenha um papel excessivo, só que na minha proposta de unificação das polícias, quero que ele venha junto. Vamos trazer o Ministério Público junto com a polícia. Ele não é um órgão de credibilidade? Não quer fazer polícia? Ele não quer investigar? Não foi essa a defesa dele contra a PEC 37 [Proposta de Emenda Parlamentar que tiraria de instituições como o Ministério Público, COAF, Receita Federal, Ibama, Previdência Social, Polícia Militar, entre outros órgãos do Estado, a atribuição de investigações criminais]? Sim ou não? O Ministério Público quer investigar, se quer investigar, tem de fazer polícia. Se quiser fazer polícia, vamos fazer parte de uma polícia única. Que venha o Ministério Público junto com os delegados, com os coronéis, vamos fazer uma instituição única na defesa do cidadão, da segurança pública. Vamos investigar os crimes contra a administração, o roubo de galinha, de botijão de gás, de TV, vamos atender o público. Não é ficar numa redoma, em gabinete, vamos sair e atender o cidadão. O Ministério Público não pode ficar longe das pessoas, se ele é um órgão respeitado (em tom irônico), de grande credibilidade, tem que prestar isso para o cidadão na forma de serviço.

Cezar Santos – O sr. está dizendo que o MP tem de descer do pedestal e ficar mais próximo das pessoas?

Ele tem de ficar ao lado do cidadão, como fica o delegado, como fica o comandante da PM, vamos colocar o promotor junto. Não tenho nada contra o MP, só o quero junto comigo na polícia, vamos fazer o melhor para o Brasil. Ele trabalhou pela rejeição da PEC 37 então o queremos junto com a polícia. É essa a tese que vou defender com unhas e dentes, quero o Ministério Público junto com a polícia. Ele vira um policial, passa a fazer parte da mesma estrutura, é assim em outros países. Que o promotor não fique tão distante do cidadão, e sim ao lado do cidadão. Ele ganha um salário maravilhoso, e agora ganhou auxílio moradia de R$ 4,3 mil mensais, então não pode ganhar tanto e ficar tão distante do cidadão. Acho que quanto mais ganha, mais próximo do cidadão deve ficar.

Frederico Vitor – O sr. pretende mexer na questão do desarmamento?

Se eu tiver possibilidade sim. Eu defendo o direito do cidadão em se defender. Se ele é preparado, se faz escola de tiro, faz o curso regularmente, natural que seja facilitado o direito dele a arma de fogo. O Estatuto do Desarmamento tirou a arma do cidadão, dificultou o direito do porte de arma. E facilitou para o bandido, que se for preso com uma arma, paga fiança e no dia seguinte está na rua. Sou radicalmente contra o Estatuto do Desarmamento e vou trabalhar para haver mudança, para permitir que o cidadão que tenha capacidade, treinamento e queira ter sua arma para se defender, que ele possa fazer isso.

Cezar Santos – O sr. recebeu doação de fabricantes de arma de fogo?

Não recebi nenhuma doação da bancada da arma. É minha opinião, diferentemente de outros deputados que defendem mudança no Estatuto, mas receberam doação da Taurus, da Rossi. Não, não recebi nenhum doação dessas empresas, ok?

Cezar Santos – O sr. é favorável à criação do Ministério da Segurança Pública?

Com certeza (enfático), é indispensável. Defendo uma redução drástica do número de ministérios que temos hoje, mas que criemos o Ministério da Segurança Pública. Indispen­sáveis são as pastas de Educação, Saúde e Segurança, o resto é resto. Arrecadação tributária também é importante para manter o Estado, mas fora isso o resto é perfumaria.
Eu quero agradecer o eleitorado goiano que me deu essa votação expressiva. Aos meus internautas, meus amigos que me ajudaram a fazer a campanha, todos voluntários, quero dizer que vou ousar, vou honrar o voto deles. Eu vou ser diferente, estarei em Goiânia todas as semanas e tudo que estiver errado, serei o primeiro a estar na frente para cobrar, vou ser um fiscalizador. Vou cobrar de qualquer autoridade onde não estiver havendo atendimento adequado ao cidadão, vou apontar o dedo. Delegado Waldir não vai ser o chato que apenas aponta problemas, porque eu vou buscar soluções para as demandas que a sociedade quer. Meu salário de delegado sempre foi pago pelo cidadão e eu procurei honrar esse salário. Da mesma forma, vou honrar o meu salário de deputado.

Cezar Santos – Como deputado, o sr. continuará assíduo nas redes sociais?

Já estou ativo, parei uns dias após a eleição, mas já retomei as postagens, é um caminho sem volta, estou atrás de 1 milhão de amigos, tenho apenas 330 mil.

Fonte: Jornal Opção