24 de outubro de 2014

Goiânia feminina, jovem e acolhedora, aos 81 anos


Atraídas pelas oportunidades, pessoas de vários Estados e de outros países tornam Goiânia um rico berço de diversidade cultural

Dos 1,4 milhão habitantes de Goiânia, 47%, ou seja, mais de 614 mil pessoas, correspondem a pessoas que não nasceram na capital. Os números são de um estudo feito pelo Instituto Mauro Borges (IMB), com base em dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados mostram que Goiânia completa 81 anos se mostrando uma capital acolhedora e de muita oportunidade. O pesquisador em Geografia do IMB, Rui Rocha Gomes, explica que o elevado número de não-nascidos em Goiânia é motivado principalmente por questões econômicas. “A maioria tem menos de 40 anos, portanto, é uma população ativa, que está no mercado de trabalho; isso se explica por que a cidade tem uma economia forte, geradora de empregos”.

Os dados indicam que, do tototal de não-nascidos, 38% moram na capital há mais de 20 anos e 25% estão na cidade há menos de cinco. A maioria é da Região Nordeste do Brasil, em torno de 39%, seguida pela Região Sudeste, 29%. Mas, confrontados, os números revelam que os mineiros (18%) são a maioria em Goiânia. “Isso se dá por que Goiás e Minas Gerais têm uma relação histórica e culturas muito próximas”, explica Rocha.

Faz parte dessa população de não-nascidos em Goiânia, o paulista Paulo Sérgio Moraes, de 44 anos. Publicitário, ele é gerente de uma empresa de marketing na capital. Há dez anos na cidade, ele deixou São Paulo em busca de uma vida mais tranquila, depois de ter tido o seu carro alvejado por bandidos que perseguiram sua família. “O fato aconteceu em uma avenida movimentada e eu fiquei entre o carro da família e o dos bandidos, mas consegui sair com vida”, conta.

O maranhense Marcos Antonio Marques Cortez, de 44 anos, é outro que encontrou em Goiânia acolhimento e oportunidade de crescimento. O empresário e contador mora na capital há 31 anos e conta que deixou o pequeno município de Grajaú, no interior do Maranhão, aos 15 anos, para trabalhar em um escritório de contabilidade do tio. Seguiu a carreira e hoje tem o próprio escritório, aberto há 15 anos e que hoje emprega 16 funcionários. Para ele, a capital sempre foi uma cidade promissora. “Na época, se ouvia falar mais de Goiânia do que da própria capital do Maranhão, São Luís, e até mais do que Brasília, e eu vim em busca do ouro que tanto se falava na época”, brinca.

Depois de passar as férias em Goiânia, ele disse ter “sentido paixão à primeira vista”. Cortez diz que já aglutinou a cultura goianiense. “Eu amo a música, a culinária e o estilo de vida da capital”. Os três filhos e ex-mulher são goianienses.


Uma cidade boa para brasileiros e estrangeiros 

Além dos brasileiros, existem também estrangeiros que escolheram a capital como lar. São cerca de 3.200 habitantes, segundo o IMB. A maioria veio da Europa (54%), principalmente de Portugal e Espanha, seguidos por norte-americanos (10%), e bolivianos (8%).

O búlgaro Lyubomir Popov, de 41 anos, é músico profissional e compõe a Orquestra Filarmônica de Goiás. Na capital há cinco anos, ele explica que a profissão e “os ares de cidade grande com cara de interior” foram responsáveis por sua escolha. “Quando cheguei ao Brasil, morei primeiro em Cuiabá e Rio de Janeiro, mas gostei mesmo foi de Goiânia, pela tranquilidade, pelas oportunidades e pela arborização, que lembra minha cidade natal.”

O professor de idiomas Peter Reimather, um alemão de 55 anos, adotou a capital em 1987. Ele veio assistir a uma corrida de motos e decidiu ficar. “É uma cidade boa para se viver e que vem crescendo muito junto com as oportunidades”, frisa.

Fonte: Jornal O Hoje