6 de outubro de 2014

Deputados Estaduais: 25 estreantes na Assembleia


Renovação chegou a 60%, índice maior que em 2006 e 2010. PMDB perdeu espaço e elegeu só cinco

O porcentual de renovação dos ocupantes das cadeiras na Assembleia Legislativa é o maior dos últimos anos. Dos 41 deputados estaduais eleitos ontem, 25 não disputavam reeleição, caracterizando 60% de renovação no Parlamento goiano.

O índice é maior do que em 2006 e 2010, quando, respectivamente, 43,9% e 48% dos eleitos eram estreantes.

Candidato à reeleição, o governador Marconi Perillo (PSDB) ampliou sua influência na Assembleia, elegendo mais uma vez o maior número de deputados estaduais. Das 41 cadeiras na Assembleia, 27 serão ocupadas por parlamentares filiados aos 16 partidos que compõem sua aliança.
O tamanho de sua bancada é maior do que a formada ao fim do primeiro turno em 2010. Há quatro anos Marconi elegeu 22 deputados.

Entre os apoiadores do tucano está Mané de Oliveira (PSDB), eleito para o primeiro mandato com 62.522 votos, se tornando o deputado estadual mais bem votado nestas eleições (leia reportagem nesta página).

Apesar da ampliação da bancada, o partido de Marconi perdeu uma cadeira na Assembleia, caindo de oito eleitos em 2010 para sete neste ano.

A aliança que sustenta a candidatura de Iris Rezende (PMDB) ao governo estadual, formada por sete partidos, elegeu oito deputados estaduais. O número é menor do que o de 2010, quando o peemedebista conseguiu eleger 12 parlamentares.

Perda de espaço

O PMDB também perdeu espaço. A sigla elegeu oito parlamentares em 2010. Neste ano, foram apenas cinco eleitos, entre eles Paulo Cesar Martins, o segundo mais bem votado com 54.629 votos.
Um dos fatores para a redução foi a ausência do PT na aliança irista. O partido lançou a candidatura do ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT), e conseguiu manter as quatro cadeiras que tinha.
Apesar da manutenção da bancada, o partido terá duas caras novas na Assembleia nos próximos quatro anos. Adriana Accorsi foi a quinta mais bem votada (43.424) e o estreante Renato de Castro obteve 23.219 votos.

Dois deputados

Candidato ao governo pelo PSB, Vanderlan Cardoso elegeu só dois deputados. Sua aliança, composta por três partidos, terá Simeyzon Silveira (PSC), que era suplente na legislatura passada e assumiu mandato nos últimos dois anos, e Major Araújo (PRB), que conseguiu se reeleger.

Segurança elege candidatos

Os eleitores de Goiânia deram preferência a candidatos que defenderam em suas campanhas bandeiras relacionadas com a segurança pública.

Deputado estadual mais votado em todo o Estado, Mané de Oliveira repetiu a façanha em Goiânia, onde conseguiu 44.514 votos. O parlamentar eleito, pai do cronista esportivo Valério Luiz, morto a tiros em 2012, defendeu a segurança como principal bandeira.

A segunda maior votada na capital também tratou o assunto como prioridade em sua campanha. Delegada, Adriana Accorsi (PT) chegou a ser delegada-geral da Polícia Civil e conseguiu 31.528 votos na capital.

O terceiro mais votado em Goiânia foi o vereador Virmondes Cruvinel (PSD). O deputado eleito obteve 19.075 votos em Goiânia.

Dois deputados eleitos são ligados a Cachoeira

Dois candidatos a deputado estadual eleitos ontem são ligados a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ex-chefe de gabinete do governador Marconi Perillo (PSDB) e demitida em 2012 por suspeito de envolvimento com o empresário, Eliane Pinheiro (PMN) obteve 19.778 votos. Ex-vereador que chegou a ser punido pela Câmara de Goiânia pelo mesmo motivo, Santana Gomes (PSL) alcançou 12.674 votos.

A vitória dos dois candidatos foi comemorada ontem por Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, através de suas redes sociais. Ela postou na sua conta no Instagram uma montagem com as fotos de Eliane e Santana. “Parabéns aos amigos pela vitória com ‘sabor de mel’... tem sabor de mel”, comentou.

O deputado federal Carlos Alberto Lereia (PSDB), que teve o mandato suspenso pela Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar por conta da relação com Cachoeira, não conseguiu se eleger para a Assembleia Legislativa. O tucano obteve 23.190 votos.

Friboi diz que Marconi é “melhor opção”

O empresário Júnior Friboi, que tentou disputar o governo estadual pelo PMDB mas renunciou ainda na pré-campanha diante da queda de braço com Iris Rezende, afirmou ontem que o PMDB não irá ganhar as eleições porque é “despreparado”. Ele criticou a forma como o partido se colocou na disputa e afirmou que Iris não representa renovação.

“Não houve renovação. Iris não cumpriu comigo o combinado (de deixá-lo ser candidato) e durante toda a campanha se preocupou apenas em atacar o adversário, se esquecendo de apresentar propostas. O povo vai escolher a melhor opção, que é o governador (Marconi Perillo, PSDB)”, afirmou.

Mesmo apontando o tucano como o melhor candidato, Friboi disse que Marconi cometeu um grande erro ao permitir que o governo se envolvesse em “um escândalo de repercussão nacional”. O empresário se refere ao caso envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira.

Júnior disse que não pensa em deixar o PMDB e que pretende ser candidato a governador em 2018. “Não se pode dizer nunca. O importante é saber recuar dois passos para voltar no momento oportuno”.

Mané de Oliveira fala em recado das urnas

O candidato mais bem votado para ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa, o cronista esportivo Mané de Oliveira (PSDB) afirmou que o resultado das urnas foi um recado para as autoridades em relação à impunidade. Suas principais propostas são em relação à segurança pública e ele acredita que os mais de 60 mil votos divulguem e ajudem seus projetos.

Em julho de 2012, seu filho Valério Luiz foi assassinado na porta da rádio em que trabalhava. Após o episódio, Mané de Oliveira levantou a bandeira de luta contra a impunidade e tentou ser mais uma vez deputado estadual em Goiás (ele foi derrotado na campanha de 2006). Mané não só conseguiu, como foi o candidato com mais votos na história do Estado.

Ao falar com a reportagem, o cronista esportivo não aparentava estar eufórico com o resultado. De acordo com ele, os votos em seu nome não eram de protesto, mas um recado contra a violência, impunidade e injustiça. O candidato eleito declarou que contará com a ajuda do seu neto, Valério Luiz Neto, para levar as propostas para frente.

A principal bandeira levantada por Mané em sua campanha foi da luta contra a violência. Segundo ele esses continuarão sendo seus ideais. “Lutar contra o banditismo, a favor de famílias que tiveram problemas como o nosso, contra a violência doméstica e ajudar nossas crianças na escola e na família são os meus objetivos”, afirmou o tucano.

Mané também atribui parte de seus votos aos simpatizantes de esportes e admite que ele tem uma grande responsabilidade com essa área.

O candidato vitorioso fez a campanha praticamente sozinha e focou principalmente na capital. Nas redes sociais Mané se mostrou empolgado com o resultado. Ele agradeceu os votos, disse que Deus era justo e que lutaria contra a impunidade.

HISTÓRICO

Com 74 anos de idade, 50 deles se dedicando à crônica esportiva, Mané de Oliveira já foi eleito deputado estadual em 1986 e tentou chegar a Câmara dos Deputados em 2006, 20 anos depois de sua primeira vitória política. Ele conseguiu mais de 24 mil votos mas não foi o suficiente para chegar ao Congresso Nacional.

Fonte: Jornal O Popular (Caio Henrique Salgado)