14 de outubro de 2014

Capital precisa de 134,3 km de ciclovias


Com apenas 5,7 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas em Goiânia, especialistas dizem que espaços ainda são pouco usados pela população

Para que Goiânia possa a ter um transporte dito sustentável será preciso, no mínimo, mais 134,3 quilômetros de ciclovias e outras mudanças importantes em suas vias públicas. Quem afirma são especialistas ouvidos pelo O HOJE e que questionou por que os meros 5,7 quilômetros de vias específicas para bicicletas são pouco usados pela população.

Segundo Eduardo da Costa Silva, coordenador do Pedal Goiano, grupo que, além de realizar atividades de ciclismo na capital, também encabeça uma luta de conscientização da população contra o uso excessivo de veículos automotores, a capital precisa de mais 140 quilômetros de ciclovias urbanas, que, segundo ele, estão previstos no Plano Diretor da cidade, mas até agora só existem 5,7 quilômetros: 3,2 na T-63 e 2,7 na Avenida Universitária. “Nós estamos há quatro anos cobrando ciclovias, mas a principal justificativa sempre é a econômica”, lamenta Eduardo.

Para o coordenador na região Centro-Oeste da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Antenor Pinheiro, a capital “está aquém das grandes metrópoles do País”, no que diz respeito à mobilidade urbana. “Nós estamos atrasados pelos menos 20 anos em relação a outras grandes cidades do mundo, inclusive na América Latina”. Pinheiro elogia as duas ciclovias existentes na capital, mas aponta falhas no sistema. “Não basta construir a estrutura, precisa-se implantar políticas de gestão, estímulo de uso das ciclovias e integração com outros transportes ”, afirma.

Para a doutora em transportes e professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Goiás (UFG), Erika Cristine Kneib, o sistema, para que funcione, precisa de planejamento. “Para aderir ao sistema, o usuário precisa se sentir seguro; é necessária também a construção de paraciclos (estacionamento ao ar livre), bicicletários e a integração com outros transportes coletivos”, pontua.

Usuários

Leonardo dos Santos Silva, 18 anos, é funcionário de uma empresa de conservação e serviços de limpeza, do Parque Anhanguera e, todos os dias percorre de bicicleta os 3,2 quilômetros de ciclovias da Avenida T-63 até o Setor Nova Suíça. Ali ele deixa o trecho seguro e disputa espaço entre carros e motocicletas até chegar à sua casa no Parque Amazonas, totalizando pouco mais seis quilômetros de pedal. “Ajuda bastante, mas o percurso é curto; também falta fiscalização, pois se não tivermos cuidados batemos em pedestres”, disse à reportagem do O HOJE.

O eletricista Jaisima Alves dos Reis, de 38 anos, percorre todos os dias de sua casa no Setor Solange Parque, até o Nova Suíça, cerca de 30 quilômetros para ir e voltar ao trabalho, mas apenas pouco mais de 1% desse percurso em ciclovia. “A pista termina do nada na Praça do Setor Nova Suíça; lá estão plantando gramado agora, mas não precisamos de grama, a ciclovia deve continuar”, exige.

Prefeitura garante investimentos em mobilidade

Por meio de nota, a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) informou que a área de mobilidade urbana na capital já tem garantido investimentos de mais de R$ 145 milhões oriundos do governo federal, por meio do programa PAC-Pacto pela Mobilidade. Prevê a implantação de corredores preferenciais de ônibus e trechos cicloviários totalizando cerca de 40 quilômetros nas avenidas T-7, T-9, 85, Avenidas Independência e 24 de outubro e T-63, onde haverá a complementação do corredor e ciclovia.

Paradigma

De acordo com a analista em obras e urbanismo da CMTC, Edney Bernardes de Paiva, a Prefeitura tem se esforçado no sentido de ganhar tempo e implantar medidas e infraestrutura para organizar o sistema de transportes na capital. “Estamos debatendo o sistema de transportes há um bom tempo, mas não o suficiente para deixá-lo organizado como pretendemos”, afirma. Ela diz que a Prefeitura tem um duro trabalho pela frente para que o sistema cicloviário seja absorvido pela população da capital. “Trabalhamos para a bicicleta ser transporte de lazer, esporte e veículo, mas para isso acontecer precisamos quebrar paradigmas e formar uma cultura até chegarmos ao objetivo”.

Edney também explica que a organização do trânsito e a implementação do sistema de ciclovias é um caminho sem volta, já que é uma exigência do Governo Federal por meio do Ministério das Cidades. “Até 2015 todos os municípios do Brasil deverão estar com o seu Plano de Mobilidade Urbana desenvolvido e esse projeto contempla corredores de ônibus, ciclovias, e pontos estratégicos para completar viagens como bicicletários e paraciclos”, informa.

Fonte: Jornal O Hoje