22 de setembro de 2014

Trem de passageiros que ligaria Luziânia ao DF está longe de sair do papel



Os ônibus semiurbanos, que fazem trajetos entre as cidades do entorno do Distrito Federal e Brasília, são a única opção de mobilidade para 78 mil passageiros, que, diariamente, se deslocam das cidades goianas para trabalhar na capital federal. Um levantamento da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) mostra que, por mês, mais de 2 milhões de pessoas utilizam o sistema, pagando tarifas que variam de R$ 2,45 a R$ 4,60, dependendo da distância.

Enquanto enfrentam a mesma rotina ano após ano, os moradores da região esperam uma promessa antiga, a reativação do trem de passageiros, que ligaria Luziânia a Brasília. Os boatos de que um dia a linha, vista da rodovia, amenizaria a saga de quem madruga em paradas em ônibus, são antigos.

— Faz muitos anos que o povo diz que essa linha de trem vai voltar a funcionar, o povo vive dizendo que vai melhorar muito e a agente espera, diz Manoel Siqueira, comerciante de Valparaíso (GO).

A auxiliar administrativo, Ediene de Jesus Silva (33), mora em Luziânia (GO), um dos municípios do entorno Sul mais afastados do Distrito Federal. De segunda a sexta, percorre 90 km no trajeto para ir e voltar do trabalho, na Esplanada dos Ministérios, área central de Brasília. Quatro das 24 horas do dia são dedicadas ao deslocamento entre sua casa e o emprego. Os veículos que transportam Ediene e outros milhões de moradores do entorno deveriam rodar por, no máximo, sete anos, mas tem um tempo de vida inestimado até pelos órgãos públicos.

— Uma vez ele [o ônibus] parou de funcionar no meio do caminho, foi até o posto [posto de gasolina], o motorista disse que faltava combustível e tivemos que descer e ir até a BR [BR 040, principal ligação entre o DF e o Entorno Sul] e pegar outra condução.

Alternativa para a melhora da mobilidade, a reativação da linha passou de boatos a coisa séria, mas não há nenhuma garantia de que o trem entre nos trilhos. Em janeiro deste ano, o governo federal autorizou a contratação de um estudo técnico que vai concluir se é possível a utilização da linha, atualmente de cargas, para o transporte de pessoas. A conclusão sai em março do ano que vem.

A ideia inicial é beneficiar 6 mil passageiros todos os dias, com a implantação de cinco estações entre Luziânia e a antiga Rodoferroviária do Distrito Federal. O professor de Engenharia Civil da Universidade de Brasília diz que o trem é uma possbilidade a mais para os habitantes da região, mas a linha atual apresenta alguns problemas.

— Como a linha é hoje, permite que o trem desenvolva uma velocidade entre 20 e 30 km. Além disso, a traçado torna o caminho muito longo. O ideal é um projeto paralelo à rodovia.

Apesar da burocracia para a concepção do novo meio de transporte, a linha já operou na mobilidade de passageiros. O antigo Trem Bandeirante, parte da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), antes de ser privatizado, levava passageiros de Brasília a São Paulo, passando pelo interior de Minas Gerais e Goiás.

Em 7.220 quilômetros de extensão, a ferrovia passa por 316 municípios em sete estados brasileiros (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe, Goiás, Bahia, São Paulo) e no Distrito Federal. Atualmente, a FCA se destaca como um importante corredor logístico de carga geral.

Os trilhos passam por Luziânia (GO), contorna Valparaíso (GO) e a Cidade Ocidental (GO), mas no transporte de cargas. No DF, ela passa por outras oito regiões administrativas e termina na antiga Rodoferroviária. A estação que já serviu para embarque e desembarque de pessoas, hoje é relíquia em Luziânia (GO) e fica em propriedade rurais privadas do município.

Enquanto o projeto não sai do papel, a ANTT prevê a realização de uma licitação, em outubro, para a contratação de quatro novas empresas de ônibus para operar na região a partir de fevereiro do ano que vem. A ideia é aumentar o número de veículos de 765 para 1.405. Esta será a primeira licitação de transporte para o entorno desde 1988.

Fonte: R7 DF