19 de setembro de 2014

Com VLT, Goiânia entra no século 21


Parceria-público-privada que custará ao poder público (União e Estado de Goiás) e iniciativa privada R$ 1,3 bi, o Veículo Leve sobre Trilhos, a ser construído, em 24 meses, na Avenida Anhanguera, entre o Jardim Novo Mundo e o Terminal Padre Pelágio, pagará as 187 desapropriações de imóveis em dinheiro, ao preço de mercado. É o que garante ao Diário da Manhã o economista Ricardo Jayme, 47 anos de idade, presidente do Grupo Executivo de Implantação do VLT em Goiânia.


Não há motivos para temor dos proprietários.

A ordem de serviço, que pode ser assinada em janeiro de 2015, requer o cumprimento de três pré-requisitos, revela. O primeiro é a desapropriação de apenas 187 de um total de cinco mil imóveis que em volta de toda a região. A obra terá uma extensão de 13,6 quilômetros, frisa. Registros: serão instalados cinco terminais de embarque e 12 estações, estes últimos terminais de alimentação para os ônibus. O projeto é integrado ao sistema de transporte metropolitano, afirma ele.


As licenças ambientais da obra já foram obtidas, expedidas em janeiro de 2014, pela Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma). A licença de instalação dos canteiros de obras foram protocolados em agosto.

A terceira exigência para a execução do moderno projeto do VLT é a garantia financeira, observa. O projeto é uma parceria-público e privada, explica Ricardo Jayme. Os recursos são oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de R$ 205 milhões, da União, além de R$ 600 milhões do Estado de Goiás e R$ 500 milhões da iniciativa privada, a Concessionária Mobilidade Anhanguera, um consórcio formado entre a Odebrecht e a Sitpar (Empresas de ônibus de Goiânia).

Vistoria

A fase do projeto, hoje, é o da vistoria dos imóveis para que se possa fazer uma avaliação técnica e estabelecer o valor de mercado para uma futura negociação, explica o gerente do Grupo Executivo. “Depois da avaliação, um por um dos 187 proprietários serão convidados para negociar valores com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-GO). O pagamento não será com precatórios, garante. “Mas à vista, em dinheiro”, informa ao jornal Diário da Manhã.


A desapropriação e o pagamento não ocorrerão a toque de caixa! O governo do Estado tem sensibilidade com os proprietários e comerciantes. 
Técnicos do projeto realizam também, paralelamente, estudos de impacto de vizinhança e de impacto de trânsito. Eles avaliarão as interfaces da obra e do empreendimento, sobretudo no entorno dos terminais, no trânsito da Avenida Anhanguera e adjacências, relata. “Assim como farão ainda estudos com pesquisas com a população”, aponta, empolgado. Para que o projeto contemple a minimização dos impactos e a maximização dos benefícios do empreendimento, destaca.


A preocupação do governo do Estado é fazer a obra com o mínimo de impacto possível com a população, os comerciantes, a vizinhança e o trânsito.

Preto no branco: o Veículo Leve sobre Trilhos de Goiânia substituirá o BRT (Bus RapidTransport), atual modelo da Avenida Anhanguera, com 12 estações, cinco terminais de integração com ônibus, frota de 30 trens, todos com ar-condicionado, nível de solo para facilitar o embarque de portadores de necessidades especiais, idosos e crianças, assim como terá um baixo nível de ruído. “Não é poluente, é rápido, transportará 600 passageiros por trem ao preço da tarifa atual do eixo: R$ 1,40”, atira.


Por dia, 240 mil

O projeto do VLT trará um novo paisagismo para a Avenida Anhanguera, conta, bem-humorado, Ricardo Jayme. “Hoje decadente, principalmente na região de Campinas”, dispara. Mais: a obra prevê calçadas padronizadas em todo o trecho, faixa de veículos reformadas, lixeiras e bancos. “Oito praças serão recuperadas e todo o eixo onde irá transitar o VLT vai ser gramado visando, além do novo paisagismo, a redução das ilhas de calor”, confidencia ele, animado.


O trecho será todo drenado. Para que não ocorra alagamentos, sobretudo na área próxima ao Lago das Rosas.
O VLT carregará 600 pessoas por viagem. O que corresponde a oito ônibus comuns. Detalhe: com uma capacidade de 300 carros. Ele é projetado para seis passageiros por metro quadrado (M2). Ricardo Jayme faz o contraponto e revela que o metrô de São Paulo (SP) carrega até 14 pessoas por metro quadrado. O conforto, em Goiânia, será muito maior, insiste. O VLT é um dos veículos de transporte mais utilizados no mundo, hoje, em cidades do porte de Goiânia, fuzila.

No Brasil

No Brasil, o VLT está sendo implantado no Rio de Janeiro, em Santos (SP) e Cuiabá (MT).


“Trata-se de um sistema moderno, confiável, confortável e pontual”, afirma. Ele lembra que nos horários de pico o intervalo entre os trens será de apenas três minutos. “Um diferencial na cidade de Goiânia e na Região Metropolitana, onde já se vê, a partir de sábado, a extensão do Eixo Anhanguera para os municípios de Trindade, Senador Canedo e Goianira, política adotada pela Metrobus, que é a empresa que opera o eixo na Capital”, analisa o gestor da obra.


A estratégia é oferecer um transporte público de massas de qualidade. Com isso, evitar a circulação de mais veículos nas ruas e melhorar a mobilidade urbana.

Com o projeto do VLT nas mãos, o executivo Ricardo Jayme informa ao Diário da Manhã que a obra foi planejada para ser executada por etapas. “O Plano de Ataque, início das obras, será no Jardim Novo Mundo, onde se concentrará a oficina, o centro operacional, o pátio e a sede da concessionária. Ele será no sentido Praça A. Progressivamente”, observa. Já a segunda frente de trabalho irá da Praça A ao Terminal do Padre Pelágio, frisa.


Onde serão construídos, modularmente, quarteirão por quarteirão. Fecha-se um quarteirão e executa-se a obra e assim por diante...

A obra do VLT em Goiânia foi planejada para não impedir, em momento algum,o acesso dos clientes às lojas, garante.  O VLT vai virar um passeio turístico na Capital, comemora. Trata-se de uma mudança cultural, de conceitos, no transporte, avalia. Segundo ele, haverá também uma ciclovia no trecho. Os terminais, como na Europa, terão bicicletários, adianta. Além disso, o projeto prevê a criação de bolsões de estacionamento para veículos.


Para que o usuário deixe seu carro no local, use o VLT, resolva as suas atividades, volte ao bolsão e não congestione o trânsito mais ainda. 

24 meses

O presidente do Grupo Executivo de Implantação do VLT em Goiânia, Ricardo Jayme, informa que, no auge da obra, 2.500 empregos diretos serão gerados, além de mais 600 na operação do sistema. O projeto prevê um prazo de 24 meses para a sua execução. Registro: os trens serão 100% de fabricação nacional. A estimativa para a assinatura da ordem de serviço é de janeiro de 2015.

Saiba Mais

Entenda o que é o VLT

VLT – É o Veículo Leve sobre Trilhos.

Extensão – 13,6 quilômetros na Avenida Anhanguera

Meio ambiente – Não polui, baixo nível de ruído e vegetação ao longo da via

Números – Cada VLT pode retirar oito ônibus ou 300 carros das ruas.

Concessão- Parceria-Público-Privada

Duração: 35 anos (Dois anos de obras e 33 anos de operação)

Investimentos – Público: R$ 800 milhões. Privado: R$ 500 milhões. Total: R$ 1,3 bi

Benefícios: 2.500 empregos diretos na obra e 600 na operação.

Revitalização: A avenida será repaginada, novo paisagismo, oito novas praças recuperadas, sistema de drenagem, calçadas padronizadas, faixas de veículos reformadas, bancos remodelados

Acessibilidade: conforto, confiança, segurança e pontualidade.

Fonte: Grupo Executivo de Implantação do Veículo Leve sobre Trilhos - DM