23 de setembro de 2014

Adequações no autódromo e valor alto barram MotoGP


Circuito em Goiânia passa por vistoria de promotores do Mundial e laudo deve sair em 15 dias. Para receber novamente a prova, Goiás tem de pagar cerca de R$ 18,5 milhões

Em negociação para trazer para Goiânia a MotoGP – o Campeonato Mundial de Motovelocidade –, o governo do Estado, que está à frente do projeto, esbarra em adequações exigidas pela empresa promotora do evento (Dorna Sports) e pela Federação Internacional de Motociclismo (FIM). A primeira vistoria no autódromo goiano já foi realizada e o resultado deve sair em 15 dias.

Para voltar a receber a prova na capital goiana – que já sediou corridas do Mundial em 1987, 88 e 89 –, é necessário desembolsar 6 milhões de euros (cerca de R$ 18,5 milhões). Além do valor, os organizadores da MotoGP exigem mudanças na estrutura do autódromo. O presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, responsável pela administração do circuito, disse ontem que há disposição de fazer alterações porque o local “não carece de adequação profunda”.

Quanto aos R$ 18,5 milhões de custo, a ideia inicial, segundo o supervisor de gestão e planejamento e finanças da Secretaria de Estado Indústria e Comércio (SIC), Leonardo Jayme, é encontrar patrocinadores para bancar a prova. “Achamos um valor alto. Estamos imaginando que a empresa organizadora do evento (localmente) conseguirá patrocínios para arcar com esse custo”, explicou.

O primeiro passo para a homologação do autódromo, de acordo com os parâmetros internacionais, ocorreu no começo de setembro. O circuito recebeu o diretor de segurança de grandes prêmios da FIM, o italiano Franco Uncini, responsável pelo aval dos autódromos que entram no calendário do Mundial e pelo diretor da área de eventos da Dorna, Javier Alonso.

A análise preliminar é que o autódromo necessita de correções. As áreas de escape terão de ser ampliadas, os guardrails precisam do dobro da altura atual e caixas de brita para diminuir o impacto, em caso de queda dos pilotos, terão de ser instaladas. As zebras também têm de ter o modelo específico e uma inclinação adequada.

Abrigar o MotoGP exigiria ainda uma estrutura móvel para atender à imprensa, porque a sala atual foi considerada pequena. Em contrapartida, boxes, estacionamento, arquibancadas e a forma de entrada do público no autódromo, que pode ser feita por vários setores, foram elogiados.

BARROS

O piloto Alexandre Barros, que correu no Mundial por 21 anos, acompanha de perto os procedimentos, que podem resultar no retorno da categoria ao País após mais de uma década. Sua participação no processo é um pedido do chefe-executivo da Dorna, Carmelo Ezpeleta. “O interesse para as coisas acontecerem é grande”, relatou Alexandre, que lembrou a importância do mercado brasileiro para o ramo de motocicletas.

De acordo com o piloto, a atualização dos autódromos que recebem o Mundial é constante. “Goiás é quem oferece o melhor circuito do Brasil em questão de segurança e infraestrutura”, assegurou o ele, que veio a Goiânia no fim de semana para o Brasileiro de Motovelocidade.

Ele disse que o acerto frustrado para que uma etapa da MotoGP ocorresse em Brasília este ano deixou as instituições internacionais mais temerosas quanto à organização de corridas em território nacional. “Só virá (a prova) da forma certa. Eles têm 18 GPs e 8 ou 9 países na fila para ter o evento.”

Para especialistas, pista não é estruturada para motovelocidade

Para especialistas, as exigências estruturais para receber a MotoGP no autódromo de Goiânia seriam menores se a reforma do local tivesse sido acompanhada pela Confederação Brasileira de Motociclismo (CBM) e pilotos de motovelocidade. “Um circuito feito para motocicleta funciona para carro. O contrário, não”, conta Alexandre Barros, ex-piloto do Mundial.

Segundo o vice-presidente da CBM, Roberto Boettcher, que está à frente da Federação Goiana de Motociclismo, a entidade só foi acionada no final da obra. “O processo para fazer a pista foi feito com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). A CBM não foi convidada hora nenhuma”, frisou .

Já Lincoln Duarte, que foi vice-presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) por 4 anos, considera que “houve falha das entidades ligadas ao esporte (a motor) para dar subsídio ao governo e a empreiteira” na execução da última obra do autódromo. Segundo ele, para recepcionar o Mundial de Motovelocidade, a área de escape da curva 1, no final da reta, teria de ser ampliada em 40 metros.

O presidente da Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop), Jayme Rincón, responsável pelo circuito, considera que as ponderações são parte da “briga eterna de motociclismo com automobilismo.” Porém, a Stock Car também pediu pequenas alterações ao fazer provas na capital. Rincón exaltou que o autódromo foi homologado por CBM e CBA e “tem condições de receber qualquer evento nacional.”

Irregularidade no asfalto recebe críticas

A reforma geral do autódromo de Goiânia custou R$ 57 milhões ao governo do Estado. O circuito foi entregue, em junho, com uma prova da Stock Car. Mas, o local recebe críticas de pilotos, nos bastidores, pelas irregularidades na nova pista, os chamados bumps. O problema é sentido, em maior intensidade, por quem conduz motocicletas.

O argentino Luciano Ribodino, que participou no final de semana da 5ª etapa do Moto 1000GP – Campeonato Brasileiro de Motovelocidade –, foi um dos poucos a esboçar decepção sobre o autódromo, cotado para sediar a MotoGP. Ao lembrar do circuito Termas de Río Hondo, palco da etapa argentina, ele confessou que “esperava mais” do circuito de Goiás.

“Para o Brasileiro, a pista é boa. Comparativamente aos outros autódromos, o nível é melhor em termos de segurança e áreas de escape”, amenizou Ribodino, que faz sua terceira temporada no País.
Durante o Superbike Series, em agosto, os comentários negativos ficaram por conta dos mecânicos, que não souberam enumerar os locais de instabilidade. Depois da reinauguração, em junho, a pista do autódromo sofreu três remendos por causa de bumps indicados por pilotos da Stock Car.

Fonte: Jornal O Popular (Paula Falcão)