16 de agosto de 2014

Vila Cultural: Privilegiada, mas desconhecida


Vila Cultural, inaugurada há dez meses, sofre da falta de divulgação e até agora não somou na revitalização do Centro

Enquanto letras e palavras deslizam por uma tela, o visitante tenta tocá-las por meio de sua sombra para completar o poema. A interatividade, exigência de uma era digital que não tem mais volta, é o grande diferencial da exposição 80 anos de Goiânia, ainda em cartaz na Vila Cultural Cora Coralina, anexo ao Teatro Goiânia, no Centro. O espaço completará um ano de funcionamento no dia 31 de outubro, com a proposta de ser mais uma possibilidade de entretenimento e de revitalização do Centro da cidade. Desde esta data até a última terça-feira, 5 de agosto, o número exato de visitantes era de 3.779 pessoas. É bem verdade que muitos não assinam o livro de presença, mas a pouca visitação e divulgação são consenso entre diferentes públicos.

“O espaço tem capacidade e pessoal para receber centenas de pessoas por dia. Infelizmente, ainda é pouco conhecido, pois falta visibilidade e divulgação na mídia”, lamenta Deolinda Taveira, superintendente de Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Cultura do Estado de Goiás (Secult-Goiás), atualmente o órgão responsável pela Vila Cultural. O local abriga dois espaços para exposição — um salão principal e outro menor, a sala Antônio Poteiro; a sala multimídia João Bênnio – espécie de miniauditório com capacidade para 50 pessoas; o Espaço Sebrae de Artesanato, que ainda não foi ocupado, e o Centro de Atendimento ao Turista (CAT). O investimento foi de R$ 12 milhões.

A Vila Cultural funciona de terça a sexta-feira, das 8 às 17 horas, e aos sábados e domingos, das 9 às 16 horas. O horário também é considerado um entrave, especialmente nos fins de semana. “A intenção é ampliar e, inclusive, acompanhar os eventos realizados no Teatro Goiânia como forma de ‘chamar’ o público”, acrescenta a superintendente. O projeto original previa uma cafeteria e uma biblioteca – no salão principal – que ainda não foram implementadas. Segundo Deolinda, o que o órgão está propondo é uma biblioteca com acervos digitalizados ao invés de livros para manusear. A concretização de ambos pode ajudar a atrair mais gente.

Chuva de palavras

“Muitas pessoas que trabalham no centro da cidade procuram pela biblioteca no horário de almoço”, conta Fernanda Seabra, assistente de gestão administrativa na Secult-Goiás. Ela acrescenta que há mais movimento durante a semana do que aos sábados e domingos, quando o Centro da cidade fica mais vazio. A Vila Cultural tem em seus quadros estagiários do curso de Museologia, da UFG, que coordenam as visitas guiadas. Juliana Carvalho é uma delas e está na Vila desde a abertura. “O espaço é inovador e, certamente, vai mudar o conceito de museu que as pessoas têm”, acredita a jovem, para quem a exposição ainda em cartaz merece ser visitada pela interação e a riqueza de detalhes sobre a história de Goiânia.

Na exposição sobre as oito décadas da cidade dividida em cinco temas: Arquitetura/história, Gastronomia, Cultura, Natureza e Pessoas, há brincadeiras lúdicas e interativas, como a chuva de palavras, telões de multiprojeção, totens e vitrines que expõem elementos do cotidiano e outros tradicionais. “Recebemos muitas escolas públicas e particulares, porém o público, em geral, ainda é pequeno”, ressalta a assistente Fernanda. A Secult-Goiás pretende intensificar neste segundo semestre as ações educativas para atrair mais escolas e, consequentemente, seus familiares. Grupos de idosos também têm estado entre os visitantes. A tecnologia das salas de exposições é muito interessante, e ao mesmo tempo envolvente.

O administrador Júnior Silva, 30 anos, visitava a mostra no dia em que esta matéria foi feita. Ele e um colega eram os únicos visitantes no início da tarde. O rapaz, que trabalha no Centro da capital, aproveitou para conhecer o espaço. “Gostei muito da exposição, achei completa, com muita informação. Nunca havia visto um evento assim, dinâmico. Também gostei muito do lugar, que me deixou uma ótima impressão”, disse. A escassa movimentação dá mesmo a impressão de que falta algo mais para que a Vila Cultural Cora Coralina passe a integrar as opções de lazer das pessoas. No livro de sugestões que fica à disposição do público na entrada do salão principal a palavra “divulgação” aparece em muitos comentários. Nos próximos dias, quem passar pelo local também responderá a uma pesquisa de satisfação.

O espaço no nível da rua, onde está o acesso ao elevador panorâmico para os portadores de necessidades especiais, pode ajudar. O que antes era uma praça virou travessia concretada para os transeuntes, mas com um pouco de criatividade e boa vontade do poder público pode ser uma ponte para a Vila Cultural. A disponibilidade do local para eventos itinerantes com apresentações artísticas ao ar livre durante a noite pode ajudar a atrair gente para o centro que está desvalorizado. “A praça precisa integrar”, destaca a superintendente de Patrimônio Histórico e Artístico da Secult-Goiás. Ela ainda lamenta a mentalidade de muitas pessoas que visitam os museus no exterior, mas nem sempre se dão a oportunidade de conhecer o acervo histórico da própria cidade.

Fonte: Jornal O Hoje (Jaísa Gleice)