11 de agosto de 2014

Obras paralisadas: Marcas do tempo e do descaso


Em Goiânia, existem diversas construções públicas paralisadas. São inúmeros os casos em que a falta de agilidade aliada à incompetência atrasa conclusão das obras

A morosidade que envolve os processos de elaboração do projeto, a licitação, a execução e a entrega da obra é de praxe no Brasil e também no Estado de Goiás. “Faltam planejamento, projetos melhores que evitem os termos aditivos de serviços, orçamentos que contemplem todos os itens necessários bem como um cronograma detalhado com etapas e prazos definidos”, enfatiza o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon-GO), Carlos Alberto Moura, que também integra o Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente em Goiânia existem inúmeras obras públicas paradas por causa da burocracia aliada à falta de agilidade do poder público, que, muitas vezes, elege empresas sem competência suficiente para realizar a construção.

Isso acontece, inclusive, com as extensas etapas de concepção, viabilidade técnica, econômica e ambiental, projeto e implantação. “Um dos principais problemas é que existem projetos sem compatibilização e especificações. E, quanto mais aumenta o prazo, maior é o prejuízo. Os governantes deveriam evitar desperdício de dinheiro público”, ressalta o presidente do Sinduscon.

Caos

Durante a semana passada, a equipe de reportagem de O HOJE visitou cinco obras que estão paralisadas na capital. Entre elas está o Projeto Urbano Ambiental Macambira-Anicuns (Puama), que prevê a construção de um parque com cerca de 24 quilômetros de extensão nas regiões oeste e norte. Licitada em 2012 por R$ 210 milhões, a obra chegou a ser iniciada, mas a construtora responsável pediu revisão dos valores, o que não foi aceito pela Prefeitura, resultando na desistência da empresa e na paralisação do projeto.

Se for concluído, o Macambira-Anicuns será o maior parque linear da América Latina. “No momento, o processo está na Controladoria Geral do Município para a certificação. Uma vez certificado, o passo seguinte é a emissão da ordem de serviço para início das obras. Nossa expectativa é que isto ocorra ainda este mês. Foi realizado um novo processo licitatório e, se tudo correr conforme o previsto no contrato, as obras serão entregues em setembro de 2016”, explica o coordenador do projeto, Nelcivone Melo.

No Jardim Marques de Abreu, o que preocupa e causa revolta entre os moradores da região é a paralisação das obras da nova sede do Colégio Estadual Benedito Lucimar Hesketh Silva, que estão emperradas há mais de quatro anos por causa da rescisão contratual da empreiteira que estava realizando a construção.

A empresa apresentou problemas na execução do projeto arquitetônico e, com isso, foi desligada da função. A Secretaria de Educação do Estado (Seduc) está realizando uma análise do edital e o processo de licitação está em andamento para a conclusão da obra. Porém, ainda não foi estipulado prazo para conclusão.

Obras da Marginal Cascavel começaram há 23 anos 

Outro problemão é a construção da Marginal Cascavel. Iniciada há 23 anos, a obra parou antes da metade do caminho. A via, que deveria ligar a Avenida Rio Verde, em Aparecida, à Avenida Leste-Oeste, em Goiânia, até agora foi construída somente da Avenida Castelo Branco à Avenida C-4. O que ajudaria muito a desafogar o trânsito na região embarga na burocracia, ineficiência e escândalos.

A última empreiteira que assumiu a obra foi a Delta Construções, envolvida no caso do contraventor Carlinhos Cachoeira. Com isso, o contrato da Prefeitura com a empresa foi suspenso e até o momento nenhuma empresa foi licitada para retomar o projeto. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Obras (Semob) não soube informar como estão os procedimentos nesse sentido.

Já na região leste, a vítima da vez foi a construção do Centro de Atendimento Integral à Saúde (Cais) do Conjunto Riviera. Parada há mais de dois anos, a construção, orçada em mais de R$1,2 milhão, estava prevista para ser entregue em outubro de 2013, mas parou depois que a empresa responsável desistiu do procedimento.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que já foi feita uma nova licitação e as obras devem ser retomadas ainda neste ano. Além dessa unidade, o departamento afirmou que outras unidades devem ser construídas e reformadas na capital.

Em Aparecida de Goiânia, o “elefante branco” é a construção do Instituto Médico Legal (IML), que já foi parada duas vezes. A última empresa contratada para realizar o serviço parou a construção por quase dois anos. Segundo a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), o procedimento foi feito porque a empresa não tinha capacidade operacional para terminar a obra. Com isso, foi realizada uma nova licitação e a previsão é que até o final deste ano o instituto seja entregue em pleno funcionamento. A obra de quase R$ 2 milhões deverá desafogar aproximadamente 50% dos atendimentos do IML de Goiânia.

Fonte: Jornal O Hoje (Luiz Redação)