22 de agosto de 2014

Mobilidade: Implantação começa pela T-7


Sete anos depois de o Plano Diretor de Goiânia prever a instalação de 24 corredores de ônibus (19 preferenciais e 5 exclusivos) para favorecer a mobilidade urbana, 6 deles começam a sair do papel. Com os projetos aprovados pelo Ministério das Cidades, a Prefeitura de Goiânia assina hoje à tarde o contrato de R$ 145,3 milhões, na Superintendência da Caixa Econômica Federal em Goiás. As obras terão início em até 90 dias a partir da Avenida T-7, a segunda via com o maior fluxo de passageiros de ônibus na capital, segundo previsão da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC).

As propostas de mobilidade urbana em Goiânia ficaram travadas desde 1975, quando foi colocado em prática o projeto inicial do corredor exclusivo do Eixo Anhanguera, o maior de todo o Estado, que, ao longo dos anos, passou por algumas readequações. Depois disso, a capital recebeu os protótipos dos corredores Universitário e da Avenida T-63, que ainda não foi concluído. Depois da assinatura do contrato, a Prefeitura de Goiânia vai abrir o processo licitatório.

Com o novo pacote de obras, a capital terá 46,5 quilômetros (km) destinados à circulação dos ônibus, com integração de 66 linhas, de acordo com a presidente da CMTC, Patrícia Veras. O corredor preferencial da Avenida T-7 segue da Praça Cívica, na Região Central, até o Terminal Bandeiras, na Região Sudoeste da cidade. Patrícia Veras antecipou ao POPULAR que a T-7 contará com readaptação e readequação do asfalto e das calçadas. Não haverá desapropriação. A avenida será interligada, ao longo de todo o percurso, com trechos cicloviários.

A arquiteta e urbanista Ediney Bernardes de Paiva, vinculada à CMTC, adiantou que os trechos da T-7 serão distribuídos em ciclovia (espaço segregado, no canteiro central, exclusivo para bicicleta) e ciclofaixa (com sinalização específica que permitirá apenas a circulação de bicicletas, mas na mesma avenida). Além disso, haverá a ciclorrota (área na qual ciclistas dividirão espaço com automóveis, mas com sinalização destacando que ali também circula bicicleta).

TEMPO

Com o corredor preferencial, de acordo com estimativas da CMTC, a previsão é de que os ônibus tenham um ganho de tempo em torno de 29,5%, no turno da manhã, e de 45,1% à tarde. Patrícia Veras explicou que, desta vez, Goiânia disparou à frente de demais cidades do País, porque a Prefeitura já tinha os projetos prontos para apresentar ao governo federal. “Goiânia conseguiu o recurso porque nós tínhamos o projeto pronto. Quando a presidente Dilma Rousseff anunciou o PAC Mobilidade, a capital estava apta para pegar o recurso”, destacou ela.

As obras das outras avenidas incluídas no pacote da mobilidade devem começar antes da conclusão dos trabalhos da T-7, segundo o engenheiro Benjamin Kennedy Machado, da área de planejamento e obras da CMTC e assessor da presidência da companhia. Segundo ele, é necessário considerar o fluxo de veículos na cidade, para que outros corredores sejam construídos simultaneamente, mas sem afogar o trânsito da capital.

O engenheiro observou que os municípios brasileiros passaram muito tempo sem receber recursos para financiamento de obras de mobilidade urbana. Ele lembrou que, de 1968 a 1985, houve grandes repasses e o Eixo Anhanguera foi beneficiado com um deles, em 1975. Machado pontuou, ainda, que, em 2005, foram disponibilizados recursos para a área, mas, até 2009, grande parte deles foi repassada para as obras do metrô de Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro. São Paulo também foi beneficiado e ampliou a rede metroviária. Entre 2009 e 2010, Goiânia começou a desenvolver os seus projetos, já que, ressaltou o engenheiro, o Plano Diretor da capital já definia uma rede de mobilidade, com corredores exclusivos e preferenciais.

Mais R$ 10 mi para projetos

O engenheiro Benjamin Kennedy Machado, da área de planejamento e obras da Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) e assessor da presidência da companhia, afirmou que Goiânia deve receber, daqui a um mês, mais R$ 10 milhões para investir em projetos de corredores de ônibus. Desta vez, serão incluídas mais 16 vias na outra proposta de mobilidade urbana da cidade.

Os outros corredores, caso os projetos sejam aprovados, deverão ser construídos nas Avenidas 3ª Radial, Castelo Branco, Mutirão, São Francisco, Pio XII, T-10, Consolação e Mangalô. Também devem contar com as faixas preferencias as Avenidas Marechal Rondon, Leste-Oeste, Bernardo Sayão, Manto, Fued José Sebba, 115 e Fort Ville, além de um trecho da BR-060. As propostas estão em analise no Ministério das Cidades.

Fonte: O Popular (Cleomar Almeida)