12 de agosto de 2014

Jornal Opção: “Vou deixar a Prefeitura de Goiânia ‘um brinco’ para o meu sucessor”


Petista diz que seu governo está fazendo muito mais do que outros fariam, critica oposição e imprensa e refuta argumento de que tenha abandonado o mote da sustentabilidade

Paulo Garcia (PT) está longe de parecer abatido com as críticas que sua administração vem recebendo e que estampam as páginas de jornais. Pelo contrário: diz que “parte dos veículos de comunicação” deliberadamente mostra somente o lado negativo do que ocorre em Goiânia. Nesta entrevista ao Jornal Opção, ele detalha vários imbróglios, como a crise da coleta de lixo, a demora no término de viadutos e em outras obras e a falta de médicos nas unidades de saúde. Mas assegura que entregará a seu sucessor uma cidade bem cuidada.

O prefeito admite que haja dificuldades administrativo-financeiras, mas diz que está fazendo muito mais do que outros executariam tendo em mãos a mesma quantidade de recursos. Uma queixa se refere à não aprovação da atualização da planta de valores, que reforçaria o caixa da Prefeitura. Paulo garante ainda que a implantação do BRT como transporte no Eixo Norte-Sul será concluída ainda em seu governo. Sobre política e eleição, ele ainda lamenta que não tenha havido a união da oposição, mas afirma: “Vou votar 13, 13, 13”, se referindo ao número de seu partido e realçando que votará na legenda e não em algum candidato a deputado de sua preferência.

Cezar Santos – Há uma crise financeira-administrativa na Prefeitura de Goiânia ou não?
A Prefeitura de Goiânia trabalha com dificuldades, sim. A situação financeira que vivemos não é a que desejávamos. Mas provavelmente 100% dos prefeitos brasileiros vão fazer a mesma afirmação. Há poucos dias, o prefeito de Fortaleza [Roberto Cláudio, do Pros], uma cidade três vezes maior que a nossa, me disse que vivenciamos os mesmos problemas. Nos últimos anos, as capitais brasileiras estão sofrendo mais dificuldades.
Toda prefeitura é uma obra inacabada. Não há como alguém, ao fim da ad­ministração de uma metrópole co­mo é Goiânia, dizer que fez tudo o que desejava e era necessário, que a ci­dade está pronta e que não haverá mais demandas. A cidade é um ser vi­vo e a cada dia surgem novos problemas. Goiânia é uma cidade nova, mas ela é resultado de todas as suas administrações, de gerações de pessoas, com seus erros e acertos. O que vivemos hoje é o somatório de tudo isso.
O atual pacto federativo dá aos municípios a menor fatia do bolo, justamente onde as pessoas vivem. A União é que recebe a maior fatia, depois os Estados. Estudo recente mostra que mais de 92% dos municípios brasileiros arrecadam menos que do suas necessidades. O que há de diferente em nossa administração é que antes nunca ninguém abordou isso de forma transparente. As dificuldades vinham se acentuando de forma dramática ao longos dos anos, e coube a mim buscar solução para esses problemas.

Cezar Santos – O sr. deu continuidade a um bom ritmo da administração quando recebeu a Prefeitura de Iris Rezende (PMDB). O sr. se reelege e com muito pouco tempo a situação começou a degringolar. Por que isso aconteceu?

Euler de França Belém – O fato de o sr. ter tido quatro secretários de Finanças mostra uma realidade de crise. Todos eles falavam de dívidas. Cairo Peixoto, por exemplo, saiu “atirando”…
Estamos vivendo um período de muita tranquilidade agora. É fato que no primeiro mandato tivemos uma atuação excepcional. No meu plano de governo, o qual levamos a debate com a sociedade, já vislumbrávamos a necessidade de promover uma atualização, uma readequação da administração municipal para o futuro. Estamos fazendo isso agora. Cito a Comurg [Companhia Municipal de Urbanização] como exemplo. Fizemos ali uma reforma inicial estrondosa, o que nunca foi feito ao longo de toda sua existência. A Comurg não é resultado de minha administração.

Cezar Santos – Exatamente o que foi feito na Comurg?
Havia lá 12 diretorias e reduzimos para 6. O organograma era completamente fora da realidade diante da realidade de um Estado que busca gestão moderna e resultados com os parcos recursos que se tem. Mudamos esse organograma com a redução significativa dos cargos de direção, de gerenciamento ou de comissão, que incham a estrutura. Reduzimos centenas desses cargos.
Foi algo inédito na Comurg. Tínhamos quase 500 homens e mulheres já aposentados, muitos deles sem a menor possibilidade laboral, que permaneciam nos quadros. Estamos promovendo esses desligamentos, o que a lei determina. Estamos fazendo em três etapas, para que haja uma adaptação. As pessoas foram avisadas. São modificações substanciais no sentido de preparar a cidade para o que desejamos, para que ela caminhe no rumo do desenvolvimento sustentável. Fizemos várias alterações administrativas, não só na Comurg.

Euler de França Belém – A pergunta é sobre a crise financeira, se a dívida da prefeitura engessou sua administração. São R$ 300 milhões ou R$ 400 milhões?
Essa dívida hoje não chega a R$ 300 milhões, do tanto que já pagamos. Digamos que a dívida total fosse de R$ 350 milhões, isso significa 10% de um orçamento anual, que é de R$ 3,5 bilhões. A dívida é pequena. Goiânia é a capital brasileira com o maior poder de endividamento, ou seja, a que pode buscar o maior volume de recursos para se financiar. Isso significa que devemos pouco. Com­paramos com o Estado de Goiás, que está no limite de sua capacidade de endividamento, acho até que está ultrapassando. Por longos anos, o Estado não vai poder buscar nenhum recurso. É o contrário de Goiânia.

Euler de França Belém – É dívida de curto prazo ou há outras dívidas?
É a dívida fundada, ou seja, de curto, médio e longo prazo. Se considerarmos que podem ser julgadas ações trabalhistas contra a Comurg, iniciadas em gestões de um prefeito que me antecedeu, poderemos ter mais dívidas no futuro. Mas na análise econômico-financeira das cidades, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) trabalha com a dívida fundada, consolidada.



Euler de França Belém – Como foi formada essa dívida?
De vários setores. A Comurg é um deles.

Euler de França Belém – Nos seus quatro anos e quatro meses na Prefeitura, qual sua responsabilidade nessa dívida?
Não tenho como fazer isso do ponto de vista quantitativo. Quando eu assumi o segundo mandato, transitou em julgado uma ação de R$ 160 milhões que teve origem no último governo Nion Albernaz. Tramitou, o município perdeu e chegou ao final no meu segundo mandato. É dívida minha? É de quem a iniciou? É dos prefeitos ao longo dessa tramitação? Não, é dívida do município de Goiânia. Essas coisas acontecem. Por isso, a necessidade de readequação que já afirmávamos no nosso plano de governo. Pouca gente lê planos de governo, mas está tudo isso lá.

Patrícia Moraes Machado – O sr. não está dando explicações contrárias às de seus secretários de Finanças, que desenharam um caos financeiro na Prefeitura, de crise?
Qual secretário diz isso?

Patrícia Moraes Machado – Tanto o anterior [Cairo Peixoto], quanto o atual, Jeovalter Correia.
Jeovalter tem uma forma de se expressar diferente do antecessor dele.

Patrícia Moraes Machado – Ele não se expressa da mesma forma do Cairo de Freitas, mas ele atua com o quadro de crise.
Não, Jeovalter não atua com o quadro de crise. Ele atua, como também atuou o antecessor, dentro dos preceitos contidos no nosso plano de governo. Todos eles atuam sob nossa orientação, sobre o que o plano de governo já dizia quando nos apresentamos no processo de reeleição. Evidentemente cada um tem sua personalidade, sua experiência, seu conhecimento acumulado, cada um está mais ou menos preparado para enfrentar dificuldades.

Patrícia Moraes Machado – Os problemas nas ações da Prefeitura, na coleta de lixo, na área de saúde e outros, acabaram confirmando o quadro de crise que os secretários vinham dizendo.
Discordo, são fatos distintos. Muito do que foi ou é dito é um exagero de interpretação ou de manifestação. Explico, primeiro, o problema do lixo. Não foi por falta de dinheiro. A coleta do lixo, vocês hão de recordar, era terceirizada em Goiânia. Em governo mais recente [de Iris Rezende, na gestão 2004-2008], houve a retomada desse serviço pelo município. Naquela época, foram licitados e comprados caminhões, que vinham fazendo o serviço. Esses veículos tiveram sua capacidade de utilização esgotada. A paralisação que ocorreu se deu por causa de vários entraves que nos foram colocados pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que dificultou ao máximo o processo licitatório de novos caminhões. Aconteceu então que os caminhões velhos já não podiam mais ser usados, e não conseguíamos destravar todos os embaraços burocráticos que nos foram colocados. Até que tivemos de fazer contratos emergenciais de locação enquanto não conseguíamos comprar a frota nova.
Hoje temos 48 caminhões novos em circulação em Goiânia, com 4, se não me engano, de reserva. Nunca hou­ve na cidade esse número de caminhões, nem quando o ex-prefeito Iris Rezende fez a licitação e compra desses veículos em sua primeira administração. E estamos aguardando mais 35 caminhões compactadores para a coleta de lixo domiciliar. Isso mostra como às vezes as crises são exteriorizadas de forma equivocada. Não é e não foi falta de recursos o que levou ao problema do lixo: foi todo o entrave burocrático provocado pelas instâncias que nos fiscalizam, que nos controlam, que ditam regras sob as quais temos de agir.

Cezar Santos – Mas essas regras sempre existiram.
Sempre existiram, mas as leis são interpretadas por quem ocupa os cargos.

Cezar Santos – O sr. está dizendo que houve uma ação deliberada para atrapalhar sua administração?
Em alguns momentos, sim. Estou afirmando que houve.

Cezar Santos – Mas partiu de onde e de quem isso?
De quem nos faz oposição, isso é sobejamente conhecido pela comunidade.



Patrícia Moraes Machado – A compra desses caminhões citados é consequência da parceria com o governo estadual?
Não recebemos nenhum centavo daquele dinheiro do governo do Estado até hoje. Compramos os caminhões com muito trabalho, com a readequação e a nova estruturação da Prefeitura. Pela informação que tenho, a primeira das duas parcelas previstas daquele recurso do governo estadual foi depositada no último minuto do apagar das luzes de quando – em tese, segundo o governo estadual – a legislação eleitoral permitia, em uma conta errada. O dinheiro foi estornado para o banco e, então, venceram os quatro minutos que faltavam para se esgotar o horário bancário. Estava, aí, esgotado o período que a legislação eleitoral permitia fazer a transferência. Apesar de que existem pessoas que pensam que a transferência é voluntária e que poderia ser feita, inclusive no período eleitoral. Mas o fato é que, até hoje, ela não foi feita.

Euler de França Belém – Mas o governo alegou outra coisa, a desorganização da Prefeitura.
Posso apresentar a vocês o documento no qual poderão chegar à conclusão, se estou distorcendo a realidade. Lembro-me até qual foi o erro, que foi o último dígito da conta.

Euler de França Belém – O senhor como gestor não tem uma má vontade com o governador do Estado?
Como gestor, não.

Euler de França Belém – Ele não tem má vontade com a presidente Dilma Rousseff (PT) e nem com o ex-prefeito de Anápolis, Antônio Gomide (PT). Não seria um certo contencioso pessoal com Marconi Perillo (PSDB), talvez pelo fato de o sr. ser ligado ao Iris Rezende?
Não faço política com rancor pessoal. Acho que política é um debate no campo das ideias. Se alguém não o faz, não sou eu, com certeza. No ponto de vista político, nós não estamos no mesmo campo. Eu sempre disse isso. Aliás, penso que estou correto.

Euler de França Belém – Mas gestor não pode fazer oposição a gestor.
Do ponto de vista administrativo, nunca me furtei a participar de nada que propôs o governo do Estado em benefício a nossa comunidade. Mas temos de reconhecer que foi proposto muito pouco. Vocês mesmos podem constatar isso.

Patrícia Moraes – O senhor é a favor da privatização, ou da terceirização, da coleta de lixo?
Privatização, não. Eu não sei se vocês sabem que nós estamos sob a égide de uma legislação que determina alguns parâmetros para a tratativa de todos os resíduos. Às vezes a comunidade só tem pensado no lixo domiciliar. O lixo não é só isso mais, principalmente numa região metropolitana como a nossa. Há o lixo domiciliar, que é basicamente orgânico, diferentemente de alguns países em que o lixo é triturado na própria casa e vai pelo esgotamento sanitário. Aqui, não, o lixo orgânico na maior parte é descartado para ser coletado. Esse é o lixo domiciliar. Tem a parte do lixo que é passível de reciclagem, a qual Goiânia faz. Temos o lixo de resíduos sólidos, ou seja, entulhos da construção civil, que é muito grande. Vamos apresentar um novo projeto, sobre o lixo tecnológico, que está se acumulando muito, mas não tem um destino adequado, como resto de material de material de informática, baterias etc.
O que a legislação determinava? Que os antigos lixões tinham de ser extintos. Nós não temos este problema porque temos um aterro sanitário com o melhor grau de qualificação que se pode ter. Nós estamos em situação e em condições de ultrapassar o aterro sanitário. Inclusive tínhamos de pensar em trabalhar com plantas fechadas, mas isso significa um investimento substancial. Penso – e a iniciativa privada tem interesse em trabalhar nessas plantas fechadas que é geradora de energia – numa parceria público privada. É algo que já está sendo feito em vários locais do mundo. Isso nós estamos estudando muito profundamente. Meu desejo, se passarmos todos os degraus que são necessário, é propor isso a cidade de Goiânia. A planta fechada aumenta a duração de um aterro sanitário, porque o resíduo que vai ser descartado é muito menor. Vamos dobrar a vida útil do aterro e, além disso, gera energia que pode ser uma nova fonte de receita para o município. Portanto, nisso sou favorável.

Cezar Santos – Um terço deste atual governo já foi. Daquilo que estava em seu plano de governo, principalmente aquilo que considera ousado, como a construção de 82 CMEIs [centros municipais de educação infantil]. Vai dar tempo de construir tudo isso?
Talvez não haja nem necessidade, porque a redução da demanda está sendo tão drástica que a última demanda não atendida foi em torno de 3 a 4 mil crianças na faixa de idade do ensino infantil. Naturalmente, como cada CMEI tem capacidade para atender de 250 a 300 crianças, a conta demonstra que poderá não ter necessidade de construção de tantos quanto nós imaginávamos. Acabamos conseguindo estruturando a rede que nós locamos a acomodação dessas crianças de forma mais rápido do que nós imaginávamos. Não é que a gente desistiu, é realmente porque talvez não seja mais necessário. Temos a expectativa de até o final do próximo ano zerar a demanda. Teremos algumas inaugurações de CMEIs até o final do ano, dando um total de 40, é possível que não tenhamos mais necessidade.

Cezar Santos – Até pouco tempo se via a questão de falta de médicos, pacientes chegando ao Cais e não recebendo atendimento, era algo gravíssimo. Isso está superado? Houve reforma das unidades?
Vou falar do que eu fiz. Inau­guramos agora, nesta semana, o novo Ciams do Setor Novo Horizonte. Mesmo com a tão falada crise financeira da Prefeitura, veja o tanto que nós temos feito. Essa obra custou R$ 844 mil. Ela é o padrão do Ciams que vamos implantar na cidade. Com esta inauguração, vamos fechar agora, para reforma, os Cais do Jardim América e do Bairro Goiá, para transformá-los por meio dessa nova metodologia. O padrão é de um hospital privado, todo climatizado, com nove gabinetes dentários, com estrutura humana completa e com o diferencial do atendimento humanizado, diferente de antes, onde existia aquele imenso salão. As pessoas são direcionadas para seus locais de atendimento, com ambulatório de especialidades e, inclusive, com algumas coisas comum em nossas casas, como televisão para que as pessoas possam ter algum tipo de lazer e de informação. Para vocês terem ideia, teremos mais de cem profissionais médicos e capacidade de 300 usuários por dia. O Ciams é um ambulatório e nós teremos a capacidade de atendimento anual de até 10 mil pessoas.
Uma outra questão é o termo que nosso secretário de Saúde [Fernando Machado] gosta de usar: empoderamento da unidade. O que seria isso? É dar poder à unidade. Hoje nós temos um departamento de regulação. Tudo que existe para ser atendido é referenciado por via informatizada a esse departamento, e ele, então, marca consultas, cirurgias, é ele que encaminha. Como funciona? Vou dar um pequeno exemplo. Vamos dizer que eu tenha um pterígio. Não é nada emergencial. Se não vou a uma unidade com a metodologia deste Ciams, eu caio na lista para uma cirurgia oftalmológica. Mas eu posso chegar nesta unidade e está com glaucoma agudo, que é um problema que pode causar perda da visão em poucos dias. Assim, eu cairia no mesmo enquadramento, na área de oftalmologia. E qual é o poder dessa unidade? Ela decide o que é emergencial e ela mesmo tem acesso ao sistema e faz um escalonamento da gravidade.
Mas daí vocês vão me perguntar: por que isso não foi feito antes? Essa unidade foi inaugurada em 1981, no governo Ary Valadão. Essas e demais unidades pertenciam ao governo do Estado e há 16 anos, no momento da municipalização, foram transferidas para o município. Desde aquela época, nada mais foi feito, a não ser um “batom”. Nunca foi feita uma reforma estrutural como eu fiz.
Eu inaugurei uma unidade de pronto atendimento (UPA). Vocês podem perceber que em todas as pesquisas eleitorais o principal problema – mesmo nós convivendo com este gravíssimo problema de segurança pública –, a principal demanda da população no País inteiro e em Goiás também, é a saúde. Eu inaugurei a UPA e três Centros de Atenção Psicossocial (Caps), nos setores Novo Mundo, Negrão de Lima e na região noroeste. Todas elas unidades novas, construídas por nós. Sobre centros de saúde, inaugurei um no Campus Samambaia, para atender à comunidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), um no setores Antônio Carlos Pires e Orlando Morais [região norte], no Ville de France [região sul], e no Boa Vista [região noroeste]. Inauguramos duas farmácias populares, uma no Centro e outra na Praça Universitária, junto à UFG. Sem falar da Maternidade Dona Iris, que é o hospital da mulher mais moderno e melhor do Centro-Oeste. Recebemos, inclusive, comitivas internacionais, como a do Canadá, para ver o modelo de atendimento prestado lá. Isso só em infraestrutura. Foi pouco? Qual outro governo fez tanto?

Cezar Santos – Isso permite concluir que a crise da saúde está superada?
Não, vou chegar ainda à crise, que não está superada, pelo contrário, está se agravando. Antes disso, digo que ainda este ano nós temos mais um centro de saúde a ser inaugurado, no Real Conquista, que está na fase final de acabamento. Temos duas reformas em andamento, que estão quase terminadas, a do Ciams do Urias e a do Centro de Saúde da Vila Redenção. A UPA do Curitiba, chamada UPA Noroeste, entra agora na fase de acabamento. Só para este ano temos mais quatro novas estruturas. Além disso, temos 40 obras em construção ou em processo licitatório que serão executadas dentro do meu mandato. Uma é a nova maternidade no Conjunto Vera Cruz. Pela primeira vez, vamos utilizar o regime diferenciado de compra que foi utilizado nas compras da saúde no País durante o processo da Copa. Neste novo hospital da mulher haverá também atendimento a criança. Vamos transformar o Cais de Cam­pinas, uma unidade nova, construída pelo ex-prefeito Iris Rezende, em hospital municipal de emergência. Nós reduzimos sua capacidade ambulatorial e aumentamos seu poder de resolutividade de situações de emergência.
Eu posso afirmar que a cidade de Goiânia não tem falta de leito de UTI. Nós temos pelos programas preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), três vezes mais leitos de UTI do que uma cidade com a população que nós temos deveria ter. Três vezes mais.



“Na saúde, atendemos gente dos 27 Estados”

Euler de França Belém — Por que há a reclamação constante?
Porque vem todo mundo para Goiânia. Essa é a causa das nossas dificuldades. E então, quando faço uma afirmação dessas, dizem que é uma prova clara da nossa difícil integração com o Estado. Nós temos quase 1,5 milhão de habitantes em Goiânia e fazemos 1,5 milhão de atendimentos por mês. Isso significaria que seria uma cidade onde todos teriam problema de saúde todo mês, o que não é verdade. Nós atendemos pessoas dos 27 Estados brasileiros e de 610 municípios brasileiros. Nós atendemos, seguramente, três vezes mais usuários do que provavelmente teríamos de atender, se fossem só os de nossa cidade. Se você percorrer o Setor Aeroporto, verá casas de apoio ou de acolhida de outras cidades e até de outros Estados.

Patrícia Moraes Machado – Mas, pelo Sistema Único de Saúde, a Prefeitura não tem de receber essas pessoas que vêm de outros Estados?
Se estiver pactuado, sim.

Patrícia Moraes Machado – Então esse argumento não cai por terra?
Não, e vou explicar por quê. Alguns de meus antecessores diziam que, do ponto de vista financeiro, isso seria um prejuízo enorme. Não é, desse ponto de vista é menor do que a grandiosidade do volume, porque parte do que é pactuado a gente recebe de volta. O problema é a sobrecarga, porque, quando o Ministério da Saúde direciona recursos do Fundo Nacional da Saúde para eu construir uma unidade, ele faz isso de acordo com uma metragem necessária para o atendimento de uma população de 1,5 milhão de habitantes. Então, tenho de apresentar um projeto para um bairro de 100 mil, por exemplo. Só que aquela unidade vai atender, ao fim, 300 mil. Isso é o mais grave do problema.
Costumo afirmar que nosso modelo de saúde é inclusivo, assiste todos os que nos procuram. Já o modelo do Estado é, em primeiro lugar, centralizado. Todas as atividades do sistema estão concentradas em Goiânia. Todo mundo no Estado procura a capital, principalmente em busca de uma UTI. Senador Canedo e Aparecida, até pouco tempo, não tinham um leito para obstetrícia. Assim, as gestantes dessas cidades, pela rede pública, tinham de vir dar à luz em Goiânia.
Então, o sistema do governo estadual é excludente, fechado. Um exemplo: antigamente, qualquer acidentado poderia procurar o Hospital de Urgências (Hugo). Agora não é mais assim, há uma regulação diferente.

Euler de França Belém – Mas, dizem que o sistema de OSs [organizações sociais] aqui foi baseado também no governo da Bahia, de Jaques Wagner, que é de seu partido. O Hugo enchia e isso mudou, porque não vai mais um paciente, por exemplo, que só está com uma dor no pé. Agora, dizem, o sistema é mais eficiente.
Pode ser mais eficiente em exclusão, em que pouca gente tem acesso.

Euler de França Belém – Mas há informações de que o número de atendimentos aumentou.
Aumentou? É preciso confirmar isso.

Euler de França Belém – O sr. é contra o modelo das OSs?
Sou contra a terceirização da saú­de, do ato médico. É uma carreira de Estado. Os resultados serão colhidos ao longo dos anos. Uma OS precisa de fiscalização muito rigorosa, senão poderão trabalhar com a escolha de casos que lhe serão mais rentáveis. No serviço público, isso não acontece.

Euler de França Belém – Mas lá na Bahia o sistema não funciona bem?
Não conheço como funciona o sistema baiano.

Euler de França Belém – Por que o Mi­nistério da Saúde recomenda o Crer como modelo para outros Estados, como unidade de alta qualidade?
Porque é um bom hospital de reabilitação e temos poucos no Brasil. Até pouco tempo, só tínhamos o Sara Kubitschek, em Brasília.

Euler de França Belém – Então o Crer é uma boa iniciativa?
É, o Crer é uma boa iniciativa.

Euler de França Belém – Funciona bem, o sr. reconhece?
Do ponto de vista administrativo, não o conheço. Do ponto de vista do atendimento, da resolutividade para reabilitar, é, sim. Nunca disse que não era.

Euler de França Belém – Então a aplicação do dinheiro da Caixego foi boa?
Não sei se foi dinheiro da Caixego, você é quem está afirmando.

Euler de França Belém – Os R$ 5 milhões da devolução do caso Caixego foram destinados para lá, para a construção do Crer.
Essa afirmação é sua, não é minha. Conheço as fontes de recursos do Crer, são recursos do Fundo Nacional de Saúde.
Mas quero falar mais sobre a nossa administração e mostrar que investimos muito. Sabe quantas internações nós fizemos em Goiânia em 2013? Foram 145 mil internações. Mais de 10 mil por mês. Vocês sabiam que proporcionalmente nós fomos a capital brasileira campeã em cirurgias eletivas do Programa Nacional de Cirurgias Eletivas? Isso são dados do Ministério da Saúde. Por que isso? Porque nossa população é extremamente não saudável? Não é, é porque vêm muitas pessoas de outros municípios.
Fala-se dia e noite que faltam mé­di­cos em Goiânia. Mas vocês sabem re­almente qual a porcentagem de postos de plantão que estão vagos, não pre­enchidos? Nove por cento. Claro que existem casos, então, e se faltasse um só médico já seria coisa para ser co­rrigida. Portanto, 91% dos postos em regime de plantão ou urgência têm mé­dicos em Goiânia, 9% não têm. Te­mos 18 unidades de atendimento 24 ho­ras na cidade. Essa falta de 9% de mé­dicos fez com que, em um dos últimos finais de semana, criássemos um sis­tema de rotatividade em seis delas. Ne­nhuma delas estava completamente fechada durante o período de 24 horas. Quando faltam médicos, não é por falta de chamamento, não é porque não contratamos. Na verdade, o que há é que os profissionais não têm preferido ou não têm aceitado trabalhar aos fins de semana, em plantões no­turnos, em unidades mais distantes ou em feriados. Para ter ideia, só em mi­nha administração, chamamos 4.508 con­cursados para o quadro da saúde. Nin­guém chamou tanta gente como eu, pode fazer o levantamento histórico.

Cezar Santos – Então o sr. quer dizer que o problema está sendo superado? É isso que o leitor quer saber.
Está sendo superado, mas existe. Não estou minimizando. O que estou dizendo é que estamos fazendo muito. Mesmo com a crise financeira tão alardeada, estamos fazendo mais do que muita gente fez sem crise. Se houve qualquer prefeito nos 80 anos desta capital que contratou 4.508 concursados na saúde dou minha mão à palmatória. Vocês não vão encontrar. Cre­den­ciamos 6.479 profissionais da saú­de. Além disso temos 982 contratos por tempo determinado. Cha­ma­mos agora os últimos 454 do concurso mais recente, que fui eu quem fez, em 2012. Ou seja, fizemos o chamamento da totalidade das vagas propostas no edital. Mesmo assim, pode anotar, vai haver postos a serem preenchidos. Digamos que precisemos de um médico de uma especialidade X em um sábado à noite para uma unidade mais distante. Eu vou propor para esses 454 e não vai aparecer um que queira.

Patrícia Moraes Machado – E sobre a construção de hospitais?
Vamos fazer o Hospital de Ur­gências, com a ampliação do Cais de Campinas e – se não criarem outro entrave – com a liberação da desafetação das áreas públicas, vamos ter os recursos necessários para comprar um hospital. Toda vez que estou para comprar, aparece alguém ou algo. Hoje mesmo eu li nos jornais de hoje que um grupo de vereadores da oposição vai novamente tentar bloquear a desafetação. E estão achando que estão trabalhando bem para a cidade. Como acham também os líderes de entidades que trabalharam veementemente pela não atualização da planta de valores. Isso causou uma redução de nosso orçamento de mais de R$ 400 milhões.

Cezar Santos – A rede municipal tem problema com falta de pediatras?
Isso é um problema no País inteiro, é um profissional que está se tornando uma raridade. Tanto é que, para superar esse problema, estamos dando a nossos grupamentos médicos da frente do atendimento de emergência um treinamento para atender com conhecimento suficiente desde o recém-nascido até o idoso. A dificuldade é grande, basta ver que esse programa Mais Médicos, que é maravilhoso e criado pela presidente Dilma, existe porque precisamos de um número mínimo de profissionais.

Euler de França Belém – A impressão é de que há o frio e a sensação térmica. Digamos que a temperatura seja de 10 graus, mas a sensação seja de 5 graus. Ou seja, a sensação é de que seu governo é pior do que realmente é.
Pode ser.
Digo que seu governo é muito melhor do que o apresentado para a sociedade. Mas acho que o sr. é o principal responsável por essa sensação.
Eu propagandeio pouco?

Euler de França Belém – A questão não é propaganda. Aqui o sr. está explicando detalhadamente.
Eu não consigo divulgar. Não tenho espaços espontâneos como eu desejaria, e aí talvez seja um problema de relação pessoal.

Euler de França Belém – O sr. não acha que talvez transmita certo ar de arrogância? Talvez pelo sorriso que pareça irônico? Eu o conheço há muitos anos e sei que o sr. não é assim, mas é o que transparece.
Sem falsa modéstia, nosso governo é muito melhor do que é divulgado, não do que a sensação da população. Continuo andando por onde andava, como sempre andei. Sou muito bem acolhido. Não recebo nenhuma manifestação grosseira, nenhuma crítica mais maldosa. Aonde eu vou, sou recebido de forma extremamente carinhosa. Alguém tira foto com quem não gosta? Esses dias estava em uma atividade política, fora do horário de trabalho, em que havia um candidato – não vou citar quem foi. Ninguém pediu para tirar foto do candidato, mas pediram para tirar comigo. Então, o que percebo nas andanças, é que sou sempre muito bem recebido. No entanto, existe uma parcela da população que nos critica em grande parte por causa das informações que são divulgadas. Eu não acho, com toda a franqueza, que o que eu faço tenha o reconhecimento pela imprensa. Parte dos veículos de comunicação em Goiânia só mostra o negativo, chegam a excluir tudo de positivo de fazemos. Aí, você me pergunta se tenho culpa nisso. E eu respondo: provavelmente, talvez de relacionamento pessoal, de simpatia. Mas não trato política do ponto de vista pessoal. Acho que esses veículos também deveriam tratar a divulgação de forma isenta.
Outra questão – e isso é real – é a de que eu propagandeio pouco, a chamada mídia paga. Isso tem algumas razões. Primeiramente, governante não poderia gastar tanto em mídia, como gasta, por exemplo, o governo do Estado. O volume de gastos é um absurdo e ninguém debate isso. Só com o dinheiro gasto com a mídia pelo governo estadual este ano, eu pagaria toda a dívida fundada do município de Goiânia.

Euler de França Belém – Mas o sr. não gasta com mídia, mas também não tem dinheiro.
Mas o governo também não tem e gasta muito mais do que eu.

Euler de França Belém – Só que, quem anda pelo Estado, vê a malha viária recuperada pelo interior. O Hugo 2 está quase pronto. E há elogios de prefeitos, como o de Maguito ao Credeq de Aparecida.
Com os recursos que o Estado tem eu faria muito mais. Mas não vou entrar nessa discussão, vamos falar de Goiânia. Uma outra questão sobre a mídia paga, mesmo que eu fizesse essa opção de gasto, não teria como fazer no mesmo volume que o Estado faz, porque os orçamentos são completamente diferentes. E em terceiro, na situação financeira em que o município se encontra, seria uma irresponsabilidade minha gastar mais com mídia paga do que gastamos hoje.

Patrícia Moraes Machado – Mas, então, Dilma Rousseff também está errada? Uma das críticas a ela é justamente a de gastar muito com propaganda.

Euler de França Belém – O governo de Dilma gasta mais do que o dos Estados Unidos.
Não tenho números, mas sou capaz de dizer que o governo do Estado gastou, neste ano, proporcionalmente mais do que o governo federal. Façam esse levantamento e me digam. Repito, estou afirmando: proporcionalmente – orçamento com orçamento –, o governo federal gastou menos do que o do Estado de Goiás.

Euler de França Belém – Comenta-se que o sr. tem um contencioso pessoal com o Grupo Jaime Câmara e que isso seria mútuo. A origem disso seria a de que o sr. menospreza o presidente honorário do grupo, Jaime Câmara Júnior. Nos eventos do grupo, o sr. estaria enviando sempre seu vice, Agenor Mariano (PMDB). Em um dos episódios, dizem que o sr. marcou de ir a um evento deles e não foi, deixando-os esperando. Isso procede?
Não é verdade. Jaime Câmara Júnior não é mais presidente do grupo, mas, se não posso dizer que seja amigo íntimo, do ponto de vista de relacionamento social e de respeito mútuo isso não existe. Não estou dizendo que tenhamos o mesmo posicionamento político, aliás nem conheço o posicionamento político dele. Mas isso é algo que eu nunca tinha escutado. (risos)

Euler de França Belém – Então é ficção?
Daquelas bem escritas. Uma lenda urbana das maiores. (risos)

Euler de França Belém – O sr. diz que a imprensa, a maior parte dela, só realça o lado negativo de sua administração. O sr. avalia que é o Grupo Jaime Câmara que faz mais isso ou têm outros?
Não, não é. Têm vários.

Euler de França Belém – É mais por parte do impresso ou de outras mídias?
Todos. Impresso, internet, rádio etc.

Euler de França Belém – Não é teoria da conspiração?
Não, não. Vou lhe dizer qual minha tese. Posso até estar errado, mas acho que as linhas editoriais sofreram uma migração de uma forma investigativa para outra, declaratória. Se eu chegar a um jornal X da cidade, com uma folha que acabo de imprimir na internet, com uma denúncia contra você, posso afirmar: eles vão publicar no mesmo dia. Isso é o que chamo de linha declaratória: publicam para depois saber o que aconteceu. Antiga­men­te, os veículos eram mais investigativos. Não digo que seja uma regra, não é global, mas é uma impressão da média. Isso faz com que o denuncismo seja exagerado. Olhem nas televisões: todos os jornais estão seguindo esse padrão de apresentação, que começou com uma rede.

Patrícia Moraes Machado – Mas é culpa da mídia as praças não estarem mais tão bem cuidadas como antigamente, a falta de iluminação em vários pontos da cidade, ou os problemas com o alagamento do túnel da Avenida Araguaia?
Aquela obra é perfeita, temos um laudo do Crea. Mas qualquer chuva torrencial, de precipitação pluviométrica acima da média como foi aquela [em dezembro de 2013], em qualquer cidade do mundo, causaria aquele tipo de situação. E lá, logo depois que alagou, tudo ficou drenado.

Patrícia Moraes Machado – Mas aquela obra não teria razão de existir, não liga nada a nada.
Então você se esqueceu do projeto que foi apresentado. Aquela obra nunca foi feita para uma ligação do ponto de vista viário. O tempo todo foi dito por nós que aquela obra seria para interligar as partes do Parque Botafogo que foram antropizadas ao longo dos anos. Aos poucos, a flora e a fauna vão se reorganizar e aquele ambiente será, novamente o Parque Botafogo como era antigamente, em sua plenitude. Ali ainda faremos a nova bilheteria do Mutirama. Quando a fizemos, as pessoas entrarão para o parque por ali, sobre o túnel da Avenida Araguaia. Há problemas, mas mesmo com problemas estamos fazendo mais do que todos fizeram, e isso não é divulgado.



Frederico Vitor – E sobre a questão da iluminação?
Goiânia foi a primeira cidade do Brasil a aplicar o programa Reluz. Trocamos todas as lâmpadas de mercúrio para lâmpadas de sódio, ambientalmente mais corretas. A troca foi feita de uma vez. Agora, chegamos ao limite de vida útil dessas lâmpadas. Então, nos deparamos com um problema que acentuou a crise. Não por falta de lâmpadas, mas de caminhões. Existe sim um problema, que é carregar os servidores que fazem a troca das lâmpadas.
Sobre as praças, elas continuam sendo tratadas com o mesmo padrão. Nesse período de seca, elas sempre ficam menos verdinhas. As praças continuam sendo tratadas com o mesmo padrão.

Euler de França Belém – No Parque Vaca Brava não tem uma lixeira e faltam lixeiras na cidade toda.
Mas você acredita que fui eu quem as tirou?

Euler de França Belém – Não que o sr. seja responsável por tudo, mas por que não colocar mais lixeiras?
Porque não é fácil. Fazer correção de tudo, na cidade, não é possível. Os mai­ores problemas que tivemos, na coleta, troca de lâmpadas e tapa-buracos foi pela falta de caminhões, pelos con­tratos de locação. Agora, já estão e­quacionados. Já fizemos um acordo com as duas empresas que nos servem.
Vou dar uma novidade para vocês: dos três viadutos do Complexo Mauro Bor­ges [Marginal Botafogo com Rua 88], dois estão prontos, falta apenas um – e foi por dificuldade financeira que a obra parou. Na segunda-feira, 11, eles retornam e cumprirão a obra em 45 dias. Fizemos um acordo definitivo.

Cezar Santos – Então, podemos dizer ao leitor, que em 45 dias a obra estará pronta? Vamos colocar dois meses de prazo?
Tudo bem, melhor colocar dois meses.

Cezar Santos – E as lâmpadas dos postes, serão repostas quando?
A reposição das lâmpadas é feita constantemente. Não é o volume que foi divulgado. Sabe quantos postes temos em Goiânia? Falam em 18 mil postes com lâmpadas queimadas, mas temos 140 mil pontos de iluminação.

Euler de França Belém – Se tiver uma faltando em uma rua, para as pessoas que moram naquela rua, é um problema.
Exatamente. É um problema grave e isso é divulgado. São 10 mil queimadas, mas tem 130 mil ligadas e sobre isso ninguém fala. Nossa capacidade de reposição é de no máximo 3 mil, por mês.

Cezar Santos – De onde tiraram essas 18 mil lâmpadas queimadas?
Foi uma projeção que um veículo de comunicação fez. Inclusive, calculou em tantos bairros e como tem o dobro de bairros, dobrou o número.

Cezar Santos – O sr. está falando do jornal “O Popular”.
Eles dizem isso na reportagem.

Patrícia Machado – O sr. está criticando muito a mídia. O sr. é favorável ao projeto do PT de controle de qualidade da mídia no Brasil?
É controle social da mídia, não de qualidade. Eu acredito que todo segmento tem de ter controle social.

Patrícia Machado – Dê um exemplo.
A sociedade precisa controlar a ação, principalmente, daquilo que é concedido pelo poder público, pois ele emana da própria sociedade. Se bom ou ruim, ele emanou de lá.

Euler de França Belém – Nesse caso, sobre concessões, o sr. está falando de televisão e rádio, pois jornal impresso é diferente.
Estou falando de concessão.

Euler de França Belém – Justamente. Esse controle não é de concessões.
Eu não conheço profundamente o projeto, mas do que vi afirmo que sou favorável.
Patrícia Machado – Não há uma censura prévia?
Não, mas admito que não conheço o projeto. Não costumo emitir opinião sobre o que não conheço, portanto não falarei sobre esse projeto. Agora, sobre a necessidade de controle social das concessões públicas, eu não tenho dúvida: todas precisam ter controle social. Se não, podem haver vários desvirtuamentos. Vamos dar um exemplo de como vocês [da imprensa] às vezes são contraditórios…

Euler de França Belém – O sr. está provocando…
(risos) Como também você está me provocando, da mesma forma. E eu não acho ruim, é bom para o debate. Eu vi várias reportagens criticando a falta de fiscalização sobre uma concessão pública em Goiânia: falo sobre transporte urbano. Isso é verdade ou não?

Euler de França Belém – Todos viram.
Você concorda que tem de ter um controle social sobre essa concessão?

Euler de França Belém – Sim, mas é um serviço público diferente.
É uma concessão igual às outras. Não importa se a concessão é sobre um avião, sobre um carro ou sobre uma televisão.

Fonte: Jornal Opção