8 de agosto de 2014

Galeria Noturna do Centro começa no domingo


Projeto da Prefeitura de Goiânia transformará portas de estabelecimentos comerciais em painéis para artistas goianos

O Projeto Galeria Noturna, uma iniciativa da Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, tem início no próximo domingo, 10 de agosto. Às 8 horas, a pasta oferece um café da manhã em frente ao Grande Hotel. De lá, os artistas seguem para grafitar as portas metálicas dos comércios da Avenida Goiás.

A ação tem o apoio de artistas goianos, comerciantes, Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomercio), Sindicato do Comércio Varejista do Estado de Goiás (Sindilojas), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sebrae, Sindicato dos Proprietários de Pit-dog de Goiânia e do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de Goiás (Sescon).

Até o momento, 25 lojistas já confirmaram autorização, um total de 70 portas. Autor e coordenador do projeto pela Secult Goiânia, o artista plástico e gestor cultural Gutto Lemes explica que a ideia é inédita no Brasil e no exterior. “Vamos mudar a cara do Centro de Goiânia. De dia, o comércio a pleno vapor; de noite, uma grande galeria a céu aberto para toda a população. Será um grande cartão postal de Goiânia”, afirma o gestor. Gutto Lemes acredita que projetos dessa natureza contribuem para uma melhor segurança das pessoas que frequentam o local.

Entusiasta da ideia, o secretário municipal de Cultura, Ivanor Florêncio, entende que o projeto favorece o processo de revitalização do Centro de Goiânia e estimula o turismo na região. “O goianiense sempre responde positivamente às manifestações artísticas. Tenho certeza de que muita gente vai passar pela Avenida Goiás à noite e nos finais de semana pra ver as obras. Será um verdadeiro corredor cultural da nossa capital”, afirma o secretário. Florêncio informa também que, no mesmo dia em que os artistas pintarem as portas, a Secretaria Municipal de Cultura anuncia o edital para novas etapas do projeto.

Ivanor Florêncio espera, em breve, contemplar todo o espaço da Avenida Goiás entre as praças Cívica e do Trabalhador com o Galeria Noturna. Assim, o corredor cultural da Avenida Goiás se transformará na maior galeria aberta do mundo, com cerca de 1,7 mil metros de extensão.

Todas as obras desta primeira etapa do projeto serão contempladas com a confecção de um catálogo e de um documentário em vídeo produzidos pela Secult Goiânia e que serão lançados em uma exposição fotográfica durante as festividades do aniversário de Goiânia.

Outras galerias

Berlim, Londres, Brumadinho (MG) e Rio de Janeiro são atualmente as cidades mais reconhecidas mundialmente por transformar paisagens urbanas em galerias abertas. A ideia da Secretaria é que Goiânia não somente siga o exemplo como se torne uma referência mundial. “Já fizemos a revitalização nos becos próximos à Avenida Goiás e agora iniciaremos a reestruturação da própria Avenida, que de dia será comércio, a noite um centro de artes”, assegura Ivanor.

Em Berlim, a East Side Gallery transformou o que sobrou do muro da cidade em um painel artístico. Chamado de “Memorial Internacional da Liberdade”, o local possui 1,3km de intervenção feita por 105 artistas e hoje é um dos maiores pontos turísticos da Alemanha.

A arte de rua de Londres iniciou espontaneamente com artistas locais que grafitavam as paredes das ruas. Os grafites ganham atualmente molduram e são considerados rota turística para quem visita a Inglaterra. A cidade conta atualmente com guias específicos para este tipo de passeio.

O Brasil tem dois casos similares: o primeiro em Minas Gerais, com o museu Inhotim, no município de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, que foi instalado em uma fazenda e conta com um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil, além de abrigar plantas raras, tanto nativas quanto exóticas.

A segunda referência brasileira fica no Rio de Janeiro, que a partir do projeto GaleRio, pretende recuperar passagens subterrâneas e áreas degradadas através da arte urbana. A previsão é que até 2016, os muros que margeiam os 40,4 quilômetros da Linha 2 do Metrô e permeiam 15 bairros da Zona Norte sejam tomados por painéis elaborados por mais de 130 grafiteiros.

Fonte: Prefeitura de Goiânia e Jornal O Hoje