27 de agosto de 2014

Celg deixa órgãos da Prefeitura às escuras


Débito de quase R$5 milhões faz Celg suspender fornecimento de energia para a Prefeitura de Goiânia. Sistema de semáforo ficou prejudicado

O corte no fornecimento de energia elétrica feito pela Celg em vários órgãos da Prefeitura de Goiânia trouxe vários transtornos, causando a suspensão de diversos serviços. O problema ocorre desde a manhã da última segunda-feira (25), quando foi cortada a eletricidade na sede da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade Urbana (SMT) e do Mercado do Setor Pedro Ludovico, mantido pela Secretaria Municipal Indústria Comércio e Serviços (Semic).

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Goiânia, além da SMT e da Semic, outros três órgãos municipais enfrentaram o problema: a Secretaria Municipal de Obras (Semob), Secretaria de Habitação (Sehab), e Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Esta última teve comprometido o serviço de agendamento de consultas. Ainda segundo a assessoria, os cortes são parciais.

A Celg alega que a medida foi adotada por causa de débitos da ordem de R$ 4,8 milhões não negociados pela prefeitura com a estatal. Já a gestão municipal lembra a existência de uma dívida ativa em impostos, devidos pela concessionária de energia elétrica, de cerca de R$144 milhões, mas que, segundo a estatal, não estaria na negociação. Durante coletiva na manhã de ontem, o secretário de Finanças do município, Jeovalter Correia, afirmou que a prefeitura irá cobrar o débito.

De acordo com ele, a população é a maior prejudicada com a decisão da companhia. “A falta de energia elétrica poderia interferir nos sinais de trânsito e causar caos em toda a cidade”.

Além disso, Jeovalter lembrou também que muitas pessoas não puderam marcar consultas médicas devido ao corte de energia. “Foi irresponsável essa atitude da Celg com a prefeitura na área social”.

Sistema de semáforos fica paralisado

Um dos órgãos mais afetados pelo corte do fornecimento de luz foi a SMT (Superintendência Municipal de Trânsito). Segundo José Geraldo Freire, titular da pasta, a energia do sistema de engenharia semafórica ficou cortada por algumas horas. “Foi um prejuízo grande para todo nosso sistema de gerenciamento semafórico. Tivemos que conseguir um nobreak especial para mantermos um monitoramento mínimo”.

Ele afirmou também que o sistema de validação de multas foi afetado. “Por meio desse sistema, agentes de trânsito que ficam em uma central recebem imagens de uma situação de infração para ser analisada e validada”, explica.

José Geraldo conta que os agentes desse departamento tiveram que ser realocados em outro prédio e com outros computadores para fazer o serviço. “Infelizmente perdemos horas de trabalho e isso causa impacto diretamente no volume de serviço que fica acumulado”, lembra.

O secretário informou que, até o final da tarde de ontem, o setor da SMT responsável pelo cadastramento para renovação de licença ou licenciamento de táxis, mototaxis e ônibus escolares, a energia elétrica não havia voltado.

Ele explica também que o corte no fornecimento de luz afetou todo o sistema semafórico. “Os semáforos não chegaram a ficar sem funcionar, mas perdemos o contato com os controladores dos equipamentos. Com isso, serviços que antes fazíamos via sistema, como a programação de tempo dos sinais, tivemos que fazer in loco. A falta de contato com os controladores nos impede também de sabermos se o equipamento está funcionando adequadamente”, relata o secretário.

Pagamento

Para garantir o restabelecimento da energia elétrica em seus órgãos, a Prefeitura acabou tendo que quitar parte dos débitos para que os serviços, que não podem ser interrompidos, fossem normalizados. A gestão municipal chegou a entrar com um mandado de segurança, na última segunda-feira, para evitar os cortes, mas ainda assim a ordem de suspensão do serviço foi cumprida.

Em nota, a Centrais Elétricas de Goiás (Celg) informou que o corte de energia nos órgãos municipais foi uma ação normal como acontece com qualquer contribuinte que fica inadimplente com a Celg. Ainda segundo a nota, o débito da Prefeitura de Goiânia existe desde outubro de 2013 e como a dívida não foi paga, a Celg efetuou o corte.

Fonte: Jornal O Hoje