10 de agosto de 2014

Bicicleta como boa opção de transporte


Defensores do modelo sustentável de transporte reclamam de falta de atenção ao público que opta por andar de bicicleta

Goiânia ainda deixa a desejar quando o assunto é prioridade ao ciclista. Falta de ciclovias, faixas preferenciais e a falta de respeito por parte do motorista são as principais reclamações. Coordenador do grupo Pedal Goiano, Eduardo da Costa Silva acredita que o que falta aos goianos é acreditar no papel da bicicleta como instrumento de humanização do trânsito e alternativa de transporte.

Especialistas em mobilidade também defendem incentivo ao modelo de transporte, que é sustentável, não polui e contribui com um modelo de vida saudável.

Engenheiro e professor, Sérgio Botassi afirma que o incentivo à implantação de ciclovia faz parte da solução para um transporte coletivo mais sustentável e inteligente. “É comprovado que um volume expressivo de viagens dentro dos centros urbanos ocorre em trechos relativamente pequenos, entre 1 km a 5 km de distância”. Segundo ele, esse seria trecho ideal para ser percorrido por meios de transporte mais flexíveis, tipo “porta-a-porta”, ou seja, em que o meio de transporte permite a saída da origem e chegada ao destino sem necessitar de outra forma de locomoção.

Plano diretor

Ainda de acordo com o professor Botassi, há ainda o benefício direto da redução da poluição do ar e sonora, além de contribuir para um estilo de vida mais saudável. Isso significa dizer que, se houver cicliovias integradas com as demais vias urbanas e outros meios de transporte, haverá a redução na sobrecarga dos outros meios e melhoria da qualidade de vida. “É importante mencionar que o governo federal incentiva a construção de ciclovias por meio do PAC da Mobilidade Urbana, havendo recursos destinados a soluções sustentáveis como essa”.

Eduardo da Costa afirma que Goiânia ainda não tem a cultura da bicicleta e faltam investimentos no sistema cicloviário interligando outros modais, além de campanhas de educação do trânsito. “Poucas campanhas de educação do trânsito falam da bicicleta. Alguns motoristas enxergam o ciclista como intruso nas vias, mas ele não é. Faltam consciência, respeito e humanização. Alguns poucos motoristas respeitam os ciclistas, mas eles são uma minoria”, aponta.

Para que Goiânia tenha ciclovias adequadas, Eduardo entende que é necessário mudança de mentalidade, além de vontade política. “As ciclovias estão previstas no Plano Diretor, que é lei, e devem sair do papel.”

Ele afirma que a ciclovia da T-63 deve ser finalizada e, principalmente, ser sinalizada, além de interligar terminais de ônibus. “Deve ser resolvida a questão da ponte da baixada da T-63 também. As ciclovias devem ser conectadas aos outros modais, não finalizando sem interligação e estrutura”, critica.

“Papel da bicicleta é humanizar o trânsito”

Arquiteta, urbanista, mestre e doutora em transportes, Erika Cristine Kneib destaca que, além dos conhecidos benefícios do uso da bicicleta para a saúde e meio ambiente, costuma destacar outro: a mudança da escala de olhar e viver a cidade. “Olhar a cidade de dentro do carro não permite perceber adequadamente a vitalidade, a paisagem ou as pessoas. A bicicleta recupera tudo isso. Com o maior uso da bicicleta, normalmente as cidades são requalificadas numa escala para as pessoas, deixando os espaços mais atrativos, seguros e bonitos”, comenta ela.

Na opinião da arquiteta, para potencializar o uso da bicicleta é necessário garantir segurança, infraestrutura adequada, incentivo à utilização deste modo e o mais difícil: disciplinar o uso do automóvel. Automóvel a altas velocidades e bicicleta não convivem bem”.

Erika acrescenta que países europeus e EUA têm adotado com sucesso as “zonas 30”, nas quais, em determinadas áreas da cidade, a velocidade máxima é de 30 km/h, para todos os modos. Para ela, isso permite uma convivência adequada entre veículos motorizados e não motorizados, com baixos riscos de acidentes.

Um argumento importante é que, na maioria das cidades, os automóveis – principalmente em horários de pico – não ultrapassam velocidades médias de 30km/h. “Isso poderia e deveria ser adotado em bairros de Goiânia, ao redor de parques, praças e outros, garantindo segurança ao pedestre e ciclista e melhorando a ambiência desses locais”.

Rede integrada

Eduardo da Costa, do grupo Pedal Goiano, concorda e complementa que o papel da bicicleta é humanizar o trânsito, para ser instrumento de mobilidade e transformação. “Pequenos trechos podem ser pedalados por todos. Investimento em ciclovias encorajariam vários pedestres e motoristas a virarem ciclistas, a exemplo do que já ocorreu em várias cidades”, ressalta.

Antenor Pinheiro, especialista em trânsito e presidente da comissão temáticas de bicicletas da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), regional Centro-Oeste, entende que as ciclovias são parte importante da solução para a mobilidade nas cidades, mas devem ser planejadas como rede integrada ao sistema de transporte coletivo. “A bicicleta tem de deixar de ser exclusivamente concebida como equipamento de lazer e esporte e ser concebida como modal de transporte urbano. Não basta escolher uma via e implantar solitariamente o espaço ciclável.

O especialista entende que é preciso estimular seu uso rotineiro com segurança, objetividade e eficiência, além de políticas de estímulo ao uso da bicicleta devem acompanhar as demais intervenções viárias.

Fonte: Jornal O Hoje