21 de julho de 2014

Transporte coletivo: Só 66% dos ônibus no horário


Situação é pior nos horários de pico, quando índice de pontualidade é de apenas 35%, segundo RMTC

As empresas de ônibus informam que 34,2% dos ônibus estão andando fora do horário nos últimos 13 meses. A situação fica muito pior nos horários de pico, quando cerca de 65% dos ônibus ficam fora do horário. A informação foi revelada depois que O POPULAR mostrou às empresas uma planilha com 10 linhas monitoradas pela reportagem durante 5 dias úteis nas últimas duas semanas em quatro horários diferentes, quando se constatou que quase 51% dos 1906 ônibus identificados neste monitoramento estavam fora do horário (atrasados ou adiantados). Para isso, O POPULAR usou o aplicativo Olho no Ônibus, lançado neste mês pelo consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) para que o usuário identifique a localização dos ônibus (veja quadro).

O diretor-geral da RMTC, Leomar Avelino, disse que o índice de ônibus fora do horário apresentado pelo POPULAR são maiores do que a realidade do sistema porque foram escolhidas linhas mais pesadas (003, 006, 010, 014, 015, 020, 027, 157, 255 e 280), por trafegarem onde o trânsito é mais intenso, como as principais avenidas de Goiânia, além de serem extensas, cruzando a cidade. “Quando se pega o sistema inteiro, com as linhas alimentadoras que circulam mais nos bairros, o índice de pontualidade acaba aumentando.”

Avelino diz que a intenção da RMTC é trabalhar para que o índice de pontualidade chegue a 80%. Em países onde o transporte coletivo é mais desenvolvido, como Suécia e Colômbia, o índice chega a 97% e 98%, respectivamente. Em todo o mês de junho passado, segundo os dados das empresas, o índice de pontualidade foi de 66,2%. No mesmo mês do ano passado a média foi de 66,4%. Em 2013, o pior mês foi em setembro, com apenas 62% dos ônibus circulando no horário.

Mas a situação é pior mesmo no horário de pico. De acordo com o diretor-geral da RMTC, desde 2009, quando começou o monitoramento das empresas, o índice de pontualidade no momento em que o trânsito é mais complicado na cidade sempre ficou próximo dos 35%, variando alguns pontos porcentuais para baixo ou para cima.

O levantamento feito pelo POPULAR, como foi em cima de linhas mais problemáticas, não verificou grande diferença entre os horários de pico e entrepico. O esperado seria que os atrasos fossem maiores no período de demanda mais intensa, em função do maior fluxo de trânsito. Os ônibus das dez linhas escolhidas pelo POPULAR foram monitorados às 7 horas e às 19 horas, com média de atraso de 50,60%. Já no entrepico, cujo monitoramento foi feito às 11 horas e às 15 horas, o mesmo índice foi de 49,54%. Para o consórcio das empresas, o índice é maior do que o verificado no sistema em geral.

DEFASAGEM

A reportagem também flagrou uma defasagem entre o número de ônibus que aparece no mapa do aplicativo e os dados que são apresentados em outra planilha no site, específico sobre quantidade de ônibus por faixa de horário. No mapa, o número é sempre menor. Foi o que aconteceu, por exemplo, às 19 horas do dia 15 de julho, quando no mapa constavam 836 veículos, mas na planilha por faixa horária informava a presença de 1075, uma diferença de 22%.

Avelino explica que a planilha por faixa horária, que traz o número planejado e o realizado, se refere ao máximo de veículos que estiveram em operação naquela hora e não que necessariamente houvesse aquele número durante toda a faixa de horário. Ou seja, em algum momento entre 19 horas e 20 horas havia 1075 ônibus circulando no dia 15 de julho, mas não quando O POPULAR fez o monitoramento das linhas pesquisadas.

Em nenhuma das 13 vezes que a reportagem entrou no aplicativo para fazer a verificação, o número de ônibus no mapa se aproximou ao da planilha por faixa horária.

Veículos adiantados também dão problema

Monitoramento feito pelo POPULAR em cinco dias úteis nas duas últimas semanas mostra um elevado número de ônibus adiantados em relação ao horário planejado. O percentual variou de 10% a 35% dependendo do dia analisado e da linha. Para o consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), é um problema mais complicado e difícil de lidar do que o dos ônibus atrasados.
Segundo as regras da Central de Controle Operacional (CCO), é considerado como atrasado o ônibus que está cinco minutos atrás do horário programado para ele passar em determinado ponto.
O diretor-geral da RMTC, Leomar Avelino conta que na Suécia, com índice de pontualidade de 97%, os 3% restantes são de veículos que estão adiantados e que até hoje os engenheiros do país europeu ainda não conseguem solucionar este problema.

Em Goiânia, Avelino revela que a maior parte dos problemas neste sentido é em função do próprio motorista, que sempre trabalhou com a tendência de não deixar o veículo em atraso e, muitas vezes acaba exagerando na vontade de cumprir o determinado, principalmente quando o trânsito no trecho percorrido está mais tranquilo do que o habitual.

Como prova disso, Avelino afirma que o índice de ônibus adiantados aumenta nos meses de férias, especialmente janeiro e julho, justamente porque os motoristas estão acostumados com o trânsito mais pesado e, mesmo com as ruas mais vazias neste período, a pressa segue a mesma.
O problema maior é que o passageiro perde o ônibus quando este está adiantado, enquanto o ônibus atrasado pode levar o usuário que o está esperando, mesmo que a viagem acabe ficando mais demorada.

Fonte: Jornal O Popular