14 de julho de 2014

Roubo de Veículos: Mais crimes na porta de casa




Quadrilhas que roubam veículos em Goiânia têm um alvo preferido. A maioria das vítimas é homem (75%), abordada, geralmente, na porta da residência (40%) ou de comércio e banco (30%), por mais de um assaltante (65%) que chega a pé (75%). É o que mostra levantamento do POPULAR feito a partir de 487 ocorrências registradas, no mês passado, na capital. Além disso, os ladrões de carro atuam mais entre segunda-feira e quarta-feira, à noite, sobretudo das 21 horas às 22 horas. Em Goiás, 4.927 carros foram roubados, no primeiro semestre do ano, 64% deles só em Goiânia, onde houve avanço de 32% de casos notificados em relação ao mesmo período de 2013.

A escalada do roubo de veículos na capital cresce em velocidade maior que a registrada no Estado, onde o número de ocorrências deste tipo de crime subiu 29,7%, em comparação com o primeiro semestre de 2013. Mais vítimas são do sexo masculino porque, em Goiás, há mais homens que mulheres conduzindo veículos, segundo comparou o titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), o delegado Paulo Roberto Tavares. “É uma questão de proporcionalidade”, observou. “A oferta para os bandidos aumenta, já que, ano após ano, subiu a frota de veículos no Estado”, emendou.

Goiás tem 3,3 milhões de veículos, um terço deles (1,1 milhão) concentrado só na capital. Em todo o Estado, há 1,4 milhão de condutores do sexo masculino e 660,3 mil, do sexo feminino, conforme estatística do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A autarquia não soube informar o número de motoristas por sexo na capital, alegando que o sistema dela não separa estes dados por município. Em Goiânia, a quantidade de mulheres vítimas de roubo de veículo tem apresentado “ligeiro aumento”, nos últimos anos, de acordo com o delegado, apesar de ser três vezes menor que o de homens.

Para o delegado, a dinâmica do mercado de trabalho sugere uma mudança no perfil das vítimas. “As mulheres estão cada vez mais entrando no mercado de trabalho, indo para uma faculdade, procurando sair de casa de veículo e a própria dificuldade de se locomoverem na cidade grande faz com que todo mundo procure ter um carro”, acentuou ele, para continuar: “Carro hoje não é mais um hobby, é uma necessidade.”

DISTRAÇÃO DA VÍTIMA

Se, por um lado, as pessoas reclamam da correria do dia a dia, pressionadas pelo tempo para cumprir um grande número de tarefas, por outro, o excesso de atividades pode aumentar a distração, a grande aliada dos criminosos, avalia Tavares. “Os criminosos abordam as vítimas no momento em que elas estão distraídas, saindo da residência ou chegando, na maioria das vezes”, alertou o delegado, destacando que os carros roubados na capital também alimentam o mercado de drogas e são vendidos em outros Estados e países, sobretudo o Paraguai.

Geralmente, os bandidos colocam os carros roubados para “esfriar” na região central da cidade ou em bairros que têm maior fluxo de veículos, numa tentativa de despistar qualquer identificação. É o que explicou o tenente-coronel Divino Alves, porta-voz da Polícia Militar de Goiás (PM-GO). No jargão dos criminosos, “esfriar” é deixar o carro estacionado em algum local, por dois ou três dias, para, depois, buscá-lo. Mas, ao perceberem a presença de um carro de polícia e caso não haja interesse de colocar o veículo da vítima no mercado clandestino, os assaltantes o abandonam.

O tenente-coronel destacou que não é comum os criminosos colocarem carros para esfriar em bairros da periferia. Ele observa que veículos novos são mais roubados que os velhos porque têm mais mecanismos de segurança e, por isso, os assaltantes precisam abordar as vítimas para levar as chaves. Segundo ele, veículos mais antigos são, normalmente, furtados, já que basta usar uma chave falsa, por exemplo, para levá-los, sem a necessidade de abordar o motorista.

Veículos são vendidos no Brasil e no exterior

Veículos roubados em Goiânia são revendidos no mercado clandestino em Goiás e em Estados como Mato Grosso, Pará, Bahia e Tocantins. Mas a rede criminosa também se estende para além das fronteiras do País. Do lado de lá, Paraguai é um dos principais locais onde as quadrilhas conseguem obter maior ganho com o resultado do roubo. É o que explicou o titular da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), o delegado Paulo Roberto Tavares.

Ao destacar que grande parte das ocorrências de roubo está atrelada a problemas sociais, que não seriam resolvidos meramente com o endurecimento da lei ou com a atuação de mais policiais, o delegado explicou que o mercado interno, no Estado, é o que mais lucra com os carros roubados. Ele ressaltou, contudo, que os veículos também são enviados para Estados onde há muitas fazendas. “Caminhonetes roubadas têm facilidade de trafegar dentro de extensas faixas de terras no Mato Grosso, na Bahia e no Pará, por exemplo, porque ninguém vai abordar entre uma área rural e outra.”

Várias quadrilhas, segundo Tavares, atuam no Estado e têm ramificações. “Vai desde o ladrão até o que recebe, lá na ponta. Passa pelo comprador e pelo vendedor. É toda uma linha de crimes”, disse. “Infelizmente, a gente ainda tem a situação de presos comandarem quadrilha”, referindo-se a detentos do regime fechado cometerem crimes de dentro dos presídios em Goiás.

Para o tenente-coronel Divino Alves, porta-voz da Polícia Militar de Goiás, é preciso investir mais em fiscalização nas fronteiras do País. “É preciso fiscalizar as fronteiras do País e identificar as quadrilhas, o que cabe à Polícia Civil.” Alves diz que nos 10 primeiros dias deste mês o percentual de recuperação de veículos roubados em Goiânia chegou a 70%.

Fonte: Jornal O Popular