13 de julho de 2014

Poluição: Controle do ar é desatualizado



Levantamento aponta que apenas 1 de 8 poluentes é monitorado por três aparelhos em Goiás

A qualidade do ar em Goiânia e na região do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), mesmo que o elemento seja monitorado pelo Estado, é desconhecida. Isso ocorre porque apenas 1 entre os 8 poluentes que deveriam ser monitorados é verificado pelos três aparelhos estaduais, dois instalados na capital e um em Anápolis. Pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade, intitulada Monitoramento da qualidade do ar no Brasil, constata que esta fiscalização no Estado é desatualizada. Além disso, aponta que o número de equipamentos é insuficiente.

Em Goiás o monitoramento é feito apenas em relação às Partículas Totais em Suspensão (PTS). A medida deste elemento tornou-se desatualizada, pois este não é mais considerado como um poluente relevante a ser monitorado, como indica as leis americanas e europeias. As PTS “têm pouca importância em efeitos para a saúde diante das medidas do material particulado de diâmetros menores (10 e 2,5 micrômetros - µm), hoje largamente utilizados”, diz a pesquisa. Estas partículas são aquelas que apresentam diâmetro de até 50 µm.

As PTS afetam apenas as vias aéreas superiores, ou seja, as narinas e são mais importantes em relação às condições estéticas das cidades, já que gera aquele aspecto de fumaça sobre a cidade em determinadas épocas do ano. No entanto, estes mesmos aparelhos utilizados no Estado não conseguem medir a presença de substâncias bem mais nocivas, como o dióxido de nitrogênio, que é produzido pelos automóveis e são prejudiciais à saúde, já que causam irritação nas vias aéreas inferiores, ou seja, aos pulmões.

A pesquisa também critica os amostradores de grande volume, que são os aparelhos do Estado utilizados no monitoramento do ar. Para os pesquisadores, os equipamentos são obsoletos, por serem do tipo manual que “demandam maior tempo de amostragem em número de medições horárias e diárias, e análise laboratorial após as medições, o que também explica não haver a atualização diária dos dados”. Os dados são colhidos uma vez por semana, às segundas-feiras, e divulgados no site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

Superintendente de Qualidade Ambiental da Semarh, Luciano Henrique de Moura afirma que o Estado cumpre as normas previstas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), em relação às PTS. Diz ainda que a qualidade do ar nas regiões monitoradas permanece entre regular e moderada. A exigência do Conama é que o ar se mantenha em até 80 µg (micrograma) por metro cúbico de ar. Até 120 µg, o ar é considerado regular e, entre esse valor e 160 µg, é moderado. Dos três aparelhos de Goiás, o que registra a pior qualidade é o que fica no Daia, em função das indústrias na região.

O superintendente afirma que é feita uma fiscalização, especialmente com relação às fábricas, que devem manter ações que diminuam a emissão de poluentes. Este trabalho também conta com apoio da Superintendência de Vigilância em Saúde, com o programa VigiAr. Em Goiás, a maior preocupação é com o tempo seco, em que o ar acumula mais partículas poluentes e a qualidade diminui.

A pesquisa mostra que Sergipe e Distrito Federal monitoram 3 poluentes e que só 1,7% dos municípios brasileiros fazem monitoramento do ar,

Estado terá novos aparelhos

Segundo o superintendente de Qualidade Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Luciano Henrique de Moura, o avanço das novas tecnologias são imprescindíveis para o monitoramento ambiental. Moura concorda que o aparelho que mede a qualidade do ar é atrasado e, até por isso, revela que o Estado prepara uma licitação para a compra de seis novos equipamentos até o final do ano. Os novos objetos terão de monitorar uma quantidade maior de substâncias e devem entrar em funcionamento em 2015. A verba, de R$ 300 mil, já está empenhada.

Moura explica que, diferente dos três equipamentos atuais, cinco dos novos serão móveis e poderão ser utilizados em outras cidades do Estado. Apenas quando os aparelhos estiverem de posse do poder público é que os técnicos da Semarh farão um estudo sobre onde o ar será monitorado e se algum equipamento ficará fixo em um local específico, como na capital. “É importante analisar a área de abrangência de cada equipamento e o tipo de monitoramento que nós queremos fazer. Aqui o mais importante é monitorar no período seco, em que a qualidade cai mais”, avalia.

Em relação ao número de equipamentos, Moura afirma não saber dizer se os três do Estado são suficientes. Ele diz que é necessário uma pesquisa de amostragem para definir a quantidade de aparelhos ideal. Até mesmo dentro de Goiânia, o superintendente afirma que os dois objetos podem não monitorar todo o ar da capital, que depende também da direção e intensidade dos ventos. “Já conseguimos receber partículas de construções dos condomínios próximos à BR-153, por exemplo”, diz. Por outro lado, ele confirma que outros municípios, como Aparecida de Goiânia e Rio Verde, deveriam ter o ar monitorado.

Fonte: Jornal O Popular