4 de julho de 2014

Governo procura saída para segurança


Uma comissão formada de auxiliares do governador fez ontem primeira reunião a portas fechadas para traçar medidas contra crime

Uma comissão que será comandada pelo vice-governador José Eliton (PP) com os dirigentes da Segurança Pública no Estado foi formada com o objetivo de reter o aumento da criminalidade e reverter a imagem negativa gerada pela onda de crimes que ocorreram nos últimos meses no Estado.

O secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita; o delegado-geral da Polícia Civil, João Carlos Gorski; e o comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Silvio Benedito Alves, se reuniram ontem com o vice-governador a portas fechadas, para tratar sobre a formalização do Grupo de Enfrentamento à Violência, que terá o objetivo de rever as estratégias para conter a criminalidade e, consequentemente, melhorar a imagem do governo na área.

Apesar de Goiás ter aparecido na segunda colocação dentre 25 estados no levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) acerca da governança da segurança pública em levantamento realizado entre julho e novembro do ano passado, os números da criminalidade continuam crescendo. Em junho, Goiânia registrou 77 assassinatos. É o maior número de homicídios da história da capital. O recorde anterior também foi registrado neste mandato de Marconi Perillo (PSDB), em dezembro do ano passado, quando foram registradas 65 mortes violentas na capital.

Marconi continua a cobrar mais recursos do governo federal para a segurança pública, o que dependerá da elaboração e aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determine a participação da União nos investimentos para o setor. O tucano defendeu ainda a federalização dos presídios e maior proteção nas fronteiras do País.

A fragilidade da segurança em Goiás deverá ser um dos temas explorados pelos adversários do governador, que é candidato a reeleição, como já ocorreu durante a pré-campanha. A estas críticas, Marconi classificou como destrutivas e desprovidas de qualquer fundamentação legal, técnica ou moral.

Joaquim Mesquita lembra que o Estado vinha de uma linha descendente de crimes até novembro de 2013 e, até maio, estabilizou o número. Ele comenta que o aumento dos homicídios se deu a partir do primeiro jogo da Copa do Mundo, dia 12 de junho, mas considera imprudente afirmar que houve essa relação, antes dos resultados das investigações da Polícia Civil.

Segundo o secretário, há relação dos crimes com drogas e, na maioria dos casos, os assassinatos foram cometidos por pessoas que já possuem passagens pela polícia. Ele culpa a legislação penal, que não favorece a prisão e a permanência de criminosos na cadeia.

Uma portaria assinada pelo delegado Murilo Polati Rechinelli, titular da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), foi afixada nas dependências da delegacia, informando que Mesquita teria determinado a proibição do repasse de informações acerca de crimes à imprensa. Entretanto, o secretário negou que tenha repassado essa orientação. A Polícia Civil esclareceu, através de nota, que o comunicado se refere a situações reguladas por lei ou pelo regimento interno a respeito da divulgação de estatísticas e do manuseio de documentos oficiais.

O delegado geral Gorski acredita que junho foi um mês atípico e que os crimes estão relacionados ao tráfico de drogas. Para conter a onda de violência, Gorski informou que a polícia vai atuar na repressão e prevenção ao tráfico de drogas.

Orientações eleitorais

O governador Marconi Perillo promoveu uma reunião com os auxiliares do primeiro escalão na manhã de ontem no Palácio Pedro Ludovico Teixeira. O objetivo foi orientar os secretários quanto às proibições da legislação eleitoral. Apesar de o governador continuar no exercício da função, ele não poderá participar de inaugurações de obras públicas.

Também é proibida a publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos estaduais ou das respectivas entidades da administração indireta. A lei eleitoral também proíbe nomear, contratar, admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens, impedir o exercício funcional e, ainda, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos.

Fonte: Jornal O Hoje (Charles Daniel)