17 de julho de 2014

Chikungunya pode virar epidemia em Goiás


Dois casos estão sendo investigados no Estado. Falta de imunização adequada pode agravar problema

Goiás e outras regiões do Brasil podem ter uma epidemia da febre chikungunya. O alerta é do coordenador de Dengue da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Murilo do Carmo e Silva. Ele explica que turistas goianos que visitam a região do Caribe, a África e a Oceania estão trazendo o vírus da doença nas bagagens, já que saem do País sem estarem imunizados de forma eficiente.

Conforme o coordenador, a região do Caribe, por exemplo, possui países em que 60% da população foi atingida pela febre. “É um número muito alto e, em Goiás, como as pessoas ainda não estão imunizadas, isso pode significar sequelas por muito tempo”, ressalta. Murilo chama a atenção para mais um ponto imporante: a chikungunya pode ser transmitida até para o bebê, caso a mãe seja infectada durante a gestação.

Em Goiás, existem atualmente dois casos de chikungunya sendo investigados pelas autoridades de saúde. Os dois pacientes são de Goiânia, e ambos chegaram recentemente de Punta Cana, na região do Caribe.

Cuidados

O coordenador lembra que a melhor forma de prevenir a doença, que tem o mosquito Aedes aegypti como vetor de transmissão, o mesmo da dengue, é evitar viagens às nações com registro de epidemias e combater os focos do agente transmissor. “Pneus velhos, vasos de plantas, bacias, tanques e outros recipientes devem ser mantidos tampados ou com o mínimo possível de água para evitar que o inseto se reproduza”, adverte ele.

Murilo lembra que o ovo do mosquito sobrevive até 450 dias, mesmo sendo depositado em local seco. “Por isso é importante eliminar a água, mesmo limpa, e lavar esses reservatórios com água e sabão.”

O médico infectologista Boaventura Braz de Queiroz também reforça o alerta do coordenador e admite que há grandes chances da febre chikungunya se tornar uma epidemia. “A região Norte (do País) é a porta de entrada dessa doença devido à proximidade com a região do Caribe e também graças à imigração, até clandestina, de haitianos”, comenta.

Para ele, a prevenção passa também pelo combate ao mosquito da dengue. “É preciso reduzir o foco do Aedes aegypti para que a chikungunya não se torne, de fato, no Brasil uma epidemia de grandes proporções”, declara.

Sintomas

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), os sintomas da febre chikungunya são sentidos entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado. O paciente apresenta febre repentina, acompanhada de dores nas articulações, além de dores de cabeça e muscular, náuseas e manchas avermelhadas na pele. Estes últimos fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.

Em média, os sintomas duram entre 10 e 15 dias, desaparecendo em seguida. Em alguns casos, as dores articulares podem permanecer por meses e até anos. De acordo com a OMS, em casos mais raros, há relatos de complicações cardíacas e neurológicas, principalmente em pacientes idosos.

Fonte: Jornal O Hoje