16 de junho de 2014

Solução do Parque Cascavel em 90 dias


Essa pelo menos é a promessa da Amma, que diz já existir projeto de recuperação do local, mas burocracia estaria atrasando início de obras

Mais de seis meses após o início dos estudos, o projeto com a solução para os problemas do Parque Cascavel ficou pronto. Mas ele só dever ser colocado em prática daqui a 90 dias. A demora na conclusão do projeto se deu por conta das fortes chuvas registradas no final de 2013 e que obrigaram as equipes técnicas da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) a refazer parte dos levantamentos. Já a demora para início das obras é justificada pela Secretaria Municipal de Obras (Semob) pelo trâmite legal de licitação, que precisa respeitar prazos legais. Mas moradores da região cobram solução rápida.

O entorno do parque sofreu diversas mudanças nos últimos 15 anos, desde que foi criado. A Prefeitura permitiu, na época, a construção de prédios com torres altas, além da ampliação da área ocupável. Em troca, os empreendedores deveriam realizar a implantação da área verde. Mas o arquiteto e urbanista Garibaldi Rizzo acredita que a ocupação acelerada apresenta diversos efeitos negativos. “Cuidar do entorno é tão importante quanto a recuperação do parque. Não é possível ter resultados positivos apenas com medidas paliativas e localizadas”. Entre os principais prejuízos na região, ele aponta o rebaixamento do lençol freático.

De acordo com o arquiteto e urbanista, os projetos de implantação de parques em Goiânia são bem elaborados e bem implantados. “O que não é bem executada é a manutenção. Governantes precisam entender que o projeto também deve prever a manutenção, que é tão importante quanto a criação e execução das obras”. Ele também discorda da maneira como a região foi ocupada. “Praticamente todos os prédios rebaixaram o lençol freático e isso pode ser observado nas ruas. Como eles drenam a água, precisam dispensá-la. E essa água está sendo jogada no meio da rua”.

Essa alternativa encontrada pelos prédios para construção, principalmente, de mais subsolos para garagens, tem forte impacto no meio ambiente. “O curso natural da água é desviado. E essa ação dos córregos é natural. A água sempre busca seu caminho, independente do que ela encontra pela frente. Fazer esse desvio, com certeza, é prejudicial para a natureza”, comenta Garibaldi.

Sem cuidado

Moradoras da região do parque, as estudantes Ariel Oda, 25, e Jamilla Áurea, 22, reclamam da falta de cuidado com o local. Elas fazem caminhadas diárias na pista do parque e reclamam que o lago está seco desde o ano passado. “Além de feio, temo que ele seque de vez. A gente não sabe o que aconteceu, mas sabemos que nada tem sido feito para melhoria do local. Não me lembro a última vez que vi qualquer pessoa da Prefeitura por aqui, fazendo qualquer tipo de manutenção”, diz Ariel. Já a amiga defende que o problema seja resolvido antes do período chuvoso. “Tem que começar a solução logo. Se tiver outra chuva, como a do ano passado, isso daqui não terá mais conserto”, avalia Jamilla.

Obras devem começar após conclusão de licitação

Gerente de contenção e de recuperação de erosões e afins da Amma, Karla Kristina Cavalcante explica que o projeto foi concluído há cerca de 20 dias e que já foi encaminhado para a Semob. Segundo ela, foram identificados dois fatores principais como causadores dos problemas no parque. Além da drenagem, foi observada a dificuldade do córrego em encontrar seu leito, depois das alterações realizadas pelas construções dos prédios. “Esse novo projeto tem como base a sustentabilidade. A intenção é reduzir a vazão, com o mínimo possível de impacto da água que vem pela rede pluvial no córrego”. Ela acrescenta que o projeto deveria ter sido entregue à Semob antes, mas que a chuva da segunda quinzena de dezembro, que causou prejuízos em toda capital, obrigou a Agência a refazer parte dos estudos. “Diversas características da região foram alteradas após aquela chuva forte”. Mas a gerente da Amma adianta que, entre as obras, está prevista a dragagem do lago, que foi praticamente enterrado pelos sedimentos trazidos durante o período chuvoso. Também será construída uma bacia de contenção para evitar que situações como essas se repitam.O secretário de Obras de Goiânia, Washington dos Santos Ramalho, afirma que o projeto do trecho quatro da obra já está em fase de licitação e, em até 90 dias, as obras devem ser iniciadas.(C.L.)

Fonte: Jornal O Hoje