2 de junho de 2014

Rotatórias já não ajudam tanto


Criados quando Goiânia tinha poucos carros, “queijinhos” mais atrapalham do que ajudam

Rotatória ou semáforo? Em alguns trechos de gargalos do trânsito de Goiânia, muitos condutores se questionam se um não poderia ser substituído por outro. O número de veículos na capital vem tornando essas mudanças inviáveis. A professora de arquitetura com doutorado em transportes, Érika Kneib afirma que não existe fórmula mágica para resolver o problema dos engarrafamentos na cidade. “A melhor forma seria priorizar o transporte coletivo”, diz.

Já o engenheiro Luiz Antônio Nogueira defende as rotatórias, mas lembra que não é em qualquer lugar que elas podem ser eficientes. Locais como o cruzamento das avenidas 85 e T-63 e Praça do Ratinho, foram alterados e passaram de grandes rótulas para viadutos que não sanaram os problemas que eram apresentados antes das intervenções.

Pra quem segue pela avenida T-63, sentido Parque Anhanguera, logo depois do viaduto, percebe um novo estrangulamento, no sinaleiro da Avenida T-4. Auxiliar técnico de uma loja de veículo das proximidades, Leandro Leonardo Rodrigues, 24, diz que nos horários de pico, a avenida chega a formar congestionamentos de vários quilômetros.

Érika Kneib diz que esse é um dos problemas dessas intervenções, realizadas em ruas de grande fluxo, principalmente nas regiões centrais da cidade. “Se não houver prioridade para o transporte de massas, não haverá melhorias no trânsito”. A professora acrescenta que nenhuma cidade no mundo conseguiu chegar a um plano de melhorias sem elaborar planos para dar essa prioridade ao transporte coletivo. “Goiânia precisa de 120 quilômetros de corredores preferenciais e temos menos que dez”.

A prefeitura já estuda intervenções nas avenidas 85, T-7, T-9 e outras. E a especialista defende agilidade na implantação. Ela é crítica e acrescenta que não adianta a implantação de viadutos nas avenidas. “Em cruzamentos de rodovias, eles são adequados, mas no centro da cidade, não. Costumo falar que viadutos em regiões centrais são o caminho mais curto até o próximo congestionamento”.

E a depender do caso, ela entende que rótulas podem ser eficientes, até mesmo mais que cruzamentos semaforizados. “Nas rótulas, há a necessidade obrigatória da redução da velocidade. No cruzamento não”. Mas além disso, a professora defende melhoria na sinalização, ciclovias e novas calçadas. “Mas o principal é desencorajar o uso do carro e da moto e o incentivo ao transporte de massas”.

Engenheiro Luiz Antônio Nogueira defende, entre as vantagens da rotatória, a possibilidade de conversão para qualquer lado. Em cruzamentos com semáforos não se pode virar para um dos lados, a menos que os sinais sejam em 3 tempos, o que aumenta muito o tempo de espera. “Mas cada caso é um caso e precisa ser analisado”. Outra vantagem, seria o fluxo contínuo nos cruzamentos.

Para o engenheiro, em rotatórias sempre existe movimento e a rotatória requer pouca manutenção, diferentemente dos semáforos. Ele ressalta o baixo índice de acidentes e acrescenta que a substituição pura e simples de rotatórias por semáforos não diminui pequenos engarrafamentos. E ele diz ocorrer o contrário, com aumento das filas dos carros parados no sinal.

Fonte: Jornal O Hoje