28 de junho de 2014

Medicamentos: Após 15 anos, genéricos já tem 30% do mercado


Produção destes medicamentos cresceu 12% este ano em Goiás, que é o segundo maior polo nacional, ficando atrás apenas de São Paulo

No ano em que completam 15 anos no Brasil, os medicamentos genéricos devem chegar à marca dos 30% do total de remédios consumidos em Goiás e no País. É um índice importante e já esperado há anos pela indústria, mas ainda pequeno pelo importante espaço que tem a conquistar (em países desenvolvidos, a média é de 50%). A produção de genéricos em Goiás, que é o segundo maior polo nacional (atrás apenas de São Paulo), já evoluiu 12% em 2014.

Está acima dos 11% de crescimento de fármacos em geral e movimenta cerca de R$ 1,75 bilhão para as empresas locais. “E deve continuar crescendo na casa dos dois dígitos ainda pelos próximos quatro anos”, prevê o empresário Marçal Henrique Soares, presidente-executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas de Goiás (Sindifargo), fonte das informações.

A expectativa positiva para o mercado de genéricos atinge diretamente Goiás, que tem 70% da produção de medicamentos voltada para as fórmulas sem patentes, completa o presidente do Conselho Administrativo da entidade, Heribaldo Egídio da Silva. Para Marçal, embora o rápido e vertiginoso avanço dos genéricos tenha surpreendido os empresários, o sucesso a partir do empenho das indústrias locais contribuiu para que elas recebessem investimentos de multinacionais na compra total ou parcial de parques fabris goianos.

O Laboratório Teuto em Anápolis, por exemplo, que teve 40% das suas ações adquiridas pela Pfizer em 2010, é pioneiro na produção de genéricos no País e possui seis produtos entre os mais vendidos do mercado nacional. Este ano, alcançou o quarto lugar no segmento e, somente em maio, teve um saldo positivo de 51,04% em unidades vendidas.

Outro fator de influência para a evolução dos genéricos foi o fato de o acesso a medicamentos no País ter praticamente dobrado nesse mesmo tempo, em função da melhora da renda da população e do preço mais acessível das fórmulas sem patente. Os programas governamentais de distribuição gratuita de remédios também contribuíram para o cenário.

Por lei, os genéricos devem ser, pelo menos, 35% mais baratos que os fármacos de marca. Entretanto, essa diferença pode variar até 80%, dependendo da fórmula e do laboratório, informa o presidente-executivo do Sindifargo. Com isso, a economia feita pela população brasileira em pouco mais de dez anos ultrapassa os R$ 48 bilhões, segundo cálculos da (PróGenéricos).

A população está mais consciente de que o mais importante é ter medicamento que seja eficaz e com preço acessível”, afirma Heribaldo. Os genéricos são os únicos que possuem legalmente o atributo da intercambialidade, ou seja, têm autorização para substituir os produtos de referencia nas prescrições médicas (receitas).

Polo recebe visita de estrangeiros

ndústrias do polo farmacêutico de Anápolis receberam a visita de membros de órgãos reguladores de produtos farmacêuticos de Cabo Verde, Moçambique e Portugal, para uma agenda de negócios denominada Projeto Imagem Sanitária. Eles conheceram a qualificação do parque produtivo e também apresentaram seus sistemas regulatórios às empresas do setor.

A comitiva esteve no Brasil a convite da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Associação Brasileira de Indústria Farmoquímica e de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Dentro do Projeto Copa do Mundo, a Apex-Brasil está trazendo ao País 2,3 mil compradores, investidores e formadores de opinião estrangeiros para realizar agendas de negócios e acompanhar os jogos do mundial.

A intenção é promover aproximação e relacionamento entre as autoridades sanitárias internacionais e a Anvisa, para um maior entendimento dos processos regulatórios e, com isso, facilitar a obtenção dos registros e certificados necessários à inserção dos produtos brasileiros nos outros países.

Fonte: Jornal O Popular