4 de junho de 2014

Dr. Marcelo Caixeta: 10 mentiras sobre o SUS que não tiveram coragem ou isenção de interesses para contar pra você


1) Não falta dinheiro no SUS. Dou um exemplo simples : trabalho em um hospital filantrópico onde há 4 médicos que ganham uma média de 1.500 reais por mês. No SUS poderiam ganhar até 7 mil reais, mas não trocam um pelo outro. No SUS não são respeitados enquanto profissionais, no SUS não têm meios de fazerem uma medicina limpa e de qualidade.

2) Eles não vão para o SUS porque neste há uma filosofia básica : o médico não pode "dominar". O "socialismo" ("todos iguais") impede que um "seja mais que o outro". O "socialismo" ("ninguém pode ser mais que o outro") tem interesse em destruir todo tipo de iniciativa individual, todo tipo de “iniciativa privada”.

3) O SUS tem interesse em destruir o médico, entre outras coisas porque é dos poucos profissionais que têm oportunidades fora do governo. Para o governo é muito importante que toda a classe média se transforme em funcionários públicos, pois é assim que ela "compra a classe média" e a transforma em curral-eleitoral.

4) Por causa do ítem 3, há mais um motivo para destruir a Medicina fora do governo: fazer com que o médico não tenha outra saída a não ser ir trabalhar para o governo. Ultimamente, por exemplo, criou leis que obrigam os estudantes de Medicina e médicos recém-formados a trabalharem para o governo.

5) Medicina é uma atividade humana científica muito complexa. É impossível fazê-la sem um médico. Por causa do que já foi exposto acima, é isto que o SUS tenta fazer. Por exemplo, contrata profissionais de saúde não médicos para fazer o serviço do médico, sejam brasileiros, sejam cubanos (formados em cursos técnicos de Medicina). Para isso utiliza-se inclusive de trabalho semiescravo, profissionais de saúde cubanos cujo salário de 9 mil fica com Cuba e só 1 mil com eles. Um dos efeitos colaterais do comunismo são os baixos salários: com a abolição da iniciativa privada não há interesse em melhorar a produtividade. Há estagnação. Para resolver a estagnação, uma das soluções é a escravidão (quando Stálin, por exemplo, destruiu o sistema agrícola da URSS, teve de escravizar a população e obrigá-la a trabalhar nos campos sob a mira dos fuzis).

6) O SUS não é um sistema de saúde, é um sistema político. Seu objetivo não é o atendimento médico das pessoas, é o assistencialismo que visa o "domínio socialista" (estatizante) sobre uma população e a destruição da iniciativa privada ("capitalismo") no âmbito médico-hospitalar.

7) Dizendo-se "socialista", diz que sua estratégia de base é a "Medicina simples", "Medicina de família", "Medicina de bairros", etc. Mas esta estratégia é completamente ineficiente, não há hospitais, laboratórios, médicos especialistas. A medicina é uma atividade muito complexa do ponto de vista científico, e não dá para fazê-la de pés descalços. De um lado, o governo federal tenta acabar com os hospitais , ou precarizá-los (vide ótima reportagem emhttp://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/05/fantastico-percorre-hospitais-do-brasil-e-encontra-uti-sem-medicos.html). Com esta política atual perde-se uma média de 15 leitos do SUS por dia. No entanto, por outro lado, governos estaduais e municipais cada vez tem a noção mais clara de que precisam investir em Medicina hospitalar. Nenhum governo coloca isto às claras, pois isto seria dar o braço à torcer para o "capitalismo", para a "iniciativa privada", pois só estes dão conta da complexidade hospitalar da Medicina. Governos estaduais e municipais, no Brasil todo, estão "complementando" as tabelas hospitalares do SUS, mas nenhum político, nenhum governo, tem a coragem de dizer que "o paradigma de médicos pés descalços" não deu certo como estratégia de saúde pública, e que agora estão investindo mesmo é em medicina hospitalar , especializada, tecnológica.

8 ) O SUS mal acostuma a população a achar que o atendimento médico-hospitalar é algo que tem de ser gratuito. Isto tem o efeito de abaixar preços de consultas e de hospitalizações, tornando cada vez mais raro o médico que atende bem no consultório e na enfermaria. Todos os médicos estão fugindo do trabalho clínico, ora querem virar funcionário público, ora querem fazer exames, cirurgias, procedimentos, ou, os que sobram para a "boa medicina clínica" (ambulatorial ou hospitalar) tendem a arrancar o couro dos pacientes (cobram alto por um trabalho de qualidade, que não existe em outro lugar, seja no governo seja nos convênios).

9 ) O SUS gratuito "contamina" também a iniciativa privada, abaixando preços de consultas e diárias nos planos de saúde. No âmbito dos planos de saúde os médicos trabalham mal, geralmente só ficam neles os médicos de má qualidade. Esta má qualidade faz com que serviços de consultórios "não prestem", serviços hospitalares em enfermariaapartamentos não prestem, aí recorre-se cada vez mais às UTIs, que viraram a "tentativa de panaceia universal". Mas tal precarização já atinge também as UTIs, há unidades destas que funcionam até sem médicos (vide reportagem acima). Então, para "resolver o problema da saúde", criarão a Super-UTI, ou então (vide reportagem da última revista Época), as famílias terão de vender tudo para pagar atendimentos de qualidade, mas caríssimos (inflação do mercado por causa de sua destruição, causada pelo governo).

10 ) A deterioração que o governo SUS promovem na Medicina é tanta que o Brasil é o único país no mundo onde a Medicina de Urgência e UTI é feita pelos profissionais mais inadequados (nos países desenvolvidos, são os mais capacitados), ou seja, os que ganham pior, os recém-formados, os já velhos, cansados, desatualizados, cubanos, doentes, sem-formação, sem especialização. Isto faz com que a qualidade de atendimento médico de urgência e UTIs sejam ainda piores do que a média da Medicina geral, redundando em numerosas mortes.

As mazelas do SUS, em suma, nada mais refletem do que a excessiva ingerência governamental em uma área da sociedade civil;  como em todas as áreas, Economia inclusive, o resultado é este aí: falência e caos.

(Dr. Marcelo Caixeta, Médico)

Fonte: DM