26 de junho de 2014

Av. Leste-Oeste: Obra em avenida parada há 4 anos


Centenas de pessoas que moram em bairros da Região Oeste da capital são forçadas a conviver diariamente com o acúmulo de lixo e entulho de construção civil, capim alto, mau cheiro, imóveis semidestruídos e o perigo que ronda os locais ermos. Este cenário sinistro compõe parte de uma via inacabada, de aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão. Idealizada para ser alternativa ao intenso tráfego de veículos na capital, a Avenida Leste-Oeste transformou-se, ao longo dos anos, em um problema que se arrasta sem perspectiva de solução.

A reportagem percorreu a Avenida Leste-Oeste de ponta a ponta. Ao longo dos cerca de 15 quilômetros da primeira parte da via, denominada Tramo Oeste, que liga a Avenida Borges Teixeira, no Conjunto Vera Cruz, à Câmara de Goiânia, no Centro, existem dois trechos inconclusos. Um deles, onde há várias casas e barracões abandonados e parcialmente derrubados, localiza-se sobre a antiga Rua dos Ferroviários. O outro, de aproximadamente 3 quilômetros, vai do Conjunto Vera Cruz à Vila João Braz.

As obras na Avenida Leste-Oeste estão paralisadas há cerca de quatro anos por questões judiciais e por falta de recursos. A Prefeitura de Goiânia havia começado a desapropriar os imóveis erguidos em lotes irregulares e na invasão da Rua dos Ferroviários, mas alguns moradores recorreram à Justiça. Paralelamente a essa questão, o município deixou de receber recursos do Ministério das Cidades que seriam utilizados na construção da via.

LIXÃO

Uma moradora do Condomínio Águas Claras, na Vila Santa Rita, diz que não suporta mais conviver com o acúmulo de lixo e entulho no fundo do prédio em que reside. “Devido à paralisação da obra, as pessoas passaram a usar este local como lixão a céu aberto”, sublinha. Ela destaca que, em função sujeira, que propicia o acúmulo de água, muitos moradores do prédio contraíram dengue. O mesmo tipo de insatisfação é demonstrado pelo fazendeiro Paulo Pires, de 63 anos. Ele enfatiza que a interrupção da obra da Avenida Leste-Oeste desvaloriza as casas regulares e dá ao bairro um aspecto de abandono.

Os imóveis localizados na parte concluída da Avenida Leste-Oeste tiveram valorização superior a 100%. O aposentado Altino Carlos Teixeira, dono de uma casa no trecho revitalizado da via, queixa-se da obra inacabada. “Se tivessem terminado aquela parte, o valor da minha casa seria muito maior”, acentua. Alguns moradores da Rua dos Ferroviários estão ansiosos por uma solução ao impasse. O mecânico Valdir Ribeiro da Silva, de 49 anos, informa que até hoje nunca foi procurado por nenhum funcionário do município e que sonha em receber a indenização pelo imóvel.

A diretora de Infraestrutura Viária da Secretaria Municipal de Obras (Semob) – órgão do município responsável pela execução da obra -, Nágila Emiliano Garcia, informa que a continuidade da construção da Avenida Leste-Oeste depende da liberação dos recursos pelo Ministério das Cidades. O Tramo Oeste da via, conforme disse, foi dividido em dez áreas. Para cada uma destas etapas foi firmado um convênio diferente. “Assim que recebermos os recursos necessários, daremos andamento às obras”, sublinha. A reportagem manteve contato com o Ministério das Cidades sobre a questão, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Fonte: Jornal O Popular