22 de maio de 2014

Paulo diz que previa crise financeira: “Tenho uma missão histórica”


Prefeito Paulo Garcia afirma que reequilibrar as finanças da Prefeitura de Goiânia será o grande desafio do restante de sua gestão e aponta que modelo das cidades brasileiras está esgotado

Além da reforma administrativa, existem outras ações previstas para equilibrar as finanças da Prefeitura?

Como eu disse hoje à rádio CBN Goiânia, estou convencido de que tenho uma missão histórica de reestruturar a administração da cidade de Goiânia. Este é o momento de todas as cidades de médio e grande porte repensar suas administrações. Não podemos mais viver numa cidade com modelo do século 20 e necessidades do século 21. O que significa isso? Decidir com vigor, determinação, mesmo sabendo que é complexo, que é difícil e que existem forças contrárias. É preciso avançar na otimização de recursos, na busca de resultados e na prestação de serviços de qualidade. Sendo assim, precisamos readequar toda a nossa estrutura organizacional e já começamos a fazer isso. Não podemos mais nos dar ao luxo e eu costumo dar um exemplo muito prático de ter duplicidade de ações dentro da mesma estrutura. Isso não é mais compatível com os dias de hoje até porque foram vocês que publicaram que mais de 92% dos municípios brasileiros têm receitas menores do que as necessidades de gastos e demandas. Isso é fruto de um pacto federativo defasado, em que a União e os Estados concentram a maior parte do recurso. A menor fatia vai para as cidades, que são onde as pessoas vivem. Isso é inexorável, irremediável. Quem imaginar que isso não vai acontecer está remando contra a maré. Daqui a 20 anos 75% da população mundial vai viver em cidade. Não existe outro caminho. Isso está no meu plano de governo, apresentado em 2012. Nesse sentido, estamos trabalhando. Nossa meta é zerar o déficit fiscal até dezembro deste ano. Estamos trabalhando sem propaganda, sem alarde, lutando contra aqueles que se opõem a uma nova metodologia de administrar, mas fazendo o que é necessário.

Quando o senhor vai dar início a essas novas medidas de enxugamento de gastos no Paço?

Existem novas medidas previstas, mas não vou adiantá-las. À medida que nós tivermos o ambiente adequado e todos os estudos que solicitamos concluídos vamos avançando. Acredito que no próximo semestre podemos avançar ainda mais.

Esses estudos são os da Faculdade Getúlio Vargas, encomendados pela Prefeitura no início deste ano e que até hoje não foram apresentados à imprensa?

Contratamos a FGV para fazer um estudo na folha de pagamento da administração municipal e agora a instituição nos entrega paulatinamente cada uma das fases. Acredito que falta uma ou duas fases para concluirmos. Você não tenha dúvida de que, após a conclusão, iremos apresentá-las à imprensa. Sou uma daquelas pessoas entusiastas da transparência. Defendo a disponibilização de todos os dados do serviço público a qualquer homem e a qualquer mulher.

Durante esse período de dificuldades financeiras na Prefeitura, a base aliada reclamou da falta de diálogo do Paço com o Legislativo e também da falta de serviços em suas regiões. O senhor deixou de receber os vereadores?

Engraçado, vocês fazem essas afirmações, mas quando a base é chamada no Paço ninguém diz isso a mim. E a prática não é essa. Tenho me reunido com a base aliada com uma frequência pouco vista por administradores e coordenadores de administração pública. Hoje, por exemplo, me reuni com toda a bancada do PMDB, que me solicitou a reunião ontem à noite e hoje mesmo eu atendi. Então não vejo isso.

E a reunião foi pacífica?

A conversa foi ótima, como sempre é. A relação com o Parlamento é sempre para mim muito positiva. É um momento de diálogo, avaliação, crítica, discussão. Foi muito positiva a reunião.

O bloco moderado reclama de retaliação por não ter votado com o Paço no projeto de desafetação de áreas. A Prefeitura pediu mesmo os cargos dos vereadores?

O Parlamento é um poder independente, livre e soberano. Isso é uma questão. Outra questão é a relação política dentro desse grupamento de políticos. Digo relação de simbiose, de apoio, de diálogo, de sugestão, de críticas, de avaliação e, naturalmente, de articulação. É uma via de mão dupla, onde você dialoga com esse grupamento político na busca de resultado para a tese que cada um defende. É assim na vida pública. Se não for assim não é uma relação de aliança, simbiótica. É natural em todo o Parlamento.

Qual a sua avaliação do cenário que se desenha para a disputa eleitoral de outubro?

Eu tenho dito que o meu foco principal é a gestão municipal. Tenho trabalhado muito e tenho a convicção de que, ao final do meu mandato, vou deixar a administração em ótimas condições para o meu sucessor ou para a minha sucessora. Dificilmente alguém vai receber uma administração nas condições que eu deixarei. Estou trabalhando muito, otimizando recursos humanos e materiais, enxugando gastos, buscando uma estrutura que leve à gestão por resultados. Agora, naturalmente, sou agente político também. Sou filiado a um partido. E obviamente no momento eleitoral devo participar do processo. Qual será a minha participação? Na tese que o meu partido defender. Eu sou orgânico, disciplinado e um dos primeiros defensores da fidelidade partidária. Então, não tenha dúvida de que o meu posicionamento eleitoral será ao lado do meu partido. Nesse momento, no entanto, não me cabe manifestação. Quem tem de se manifestar são os pré-candidatos que estão trabalhando e os dirigentes partidários. No momento oportuno vou cumprir a missão que me couber.

Fonte: Jornal O Popular